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Waldir: “Não somos extremistas, somos a direita moderada”

Pré-candidato a deputado federal, Waldir Soares tem visão diferente para estratégia eleitoral em nível nacional e local


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 25/01/2026 - 08:27

Presiente do Detran, Waldir diz que CNH Brasil contou com colaboração de Goiás (Foto: Divulgação)

Estar mais ao centro é uma característica que, segundo o presidente do Detran, Waldir Soares, coloca o governador Ronaldo Caiado à frente dos demais pré-candidatos a presidente. Ele questiona a experiência administrativa de Flávio Bolsonaro e o fato de os governadores Romeu Zema e Ratinho Júnior não terem passado pelo parlamento. 

Na entrevista, Waldir comenta a composição das chapas proporcionais e majoritárias e o papel de Daniel Vilela no processo político estadual. Ele também aborda sua pré-candidatura a deputado federal, o uso das redes sociais na campanha e temas centrais de sua atuação política, como segurança pública, combate à corrupção e violência contra a mulher.

Além do cenário eleitoral, o presidente do Detran-GO fala sobre mobilidade, educação no trânsito, mudanças no modelo da CNH, uso da tecnologia nos serviços públicos e as ações do órgão para reduzir acidentes e salvar vidas nas rodovias e cidades goianas.

Como estão as discussões para a composição de chapas proporcionais nos partidos que compõem a base do governo? 

Inicialmente existe um diálogo do governador Ronaldo Caiado tentando fazer uma composição majoritária em relação ao governo do estado. Depois disso, devemos avançar para as chapas proporcionais. Existem alguns eventos já,  Daniel Vilela tem conduzido com os deputados e eu não vejo nenhuma dificuldade para montar chapas, seja de deputado estadual ou federal. Assim a gente fez em 2018, quando eu era presidente do PSL, em 2022 ajudamos na montagem de chapa do União Brasil e do PDT, ajudei a Flávia Moraes a montar a chapa, e da mesma forma hoje a gente orienta alguns partidos na montagem de suas chapas a deputados estaduais e federais. É só uma questão de diálogo e entender que é natural uma renovação de parlamentares estaduais e federais, tentar dar a maior proporcionalidade possível a cada uma dessas chapas que disputarão eleições em 2026.

Qual será a estratégia para evitar que atuais deputados estaduais e federais tornem a disputa interna extremamente acirrada, forçando pré-candidatos a buscar siglas menores para garantir sua sobrevivência política?

É natural que partidos pequenos montem chapas da sobrevivência com pré-candidatos que não tenham mandato ou que tenham até um limite de votos. Isso é da política, é natural. E se você pegar a chapa da morte da última eleição, vários deputados estaduais com mandato ficaram de fora. Isso não vai ser diferente neste momento. Teremos deputados eleitos e não eleitos. É o instituto de sobrevivência. Cada um vai buscar o caminho onde acha que sua sobrevivência política é mais fácil.

O fato de Daniel Vilela estar diretamente empenhado na composição das chapas não aponta para uma grande dificuldade nesse processo?

Não existe dificuldade. É natural que Daniel, o governador Ronaldo Caiado, Gracinha e todos aqueles que irão disputar a chapa majoritária participem e ajudem os pré-candidatos a deputados. Eles terão o apoio desses entes políticos e nada mais justo que eles ajudem a montar as chapas.

A vinda do PL para a chapa majoritária altera de alguma forma a composição das chapas proporcionais?

Não, de forma alguma. O PL é um grande partido, o MDB, o União Brasil, e os demais partidos da base, todos terão a oportunidade de montar as suas chapas e eleger deputados estaduais. Eu acredito que pouquíssimos partidos irão eleger deputados federais, quatro ou cinco partidos elegerão deputados federais. Mas os demais terão a montagem de chapa de deputados estaduais, continuarão tendo participação e importância no cenário político goiano e brasileiro.

Como o senhor avalia a estratégia de Ronaldo Caiado de manter a candidatura meio que a ferro e fogo?

Os atores precisam entender que o governador Ronaldo Caiado foi candidato a presidente já;  dos atuais, só Lula foi candidato a presidente. Foi deputado  federal por sete mandatos, melhor e maior orador da Câmara Federal, foi para o Senado por quatro anos, tem experiência no executivo. Flávio Bolsonaro tem experiência no executivo? Romeu Zema tem experiência no parlamento? Ratinho Júnior tem experiência no parlamento?  E a avaliação do governador Ronaldo Caiado é de 88%. Qual governador tem isso? O que o povo brasileiro quer discutir agora é segurança pública. Quem tem capacidade e preparo para discutir isso hoje no Brasil? 

 

Por que isso não se reflete nas pesquisas?

Nas pesquisas nacionais, em um eventual segundo turno, sem começar uma campanha, sem entrar no debate, Caiado já aparece a 11 pontos atrás do atual presidente, que tem a máquina na mão. Isso a 8, 9 meses das eleições. Ele é o melhor colocado entre os demais governadores, é o primeiro colocado. Somos um país polarizado, extrema direita, extrema esquerda, mas o país vai caminhar para o centro, e aí a gente vê o grande potencial do governador Ronaldo Caiado: moderado. Não somos extremistas, ou melhor, somos a direita moderada. Não é a ferro e fogo, é o melhor nome. O governador melhor avaliado do país, com 88%, experiência, não tem direito de pleitear uma candidatura presidencial?

No campo nacional, Caiado defende várias candidaturas da direita no primeiro turno.. 

Eu também. 

No estado ele defende que o apoio dos partidos a candidatura de Daniel se dê no primeiro turno. Não é contraditório?

Em Goiás, queremos unir o campo de centro-direita. Temos um candidato que passeou no camburão da federal, que destruiu o estado de Goiás nos últimos anos, e temos um candidato da esquerda. É natural a montagem de palanques presidenciais. O PL em Goiás precisa eleger um senador, essa é a pretensão do ex-presidente Jair Bolsonaro. A esquerda já entendeu isso e está pegando seus principais players para disputar o Senado para rivalizar conosco. A decisão do ex-presidente Bolsonaro é eleger em Goiás um senador e esse senador é Gustavo Gayer. É natural que Gracinha Caiado seja candidata ao Senado, é a que melhor aparece na pesquisa, é a candidata. Daniel Vilela é o candidato a governador nosso, ungido pelo governador Ronaldo Caiado, e temos a vice aberta para os demais partidos. A nível nacional, se tivermos apenas um candidato da direita é muito fácil usar toda a mídia, toda a máquina pública contra esse candidato. E a eleição termina no primeiro turno. Se a oposição em Goiás conseguir colocar dez candidaturas, parabéns a ela.Hoje somos oposição ao governo federal e vamos colocar quatro ou cinco candidaturas. Que em Goiás a oposição seja eficiente que nem a direita está sendo nacionalmente.  

 

Em relação à vice, qual deve ser o critério de escolha e qual que seria na sua opinião o melhor candidato?

Temos excelentes nomes e a decisão é do Daniel Vilela e do Ronaldo Caiado. Vejo que se destacam dois nomes: um muito próximo do governador, Adriano Rocha Lima; se a gente quiser trazer o entorno, o melhor nome é Diego Sorgatto; e correm por fora alguns outros nomes, José Mário Schreiner, que já foi deputado federal; Paulo do Valle; Luiz do Carmo; mas ninguém vai influenciar nisso. 

O senhor acha que o Daniel deve manter o arco de aliança do Caiado na eleição? 

É a nossa pretensão. Todos os partidos participam do governo, PSD, PP, todos eles ocupam espaço na nossa gestão.

 

Sua candidatura é a deputado federal?

100%. A pedido do governador Ronaldo Caiado e do Daniel Vilela. Eles pediram para eu voltar à Câmara Federal. Eu me afasto provavelmente dia 2 de abril para disputar a eleição.

E a campanha vai seguir o modelo das outras campanhas, muito forte nas redes sociais?

Sim, o modelo da campanha do delegado Waldir é redes sociais, estarei circulando nos municípios em cima da caminhonete, temos também um trabalho político muito forte. Fui o mais votado em 77 municípios para o Senado, em 32 fiquei em segundo colocado, tenho base eleitoral nos 246 municípios e vamos buscar apoio em todo o estado de Goiás. Na última eleição agora para o senado, tive 540 mil votos, o governador não pôde me ajudar, o ex-presidente Bolsonaro não pôde me ajudar em razão de cada um deles terem compromisso e a na nossa chapa ter mais de um candidato. A gente vem muito feliz, pé no chão, se o povo de Goiás e Deus quiser,  já que fomos  diferenciados no nosso mandato, abrindo mão de todas as mordomias e privilégios, fomos protagonistas como líder do PSL, elegemos o presidente da República, participamos ativamente de muitas CPIs e elevamos o nome de Goiás a grande relevância nacionalmente.

Qual vai ser o mote desta campanha?

Isso a gente tem que deixar para os 45 do segundo tempo, para surpreender o nosso eleitor. Mas com certeza áreas importantes, como a redução do valor da CNH; a segurança pública, que sempre foi o nosso caminho; o combate à corrupção; a moralização da Canaã e do comércio de compra e venda de carros usados; a patrulha Randandan, que impõe silêncio na cidade. Temos muitos motes importantes. Um tema extremamente importante é a violência contra a mulher e eu quero trabalhar muito essa questão. Temos ideias importantes nessa área, como aprovar pena de morte para assassino de mulher, confisco de bens de violadores, porte de arma para mulher vítima de violência doméstica. Temos que avançar nessa área para tentar inibir esses covardes que violentam nossas mulheres. É um tema em bastante evidência e uma área que o Estado de forma geral não conseguiu reduzir a criminalidade.

Como o senhor avalia o comportamento do motorista goiano?

Eu acredito que o motorista de Goiás precisa, sem dúvida nenhuma, de mais atenção no trânsito. Nós divulgamos dados há cerca de uma semana que mostram que tivemos mais de 900 no ano passado, mais de 100 mil acidentes com mais de 100 mil pessoas feridas. O Detran tem tentado orientar o cidadão  através de campanhas educativas, mas principalmente através das campanhas publicitárias. Nossas campanhas publicitárias são uma coqueluche e tem recebido muitas premiações. Há poucos dias, espalhamos caixões pelas vias, nós viramos carro, fizemos cruz de motocicleta; nossas campanhas têm dado o que falar. Pesquisas indicam que boa parte dos motoristas não tem CNH, isso é outra preocupação do Detran, mas em relação ao alto custo da CNH, levamos ao governo federal o modelo de CNH que eles adotaram, CNH do Brasil, com redução de custos para que a pessoa possa ter acesso à sua primeira CNH.

Como o senhor avalia as mudanças na obtenção da CNH?

A decisão do ministro do Transporte, Renan Filho, foi embasada em pedido do Detran de Goiás. Fomos convidados especiais na cerimônia de lançamento do projeto. É um absurdo uma CNH custar de R$3 a R$5 mil, a CNH ser um produto apenas para rico. Copiamos o modelo dos Estados Unidos, trouxemos  para o Brasil, levamos ao governo federal, que acatou e está premiando os bons motoristas. Goiás já premiava com a redução do IPVA de 50% para quem tem carro de mil cilindradas e motocicleta até 125. Com a renovação da CNH automática o cidadão não tem que fazer exame médico, exame psicológico, desde que tenha até 50 anos. Entre 50 a 69, 70 anos incompletos, ele tem a oportunidade uma vez e acima de 70 anos e com morbidade permanece o modelo anterior.

O fim da obrigatoriedade de frequentar a autoescola para a obtenção da CNH não vai reduzir o aprendizado do motorista?

A autoescola vai continuar existindo, só que no modelo simplificado. É como o aplicativo Uber e outros aplicativos que surgiram e concorreram com o taxista, o telefone público que foi substituído pelo telefone celular.  A gente entende que é uma modernidade na área da CNH. A gente não inventa, estamos copiando o modelo dos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, dos países mais avançados do mundo. O motorista vai poder ter instrutor, fazer prova com seu próprio carro e, semana que vem, o Detran vai anunciar algumas outras novidades nessa área.

O que é mais eficiente para educar o motorista, a campanha publicitária impactante ou a multa, que mexe no bolso dele? 

A gente procura conversar com o motorista por meio das campanhas educativas e das campanhas publicitárias. Aqueles que decidem fazer errado, aí não tem solução, é fiscalização. E o Detran com certeza vai atuar firmemente na fiscalização. É fácil para aquele motorista infrator dizer que tem uma indústria de multas, mas na verdade tem uma indústria de infrações. 

Quais são as infrações mais comuns que o motorista goiano comete?

Alta velocidade, uso de celular, ultrapassar em faixa contínua, embriaguez ao volante. Essas são as quatro principais infrações que causam mortes e pessoas feridas.

O motorista do interior é diferente do motorista da capital?

O motorista do interior normalmente é mais displicente, em razão da fragilidade da fiscalização. Isso deve mudar nos próximos meses.  Começamos com a preparação de mais de 60 policiais militares do interior do estado, que foram treinados e preparados para fazer Baladas Responsáveis.

A ampliação dos radares de fiscalização tem dado resultado à segurança viária?

É uma ferramenta eficiente. Era contrária à lei e conseguimos mudar isso, quando se fazia armadilha para o motorista. Tem que avisar que em determinada rodovia o limite é 80 ou 100 e fiscalizar. Colocar agentes de trânsito escondidos, como se fazia em governos anteriores, é ilegal e nós, quando deputado federal, conseguiu mudar na Câmara Federal, proibindo ficalizações ilícitas. 

Como a tecnologia tem facilitado a vida do motorista? 

Permitindo que o cidadão, 24 horas por dia, de segunda a domingo, resolva todos os seus problemas administrativos. Até então ele tinha que vir ao Detran, com redução de custos e tudo pelo celular. Mas o Detran tem que se adaptar, baixar a CNH digital, há vários anos não se exige mais o documento do veículo, e o cidadão tem que avançar, migrar para a CNH digital. É um caminho sem volta. E o uso da tecnologia vai ser utilizado pelo Detran e pela polícia, para chegar nos 246 municípios em Goiás.

Quais as metas do Detran para poder aumentar a segurança viária? 

As metas nós trabalhamos em conjunto com os demais órgãos. O Detran não tem quadro operacional, então não tem como estabelecer uma meta, considerando que não temos a atividade-fim, que é a fiscalização lá na ponta. O trabalho que fazemos é a Balada Responsável, a Patrulha Randandan, que barra motocicletas com o escapamento aberto, e a Patrulha Detran, sempre em parceria com a Polícia Militar. O Detran trabalha com as demais instituições, procura passar orientações e, através das nossas campanhas publicitárias, tenta atingir o cidadão. Vamos fazer agora uma parceria com o Crer para fabricar próteses e doar também cadeiras motorizadas para tentar reinserir pessoas vítimas de acidente.

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