A Justiça de Goiás reconheceu a união estável de um trisal formado por três homens, em uma decisão inédita em Jataí. A juíza Sabrina Rampazzo de Oliveira, do 6º Centro Judiciário de Soluções de Conflitos e Cidadania (Cejusc), confirmou o pedido feito pelo Núcleo de Prática Jurídica da Universidade Federal de Jataí (NPJ-UFJ).
O relacionamento entre Túlio Adriano Marques, Wellington Ferreira da Costa e Lucas Santana Delgado começou em 2019. Antes disso, Túlio e Wellington já viviam juntos desde 2014. O grupo decidiu formalizar o vínculo sob o regime de comunhão parcial de bens.
Na sentença, a juíza afirmou que o trio mantém uma convivência pública, contínua e duradoura, com o objetivo de constituir família. Ela também registrou que os três expressaram de forma livre o desejo de reconhecer oficialmente a relação.
Contudo, mesmo sem respaldo legal específico para uniões poliafetivas no Brasil, a decisão abre espaço para novas discussões sobre o conceito de família. Especialistas acreditam que o caso pode incentivar outras ações semelhantes em diferentes estados.
Ataques digitais
No entanto, apesar da conquista, o trisal relatou estar sofrendo ataques virtuais após a repercussão do caso. O professor Túlio Adriano Marques e os empresários Wellington Ferreira da Costa e Lucas Santana Delgado afirmam ter recebido milhares de mensagens ofensivas em redes sociais e sites de notícias. Mesmo com medo, eles disseram que pretendem continuar vivendo juntos e manter a rotina.
Em entrevista ao jornal O Popular, Túlio explicou que o pedido de reconhecimento teve como objetivo assegurar os mesmos direitos de outros casais. Ele afirmou ainda que espera que a conquista inspire respeito e ajude outras pessoas a buscarem o mesmo reconhecimento. A sentença, assinada pela juíza Sabrina Rampazzo de Oliveira, estabelece o regime de comunhão parcial de bens, garantindo respaldo jurídico à relação.















