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José Eliton e a reconstrução da política de projetos em Goiás

Goiás ainda é um reduto conservador, mas começa a demonstrar fadiga com discursos simplistas e ideológicos


Rodrigo Zani Por Rodrigo Zani em 07/11/2025 - 13:50

José Eliton
José Eliton ressurge como um quadro de relevância regional e nacional (Reprodução Instagram)

A trajetória de José Eliton é um exemplo de como técnica, moderação e visão pública podem caminhar juntas na política. Natural de Posse (GO), ele é filho de José da Silva Eliton, ex-prefeito do município, e construiu uma carreira sólida como advogado, atuando para grandes nomes da política goiana — entre eles, o atual governador Ronaldo Caiado.

Desde o início da carreira, José Eliton destacou-se pela competência técnica e precisão jurídica, conquistando respeito entre clientes e colegas de profissão. O próprio Ronaldo Caiado reconheceu publicamente sua capacidade, seriedade e rigor jurídico — atributos que o tornaram uma das figuras mais promissoras do meio jurídico goiano. Jovem, articulado e respeitado nos bastidores, Eliton transformou seu talento técnico em credibilidade política, abrindo caminho para uma trajetória pública pautada pela responsabilidade e pelo equilíbrio.

Em 2010, foi indicado para compor a chapa do então governador Marconi Perillo, tornando-se vice-governador e, posteriormente, ocupando secretarias estratégicas nos governos do PSDB em Goiás — administrações marcadas por estabilidade, crescimento econômico e gestão eficiente. Sua atuação em cargos de liderança demonstrou capacidade técnica, equilíbrio e habilidade de articulação política — atributos cada vez mais raros no cenário nacional.

Diferente de muitos quadros tradicionais, José Eliton não depende da política para viver. Com carreira consolidada e reconhecimento no meio jurídico e empresarial, ingressou na vida pública não por conveniência, mas por compromisso com a democracia e com um projeto coletivo de nação.

Em 2022, no auge das ameaças autoritárias da extrema direita, foi José Eliton quem articulou e organizou em Goiás atos cívicos e eventos em defesa do Estado de Direito, reunindo partidos democráticos e a sociedade civil. Sua capacidade de diálogo foi essencial para aproximar setores historicamente distantes do campo progressista — como o agronegócio — da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. Essa habilidade de construir pontes e consensos explica por que seu nome volta a ganhar relevância no cenário político goiano.

O Brasil atravessou, na última década, um período de intensa polarização e descrédito institucional. A operação Lava Jato, com seus excessos e espetacularização, abriu espaço para a ascensão da extrema direita. Nesse ambiente, figuras moderadas e dialogais — como José Eliton — foram ofuscadas pela lógica do confronto e das redes sociais.

A política, antes pautada pela construção de projetos e consensos, passou a ser dominada pela superficialidade e pelo embate permanente. Eliton sempre se manteve distante desse modelo: discreto e pragmático, prioriza o trabalho consistente à retórica vazia.

O governo de Jair Bolsonaro representou um dos momentos mais desastrosos da história recente do país. O Brasil enfrentou uma das piores crises sanitárias do mundo durante a pandemia de COVID-19, marcada por negacionismo e falta de coordenação nacional. O projeto de armar a sociedade civil mostrou-se um erro técnico e social, fortalecendo o crime organizado e a violência. Sem planejamento nem projeto de nação, o bolsonarismo terminou em colapso político e institucional, culminando na tentativa frustrada de golpe de Estado.

Paradoxalmente, esse período de retrocesso fortaleceu o campo democrático. O presidente Lula reassumiu a liderança política do país e tornou-se o principal articulador da reconstrução nacional, devolvendo ao Brasil estabilidade econômica, protagonismo internacional e diálogo institucional.

Nesse ambiente de reconstrução, o país reencontra o valor da gestão técnica e da política de diálogo. A população, cansada do extremismo e do populismo digital, começa a valorizar novamente lideranças com experiência, serenidade e espírito público. Nesse contexto, José Eliton ressurge como um quadro de relevância regional e nacional, reunindo essas qualidades.

Nas últimas semanas, a base política do presidente Lula em Goiás passou a considerar José Eliton como um bom nome para representar o projeto progressista no estado. Essa movimentação reflete o entendimento de que o avanço do campo democrático depende da formação de alianças amplas, capazes de dialogar com o centro e com setores moderados da direita. Eliton, com perfil técnico e postura conciliadora, tem se mostrado uma alternativa viável para construir essa convergência.

Goiás ainda é um reduto conservador, mas começa a demonstrar fadiga com discursos simplistas e ideológicos. Nesse cenário, uma candidatura de José Eliton, alinhada ao projeto progressista nacional, torna-se estratégica. Seu perfil — advogado respeitado, empresário do agronegócio e gestor experiente — o coloca como ponte entre diferentes segmentos da sociedade goiana.

Sua eventual candidatura dependerá de fatores locais e nacionais, mas sua presença no debate eleitoral já representa um ganho para o estado. José Eliton não é apenas um nome competitivo: é um construtor de pontes, um articulador de consensos e um defensor da democracia. Com o apoio do governo federal e o capital político acumulado ao longo de sua trajetória, ele tem condições de liderar uma frente ampla em Goiás, reunindo forças diversas em torno de um projeto técnico, moderno e convergente.

O campo progressista conta com nomes expressivos, como a deputada Adriana Accorsi, e a inclusão de José Eliton nesse debate eleva o nível da disputa e reforça o ideal de reconstrução democrática.

À medida que se desenha o cenário eleitoral, tudo indica que Goiás terá uma disputa de alto nível, com nomes como Marconi Perillo, Daniel Vilela, Wilder de Morais e o próprio José Eliton entre os possíveis protagonistas. A população goiana merece debates de ideias, propostas concretas e visões de futuro, e não mais a política de ódio, das fake news e dos ataques pessoais que tanto degradaram o ambiente público nos últimos anos.

Em um momento em que o Brasil busca recuperar a política de projetos, o diálogo e a racionalidade na gestão pública, José Eliton representa mais do que um candidato: simboliza o resgate da boa política, da moderação e do compromisso com o país.

E é justamente disso que o Brasil — e Goiás — mais precisam.

Rodrigo Zani

É Secretário de Formação Política da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar do Brasil - UNICAFES

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