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Incêndios atingem quase 90 mil hectares na Chapada dos Veadeiros

Operação da Semad e forças policiais busca responsabilizar autores das queimadas na APA do Pouso Alto; multas podem chegar a R$ 50 milhões


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 13/10/2025 - 15:47

Foto: Portal Goiás

Entre 1º de janeiro e 12 de outubro de 2025, incêndios florestais consumiram 89,8 mil hectares na Área de Proteção Ambiental (APA) do Pouso Alto, que abrange parte da Chapada dos Veadeiros, no Nordeste de Goiás. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) iniciou, em 6 de outubro, uma operação conjunta com o Corpo de Bombeiros e as polícias Civil e Militar para responsabilizar propriedades e empresas que deram causa aos incêndios. Pelo menos 30 proprietários rurais devem ser autuados.

A Semad utiliza imagens de satélite para identificar os pontos de ignição e realiza validação em campo. Segundo a pasta, todos os dados levantados estão sendo analisados pelos técnicos ambientais. Em todo o estado, cerca de 80 processos administrativos foram abertos para apurar responsabilidades por incêndios florestais em 2025.

 

Prisões e parques

A Polícia Civil informou que mais de 15 pessoas foram detidas nas últimas semanas, em todo o estado, por uso irregular do fogo. Já a Polícia Militar tem registrado de duas a três prisões em flagrante por semana.

A APA do Pouso Alto abrange três parques: dois estaduais — Parque Águas do Paraíso e Estação Ecológica de Nova Roma — e o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, sob gestão do ICMBio. Segundo o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da UFRJ, não houve incêndios nos parques estaduais em 2025, mas o parque nacional teve 6.440 hectares atingidos pelo fogo.


Multas e responsabilização

De acordo com o decreto federal 6514/2008, provocar incêndio em vegetação nativa pode gerar multa de R$ 10 mil por hectare destruído. Quando a queimada ocorre em zona de amortecimento de unidade de conservação, o valor é dobrado, chegando até R$ 50 milhões.

A responsabilização por ação considera fatores como origem do fogo dentro da propriedade, recorrência de focos e ausência de autorização para queima. Já por omissão, são verificados elementos como falta de aceiros, ausência de medidas preventivas e não comunicação do incêndio às autoridades.

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