A Pesquisa CNT de Rodovias 2025, divulgada nesta quarta-feira (17), mostra que o Brasil avançou na qualidade geral da malha viária ao longo do último ano; no entanto, em Goiás, apesar de alguns indicadores positivos, os desafios estruturais ainda impactam a competitividade econômica, a segurança viária e os custos do transporte.
O levantamento, realizado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e financiado pelo SEST SENAT, avaliou 114.197 quilômetros de rodovias pavimentadas em todo o país. Em âmbito nacional, houve aumento dos trechos classificados como Ótimos ou Bons, que passaram de 33% em 2024 para 37,9% em 2025, além de uma queda expressiva nas vias consideradas Ruins ou Péssimas, que recuaram de 26,6% para 19,1%.
Goiás: quase metade das rodovias em condição apenas regular
Em Goiás, a pesquisa analisou 7.684 quilômetros de rodovias, o equivalente a 6,7% da malha avaliada no Brasil. O estudo aponta que 46,8% da extensão avaliada no estado está em boas ou ótimas condições, sendo 10,1% classificadas como Ótimas e 36,7% como Boas. Por outro lado, 44,9% das rodovias goianas apresentam condição Regular, enquanto 8,3% foram classificadas como Ruins ou Péssimas.
O diagnóstico revela que, embora Goiás esteja levemente acima da média nacional no percentual de vias em bom estado, a predominância de rodovias regulares e os problemas de geometria e sinalização ainda representam riscos aos usuários.
Pavimento e geometria preocupam
No quesito pavimento, 48,6% das rodovias goianas foram avaliadas como Ótimas ou Boas, mas 41,4% estão em condição Regular e 10% em situação Ruim ou Péssima. Além disso, 0,4% da malha apresenta pavimento totalmente destruído, exigindo reconstrução imediata.
A geometria da via é outro ponto crítico: quase 29% das rodovias estão em condição Regular, enquanto 28,8% foram classificadas como Ruins ou Péssimas. O levantamento aponta ainda que 81,3% das rodovias em Goiás são de pista simples, 49,5% não possuem acostamento e 47,3% dos trechos com curvas perigosas não contam com sinalização adequada.
Impacto direto no custo do transporte e no meio ambiente
As condições das rodovias em Goiás elevam em média 25,6% os custos operacionais do transporte, refletindo diretamente no preço final dos produtos e na competitividade do estado, que é um importante corredor logístico do Centro-Oeste.
Do ponto de vista ambiental, a má qualidade do pavimento provocou em 2025 um consumo excessivo estimado de 72,8 milhões de litros de diesel, gerando um prejuízo de R$ 419 milhões aos transportadores e a emissão de 192,66 mil toneladas de gases de efeito estufa.
Acidentes e investimentos aquém do necessário
Em 2024, os acidentes registrados nas rodovias goianas geraram um prejuízo econômico de R$ 756,99 milhões. No mesmo período, os investimentos públicos em obras de infraestrutura rodoviária no estado somaram apenas R$ 56,15 milhões, valor considerado insuficiente frente às necessidades apontadas pelo estudo.
Segundo a CNT, para recuperar a malha rodoviária de Goiás com ações de reconstrução, restauração e manutenção, seriam necessários R$ 5,39 bilhões em investimentos. Em 2025, do total de R$ 208,28 milhões autorizados pelo governo federal para o estado, apenas R$ 98,25 milhões (47,2%) foram efetivamente aplicados até novembro, percentual abaixo da média do Centro-Oeste.
Goiás no contexto regional
No cenário regional, o Centro-Oeste teve 49,8% de suas rodovias classificadas como Regulares e apenas 42,3% como Boas ou Ótimas, evidenciando que os desafios enfrentados por Goiás refletem um problema estrutural da região, estratégica para o escoamento da produção agroindustrial brasileira.
Desafio contínuo
Para a CNT, os dados reforçam que a melhoria das rodovias passa pela continuidade dos investimentos, expansão das concessões e planejamento de longo prazo. Em estados como Goiás, onde a logística é fundamental para a economia, a qualidade da infraestrutura rodoviária segue sendo decisiva para reduzir custos, aumentar a segurança e impulsionar o desenvolvimento sustentável.














