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“PSD quer indicar o vice na chapa majoritária”

Para Vilmar, a chegada de Caiado fortalece o PSD em Goiás, reorganiza as articulações para a formação das chapas majoritária e proporcional e amplia o protagonismo da legenda nas eleições de 2026


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 07/02/2026 - 15:15

Vilmar Rocha, ex-presidente do PSD em Goiás

Andreia Bahia
Lucas de Godoi

O ex-presidente do PSD em Goiás, Vilmar Rocha, analisa em entrevista à Tribuna do Planalto os impactos políticos da filiação do governador Ronaldo Caiado ao partido e as mudanças que esse movimento provoca no cenário estadual e nacional. Segundo ele, a chegada de Caiado fortalece o PSD em Goiás, reorganiza as articulações para a formação das chapas majoritária e proporcional e amplia o protagonismo da legenda nas eleições de 2026.

Vilmar Rocha comenta ainda as negociações com o PL, a situação do senador Vanderlan Cardoso (PSD), a candidatura de Daniel Vilela (MDB) e a expectativa de o PSD ocupar espaço relevante na chapa majoritária, especialmente na vice-governadoria. No plano nacional, defende a candidatura de Caiado à Presidência da República como positiva para Goiás e para o partido.

A entrevista também aborda temas institucionais e nacionais, como as críticas ao Supremo Tribunal Federal, a avaliação do terceiro mandato do presidente Lula (PT) e a necessidade de uma nova concertação política entre PSD e MDB que supere a polarização e apresente um projeto consistente de futuro para o Brasil.

Qual o impacto local da filiação do governador Ronaldo Caiado ao PSD? Como que o senhor vê esse movimento?

É um impacto forte pela expressão política do governador, e o impacto foi ainda maior porque não estava previsto. Eu mesmo conversei com ele no início de janeiro, e não estava previsto. Mas as coisas na política evoluem com rapidez e ele tinha que tomar uma decisão rápida. Vamos aguardar o mês de abril, que é quando está programada a decisão sobre quem será o candidato do PSD a presidente da República.

A filiação de Caiado ao PSD terá implicações na formação da chapa majoritária?

Já está tendo, porque, caso eles façam uma coligação com o PL, já há um compromisso do PL indicar o candidato a senador. E há uma discussão muito forte na base para saber se nessa eleição vai ou não ter candidaturas avulsas. E isso afeta naturalmente a candidatura do senador Vanderlan Cardoso.

Vanderlan Cardoso pode disputar a reeleição fora da base, no modelo da última eleição, que teve várias candidaturas?

Acho legítima a candidatura de Vanderlan, porque ele já é senador, é do partido, é normal que apresente a sua candidatura à reeleição. Vai depender desses entendimentos políticos, se vai haver ou não candidatura avulsa da base. A palavra do Ronaldo é muito importante nessa articulação e temos que aguardar para ver como é que a coisa avança daqui até o mês de abril.

“Há uma discussão muito forte na base para saber se nesta eleição vai ou não ter candidaturas avulsas. E isso afeta naturalmente a candidatura do senador Vanderlan Cardoso.”

O senhor mencionou a possível aliança do grupo governista com o PL. Como que o senhor vê essa possível aliança?

Eu acho que é uma aliança positiva para a candidatura do Daniel Vilela (MDB). Há um segmento bolsonarista forte em Goiás, e ter o apoio desse segmento numa eleição majoritária é importante. Além de achar positiva esta aliança para a candidatura Daniel, eu tenho a expectativa que ela vai acontecer. Porque é de interesse também do PL de viabilizar a eleição de um senador. E nessa coligação fica mais fácil eleger um senador, o que é o projeto prioritário do PL e do Bolsonaro.

 

“O PSD tem que estar na chapa majoritária, porque tem peso político e eleitoral, tanto a nível estadual quanto a nível nacional. Como na senatória está mais complicado, queremos indicar o candidato à vice.”

O PSD, com a vinda do governador,  tem possibilidade de emplacar um nome à vice, mesmo que alguém que ainda fosse se filiar ao partido?

A minha tese é que o PSD tem que estar na chapa majoritária, porque tem peso político e eleitoral, tanto a nível estadual quanto a nível nacional. Nós queremos fazer parte da composição na chapa majoritária, a vice ou a senador. Como vão acontecer muitas coisas daqui até a convenção, acredito que a escolha do vice deverá ficar bem mais para a frente, não vai ser decidida agora até abril. Nós continuaremos reivindicando, mostrando a força do PSD para participar da chapa majoritária. Como na senatória está mais complicado, queremos participar indicando o candidato à vice.

Como está a formação das chapas proporcionais do PSD? Na última vez que conversamos, o senhor disse que tinha um pouco de dificuldade, porque o Vanderlan acabou não trazendo quadros.

Eu considero que, depois da vinda do Caiado para o PSD, temos que dar dois passos para a frente no PSD: reestruturar o comando do partido aqui do Estado. Uma comissão provisória que tem que ser reestruturada e reorganizada. O segundo passo é, até o dia 4 de abril, estruturar a chapa de candidatos a deputado estadual e deputado federal. Havia uma grande inquietação, ansiedade e insegurança com relação à formação das chapas. Mas com a vinda do Caiado, facilitou, porque ele vai ajudar e participar da formação das chapas de candidatos.

 

“Há um segmento bolsonarista forte em Goiás, e ter o apoio desse segmento numa eleição majoritária é importante. Além de achar positiva, eu tenho a expectativa que ela vai acontecer.”

O deputado federal Ismael Alexandrino deve ficar no partido nesse novo cenário?

Ele me disse lá atrás que, se não houvesse uma mudança do partido no estado, ele iria sair. Como houve a mudança, espero que ele continue. Até porque eu que trouxe Ismael para o PSD, fui atrás dele, convidei, conversei, fiz as articulações para ele se filiar ao PSD. Na época, ele disse que nunca havia se  filiado a um partido, que o PSD seria o primeiro. Ele veio a meu convite e espero que continue. Assim como Vanderlan, que veio para o PSD a meu convite. Eu fui a Brasília convidá-lo e ele se filiou. E foi bom pra ele. Nós estamos conscientes de que vão fazer uma boa chapa aqui.

Qual a implicação da filiação de Caiado ao PSD no cenário eleitoral de 2026 em nível nacional?

Eu sempre defendi a candidatura do Caiado a presidente da República, porque é bom para o Estado, divulga Goiás. Goiás passa a ser divulgado a nível nacional, Goiás é um estado mediano do Brasil, está de oitavo a décimo lugar. Tem quatro ou cinco estados só que tem candidatos à Presidência da República. E um é Goiás. Isso é bom para o estado. E é bom também para o Caiado. Ele não tem nada a perder. Vai conseguir uma ampla divulgação do nome dele a nível nacional. Eu sempre defendi essa candidatura, porque é bom para Goiás ter um nome no cenário nacional como candidato à Presidência da República.

O senhor acredita que ele pode se tornar o candidato do PSD?

Pode sim.  Eu considero para valer que o PSD tem dois candidatos, não são três: Ratinho Júnior e Ronaldo. Eduardo Leite está colocando o nome dele, mas não acho fácil ele se viabilizar. O Rio Grande do Sul é um estado muito regional. E digo mais ainda, em caso da lógica, Ratinho está na frente, porque está há mais tempo no partido e o Paraná é um estado importante, mas eu  não vejo muita determinação do Ratinho de ser candidato a presidente, e se ele não for, vai ser o Ronaldo.

Como professor de Direito, tem sido crítico do Supremo Tribunal Federal. Quais são as críticas que o senhor renova?

No ano de 2025, escrevi vários artigos extremamente críticos ao Supremo Tribunal Federal. Hoje, eu almocei com o presidente da OAB de Goiás, Rafael Lara, e ele disse que a OAB do Rio Grande do Sul lançou um movimento pedindo mudanças no STF. Há uma enorme insatisfação da sociedade com o comportamento do Supremo, em especial de alguns dos seus ministros. É uma perda de credibilidade imensa e isso é ruim para a democracia e para as nossas instituições. Outro assunto que está também na pauta, e eu publiquei um artigo, defendendo a derrubada do veto da dosimetria. Eu espero que o Congresso tenha o dever político e moral de rapidamente derrubar o veto do presidente da República. Acho que o Supremo, com o presidente ministro Fachin, com o código de ética, começa a dar passos. Caiu na real.

O Código de Conduta resolve o problema?

Todos esses impedimentos que estão no Código de Conduta, de certa forma, já estão na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman). A Loman já proíbe juízes de fazer muitos desses atos que os ministros do Supremo estão fazendo. Eles já estão cometendo ilegalidades contra a Loman. Um código de ética específico votado no Supremo, nesse momento, simbolicamente pode ter um efeito no sentido de reforçar e conter esses abusos e ilegalidades que estão sendo cometidos por alguns ministros do Supremo. E quando fazemos essas críticas, queremos um Supremo forte, respeitado, com credibilidade, o que não está acontecendo hoje. Estamos a favor do supremo. Não é contra. Eles têm que se corrigir. Não pode continuar desse jeito.

Qual a avaliação que o senhor faz do terceiro mandato do presidente Lula?

Desastroso, péssimo. Nenhuma medida estruturante a favor do Brasil, nenhuma política pública, nenhuma reforma estruturante. As ações todas são de caráter populista, no sentido de agradar uma massa da sociedade, pensando na eleição e no voto. O Lula está provando que não é e nunca foi um estadista. Ele não pensa no país do futuro, não é um homem de Estado. É um governo menor, medíocre. Essa é a minha avaliação. O Brasil precisa mudar, fugir dessa polarização. Essa polarização é idiota e está travando o país política, econômica e socialmente. O Brasil tem um potencial muito grande para crescer, para gerar esperança na sociedade. Muita gente está saindo do Brasil por falta de perspectiva, e indo para o Paraguai. Hoje, a população de brasileiros no Paraguai já é de 400 mil brasileiros.Grandes empresas brasileiras estão mudando para o Paraguai por causa da realidade econômica e política institucional. Nesse último governo Lula, a despesa pública está explodindo, e tudo leva a crer que vamos ter uma fortíssima crise fiscal em 2027. E o governo não está nem aí, só está pensando em eleição e nada mais, em manter-se no poder.

Fugir dessa polarização passa, necessariamente, por uma candidatura de terceira via. O PSD está nessa posição?

Eu sonho em fazer algo que fizemos na década de 1990. É uma concertação política que foi feita no Brasil, no Chile e na Espanha. Dois grandes partidos fazem um programa, fazem uma concertação, agregam outras forças políticas, econômicas, sociais e culturais e levam o país para frente. Nós fizemos isso aqui no Brasil nos anos 90, quando fizemos uma aliança com o PSDB: PFL, PSDB. Essa aliança tinha um programa para o país e o apoio da sociedade, tanto que Fernando Henrique Cardoso ganhou as duas eleições no primeiro turno. Na época eu era deputado federal, presidente do Instituto Tancredo Neves, o instituto de estudos econômicos, sociais e políticos do partido, e da executiva nacional. Essa aliança, essa concertação, é responsável pelas grandes reformas dos anos 90, o Plano Real, as privatizações – a mais importante foi a do setor de telefonia -, a lei de responsabilidade fiscal, o saneamento do sistema financeiro, com grandes intervenções e liquidações de bancos, a reestruturação da dívida dos estados. Nós avançamos fortemente em reformas que melhoraram o Brasil no ano 90, com base nessa concertação, que era o coração da aliança, e que depois outros partidos integraram. Hoje, eu defendo uma forte aliança, uma nova concertação entre PSD e MDB. O PSD é um partido de centro com pegada de direita; o MDB é um partido de centro com pegada de esquerda, é um partido histórico. Hoje, em termos de estrutura municipal, o PFL é o que tem o maior número de prefeitos, o segundo é o MDB. São dois partidos fortes que deviam fazer uma aliança, uma concertação, agregar depois outros partidos menores, forças econômicas, sociais e políticas, e apresentar para o Brasil um plano para o futuro. Sair dessa polarização idiota, medíocre, que está travando o país e as pessoas já não aguentam mais. Isso não interessa ao Brasil. E o núcleo dela é uma candidatura a presidente da República, porque tem que ter um nome para liderar isso. Por isso, Gilberto Kassab está no caminho certo, propondo que o PSD e outras forças políticas, partidárias, econômicas e sociais se unam para dar esperança ao povo brasileiro.

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