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TCM suspende licitação de R$ 12,3 milhões do IMAS e manda Prefeitura nomear concursados da saúde

Tribunal determinou suspensão de licitação milionária do IMAS por indícios de irregularidades, e expediu medida cautelar para que a Prefeitura convoque aprovados no concurso da saúde


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 19/03/2026 - 08:00

Grupo de Trabalho discute mudanças no Imas, incluindo novo nome e reajuste na contribuição
Prefeitura disse que vai cumprir a decisão para convocação na saúde no prazo estipulado (Foto: Divulgação)

O Pleno do TCM-GO impôs duas derrotas à Prefeitura de Goiânia na mesma sessão desta quarta-feira (18), ao suspender a fase final da licitação de R$ 12,3 milhões para gestão do IMAS, e determinar a convocação imediata de concursados da saúde. No caso do plano de saúde dos servidores, a Corte apontou indícios de irregularidades, como critérios subjetivos e possível restrição à concorrência, levantando risco de prejuízo aos cofres públicos em um contrato estratégico. As representações foram protocoladas pelo vereador Igor Franco (MDB).

Em novembro, a Tribuna mostrou que o prefeito Sandro Mabel (UB) disse que a Prefeitura iria abrir uma licitação para entregar a operação do Imas a uma empresa especializada por um período de um ano. Na época, ele declarou que se o modelo não funcionasse e não acabasse “a confusão” em torno do atendimento, o plano de saúde dos servidores seria encerrado.

Entre os pontos apontados pelo TCM-GO no processo de terceirização do IMAS estão a subjetividade na avaliação técnica das propostas, com critérios considerados obscuros na chamada “prova de conceito”, risco de dano ao erário caso a proposta mais vantajosa seja desclassificada e dúvidas sobre a adequação do pregão para contratação de serviço considerado complexo. Também foram questionadas exigências do edital, como registro na ANS, que podem ter restringido a competitividade.

A decisão cautelar impede a homologação da licitação até análise do mérito. O secretário municipal de Administração, Celso Dellalibera, e a presidente do IMAS, Gardene Fernandes Moreira, foram notificados a prestar esclarecimentos técnicos e apresentar defesa sobre as irregularidades apontadas. A área técnica do Tribunal e o Ministério Público de Contas se manifestaram pela suspensão, destacando risco de prejuízo e falta de critérios objetivos na seleção.

Na mesma sessão, o Tribunal determinou que a Prefeitura de Goiânia convoque imediatamente os aprovados no concurso público nº 001/2020 para a área da saúde. A medida busca suprir déficit identificado de 583 profissionais e substituir contratações temporárias consideradas irregulares.

A decisão estabelece que todos os aprovados dentro das vagas sejam nomeados e, se necessário, seja utilizado o cadastro de reserva. Entre os cargos listados estão técnico de enfermagem, agente comunitário de saúde, médico, odontólogo e enfermeiro. O prazo para cumprimento é de cinco dias.

O TCM fundamentou a cautelar na existência de “preterição arbitrária e imotivada” dos concursados, destacando que o município tem recorrido a contratações precárias, em desacordo com a Constituição. Também apontou que a falta de servidores efetivos tem causado descontinuidade nos atendimentos e sobrecarga na rede.

Segundo o relator Humberto Aidar, a manutenção desse cenário pode gerar dano irreversível tanto aos candidatos quanto à população. O Tribunal ressaltou ainda que, diante da necessidade comprovada de pessoal, a expectativa dos aprovados passa a configurar direito à nomeação.

Em nota à Tribuna, a Prefeitura de Goiânia informou que, relativamente à convocação na área da saúde, “está adotando as medidas necessárias para cumprimento da decisão do Tribunal de Contas do Município (TCM-GO), dentro do prazo estabelecido.” Sobre a decisão que impacta a licitação do IMAS, ainda não houve resposta.

Matéria atualizada às 16h36 para inclusão de posicionamento da Prefeitura de Goiânia.

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