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Dia do Professor: celebração de heróis em meio a um sistema que ainda os negligencia

O país só alcançará justiça e verdadeira democracia quando seus educadores forem tratados com respeito, dignidade e prioridade


Rodrigo Zani Por Rodrigo Zani em 15/10/2025 - 13:09

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Ser professor no Brasil é, antes de tudo, um gesto de resistência e de fé na educação (Foto: Marcos Nunes/Arquivo Pessoal)

No dia 15 de outubro, o Brasil celebra o Dia do Professor, uma data de homenagem e, sobretudo, de reflexão nacional. Nenhuma grande potência mundial se consolidou sem educadores valorizados e investimentos estratégicos em um sistema público de ensino forte e inclusivo.

A história mostra que o verdadeiro motor do desenvolvimento não são os recursos naturais ou tecnológicos, mas sim as pessoas que educam e formam as novas gerações.

A Constituição Federal assegura o direito à educação como princípio fundamental, e impõe ao Estado o dever de garantir que nenhum brasileiro fique fora de um sistema público acolhedor, humanizado e eficiente. Esse é um dos pilares da cidadania e da democracia. No entanto, a prática ainda revela uma realidade marcada por desigualdades, descaso e desvalorização.

Falar de educação no Brasil é evocar o nome de Paulo Freire, patrono da educação brasileira, reconhecido internacionalmente por sua pedagogia libertadora. Freire nos ensinou que educar é um ato político e transformador, capaz de romper ciclos de exclusão e construir autonomia. Seu legado é a expressão máxima do que a educação brasileira deve aspirar: formar cidadãos críticos, conscientes e solidários.

Entretanto, os desafios que pesam sobre os professores brasileiros permanecem graves.

Faltam infraestrutura, políticas consistentes de ensino integral, material didático de qualidade e condições dignas de trabalho. A desigualdade é visível: enquanto carreiras como magistratura, ministério público e política contam com altos salários e benefícios, os educadores — base de todas as outras profissões — lutam para ter reconhecimento e dignidade.

Essa distorção moral e institucional compromete o futuro do país.

Ser professor no Brasil é, antes de tudo, um gesto de resistência e de fé na educação.

É preparar aulas com poucos recursos, acolher estudantes em vulnerabilidade, ensinar com amor mesmo diante das dificuldades e, muitas vezes, exercer papéis que deveriam caber às famílias e ao Estado.

Os professores e professoras brasileiros são heróis silenciosos que carregam nos ombros o sonho coletivo de um país melhor.

Por isso, é urgente que o Brasil reconheça a centralidade do professor como agente do desenvolvimento nacional. Valorizar o magistério não é um ato simbólico, mas uma decisão política e estratégica.

O país só alcançará justiça e verdadeira democracia quando seus educadores forem tratados com respeito, dignidade e prioridade, e quando a educação deixar de ser vista como despesa para ser entendida como investimento essencial de uma nação soberana.

 

Rodrigo Zani

É Secretário de Formação Política da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar do Brasil - UNICAFES

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