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Parto humanizado valoriza papel da mulher em maternidade pública de Goiânia

Modelo adotado na Maternidade Célia Câmara oferecem estrutura planejada para assegurar conforto físico, emocional e autonomia durante todo o processo de nascimento


Carla Borges Por Carla Borges em 08/03/2026 - 11:00

Ana Luísa Martins Coutinho com o filho João Lucca, que nasceu de parto normal às 4h23 do dia 4 de março. (Imagem: Ascom HMMCC)

Um serviço que busca o atendimento integral e coloca a mulher, o bebê e a família no centro do processo de nascimento, com respeito à fisiologia do parto, às evidências científicas, aos direitos da gestante e à segurança clínica. Esse é o foco do modelo de parto humanizado adotado pelo Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara (HMMCC), que vem se consolidando como um dos pilares da assistência materno-infantil na rede pública de Goiânia.

A operadora de caixa Maria de Fátima Dilva dos Santos, de 26 anos, deu à luz o segundo filho, Aldair José, às 7 horas do último dia 3. Ela desenvolveu diabetes gestacional no início da gravidez e foi encaminhada diretamente ao HMMCC, onde fez todo o pré-natal. Devico à complicação, os médicos optaram por fazer a indução do parto quando ela completou 37 semanas. “Tive um acompanhamento muito bom, com muita atenção, que realmente faz diferença”, contou.

Maria de Fátima parto humanizado
Maria de Fátima teve diabetes gestacional e fez todo o pré-natal na Maternidade Célia Câmara

Ana Luísa Martins Coutinho também deu à luz na Maternidade Célia Câmara na última semana. O filho João Lucca nasceu às 4h23 do último dia 4. Mãe e filho passam bem.

Ambiente

De acordo com o médico obstetra e diretor técnico da maternidade, Rafael Mazon, o fortalecimento do parto humanizado surgiu da necessidade de qualificar a assistência obstétrica no Sistema Único de Saúde (SUS). “O parto humanizado é um modelo de cuidado que coloca a mulher como protagonista. Nosso objetivo é oferecer uma experiência segura, ética e centrada na mulher e na família”, afirma o diretor.

A maternidade conta com um Centro de Parto Normal estruturado no modelo PPP (Pré-parto, Parto e Pós-parto imediato), permitindo que a gestante permaneça no mesmo ambiente durante todas as fases do trabalho de parto, sem necessidade de deslocamentos entre setores. Atualmente, a unidade dispõe de cinco leitos PPP, projetados para garantir conforto, privacidade e continuidade do cuidado. O ambiente favorece o vínculo, reduz a ansiedade e proporciona uma experiência mais tranquila para a mulher e seus familiares.

As salas de parto humanizado oferecem estrutura planejada para assegurar conforto físico, emocional e autonomia durante todo o processo de nascimento. Os leitos no modelo PPP contam com banheira, que auxilia no alívio da dor e promove relaxamento, além da possibilidade de banho morno e uso do chuveiro como métodos não farmacológicos. A gestante também pode utilizar a bola suíça, que estimula a mobilidade pélvica e favorece posições verticais, contribuindo para a evolução do trabalho de parto.

Há liberdade de movimento e de escolha da posição mais confortável, iluminação ajustável para tornar o ambiente mais acolhedor e espaços individualizados que preservam a privacidade. Durante todo o processo, é garantida a presença contínua de acompanhante de livre escolha, além do apoio integral da equipe multiprofissional, que atua com comunicação empática, escuta ativa e suporte técnico qualificado.

Atendimento

A direção ressalta que o parto humanizado não se limita ao parto normal. O conceito está relacionado ao modelo de assistência adotado, que prioriza acolhimento, respeito às escolhas da mulher, informação clara e segurança baseada em evidências científicas, independentemente da via de nascimento. Nos casos em que há indicação clínica para cesariana ou quando essa é a escolha informada da gestante, a maternidade também assegura atendimento humanizado, com presença de acompanhante, comunicação transparente e atuação integrada da equipe. Sempre que as condições clínicas permitem, são estimuladas práticas como o contato pele a pele imediato e o início precoce da amamentação.

A segurança assistencial permanece como prioridade. Há monitorização materna e fetal contínua, protocolos baseados em evidências e estrutura hospitalar preparada para intervenções imediatas, quando necessárias. “Humanizar não significa abrir mão da segurança. Pelo contrário: significa oferecer cuidado técnico qualificado, com respeito às escolhas da mulher e pronta resposta a qualquer intercorrência”, reforça Rafael Mazon.

O diretor técnico explica que, no modelo adotado pela unidade, a mulher participa ativamente das decisões sobre seu parto. “O consentimento informado, o respeito ao plano de parto e a liberdade de posição garantem autonomia e protagonismo. A equipe atua como suporte técnico e emocional, assegurando informação clara e apoio contínuo”, esclarece Mazon.

A assistência é realizada por equipe multiprofissional formada por enfermeiras obstétricas, médicos, técnicos de enfermagem e demais profissionais capacitados. Enfermeiras obstétricas acompanham partos de risco habitual, enquanto médicos atuam sempre que há indicação clínica. A capacitação é contínua, baseada em protocolos atualizados, evidências científicas e práticas de comunicação  

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