Com a queda das temperaturas, é comum que a rotina de cuidados com a pele fique em segundo plano. O protetor solar deixa de ser aplicado diariamente, os banhos passam a ser mais quentes e demorados e a hidratação perde espaço. Embora pareçam hábitos inofensivos, eles podem comprometer a barreira de proteção da pele e favorecer problemas como ressecamento, descamação, coceira e dermatites.
Segundo a dermatologista Marcela Cestari, do Hospital Sírio-Libanês, a pele enfrenta desafios diferentes durante o inverno e, por isso, os cuidados precisam ser adaptados.
“No verão, a principal preocupação é a exposição intensa ao sol. Já no inverno, o ressecamento se torna o maior vilão por causa do ar mais seco, do vento frio e dos banhos quentes, que reduzem a hidratação natural da pele”, explica.
Mesmo com dias menos ensolarados, abandonar o protetor solar continua sendo um erro frequente. A especialista ressalta que, embora a incidência dos raios UVB diminua nesta época do ano, a radiação UVA permanece praticamente constante e continua atingindo a pele.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 95% da radiação ultravioleta que chega à superfície terrestre é composta por raios UVA. Eles atravessam nuvens e vidros, penetram nas camadas mais profundas da pele e estão associados ao envelhecimento precoce, ao surgimento de manchas, rugas, flacidez e alterações na textura da pele.
Os efeitos costumam aparecer de forma gradual. Dados da Sociedade Canadense de Dermatologia indicam que aproximadamente 90% do envelhecimento cutâneo está relacionado à exposição solar acumulada ao longo da vida.
Outro hábito típico dos dias frios também merece atenção. Apesar da sensação de conforto, banhos muito quentes removem a camada de gordura que protege naturalmente a pele.
“A barreira cutânea funciona como um escudo que impede a perda excessiva de água e protege contra agentes irritantes. Quando essa proteção é comprometida, a pele fica mais suscetível ao ressecamento e ao aparecimento de inflamações”, afirma Marcela.
Os primeiros sinais costumam surgir aos poucos. Sensação de pele repuxando após o banho, aspereza, vermelhidão, descamação e ardência ao usar cosméticos são alguns dos sintomas mais comuns. Em casos mais intensos, podem aparecer fissuras nos lábios, mãos, pés e calcanhares.
Para evitar esses problemas, a dermatologista recomenda reforçar a hidratação durante o inverno, dando preferência a produtos com ativos como ceramidas, ácido hialurônico, glicerina, pantenol e niacinamida, que ajudam a restaurar a barreira cutânea.
A médica também faz um alerta sobre tendências que ganharam espaço nas redes sociais, como o chamado skin flooding, técnica que consiste na aplicação de várias camadas de produtos hidratantes.
“O mais importante não é utilizar muitos cosméticos, mas aplicar um hidratante adequado enquanto a pele ainda está úmida. Um bom produto já reúne os ingredientes necessários para manter a hidratação e proteger a pele”, destaca.
Outro equívoco comum é acreditar que quem tem pele oleosa não precisa usar hidratante. Segundo a especialista, oleosidade e hidratação são características distintas.
“Uma pele pode ser oleosa e, ao mesmo tempo, estar desidratada. Quando a hidratação é negligenciada, a produção de sebo pode até aumentar como forma de compensação, provocando o chamado efeito rebote”, explica.
Além do rosto, regiões como mãos, lábios, pernas, cotovelos, joelhos, pés e calcanhares exigem atenção especial durante os meses mais frios, pois são as áreas mais suscetíveis ao ressecamento e ao aparecimento de rachaduras.
Para manter a pele saudável durante o inverno, a orientação é simples: utilizar hidratante diariamente, de preferência logo após o banho, manter o uso do protetor solar todos os dias, inclusive quando o céu estiver nublado, e optar por banhos mornos e rápidos.
“Não é uma rotina cheia de etapas que faz diferença, mas a constância. Pequenos cuidados realizados todos os dias oferecem muito mais proteção do que medidas intensivas feitas apenas de vez em quando”, conclui a dermatologista.















