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Do laboratório ao mundo: robótica do SESI Goiás forma talentos e conquista espaço global

Com premiações nacionais e vagas em torneios internacionais, estudantes desenvolvem soluções reais e antecipam demandas do mercado de trabalho


Dhayane Marques Por Dhayane Marques em 28/03/2026 - 16:16

SESI Goiás
Tapete antifúngico desenvolvido por estudantes goianos controla a umidade e impede a proliferação de fungos em artefatos arqueológicos

A presença de estudantes goianos em competições internacionais de robótica deixou de ser episódica e passou a refletir uma mudança consistente no modelo educacional. Em Goiás, a formação tecnológica tem avançado de forma estruturada, com impacto direto no desempenho dos alunos e na projeção do estado no cenário nacional e internacional. À frente desse movimento, o SESI Goiás consolida uma estratégia baseada na integração entre tecnologia, educação e mercado de trabalho. O gerente de Educação Básica da instituição, Diego Freire, afirma que o protagonismo já é realidade.

“Nós já somos referência na robótica, tanto pelas premiações quanto pelo desempenho em competições nacionais e internacionais”, destaca. Segundo ele, equipes goianas estão entre as dez melhores do país, resultado de um processo contínuo de formação e aperfeiçoamento.

O avanço não se restringe aos resultados. A proposta pedagógica incorpora a tecnologia desde as etapas iniciais da educação. “A robótica não é só programação de máquinas. Ela desenvolve raciocínio lógico, capacidade de resolver problemas e habilidades que servem para qualquer área profissional”, explica Freire.

Para sustentar esse crescimento, o SESI prepara a implantação de uma arena de robótica em Goiânia, que deve funcionar como centro de treinamento para estudantes de todo o estado. A estrutura pretende ampliar a competitividade das equipes e consolidar Goiás no circuito internacional.

De embarque para Grécia

Enquanto a estratégia institucional avança, os efeitos já são visíveis dentro das escolas. Na Escola SESI Planalto, a professora e técnica de robótica Ana Carolina de Paula Gonçalves acompanha de perto a transformação dos alunos.“A gente percebe uma evolução muito grande na responsabilidade e na autonomia. Eles passam a tomar decisões, se organizar e assumir o protagonismo do próprio aprendizado”, afirma.

Segundo ela, o envolvimento com projetos de robótica exige disciplina, trabalho em equipe e capacidade de adaptação. “Eles lidam com prazos, pesquisa científica e desafios reais. Isso muda completamente a postura dentro e fora da sala de aula”, acrescenta.

Esse impacto se traduz em resultados concretos. A equipe Titans LJ conquistou o primeiro lugar no Prêmio SESI de Inovação Niède Guidon, durante o Festival SESI de Educação, em março de 2026, em São Paulo. O reconhecimento garantiu vaga em uma competição internacional na Grécia.

O projeto vencedor enfrentou um problema recorrente na arqueologia: a contaminação de artefatos por fungos após a retirada do solo. A solução proposta foi um tapete antifúngico capaz de controlar a umidade e impedir a proliferação de micro-organismos sem danificar os objetos.

A estudante Ana Paula Neres de Souza, integrante da equipe, relata que o desenvolvimento exigiu pesquisa e reformulação constante. “A gente identificou o problema, conversou com especialistas e precisou adaptar a ideia até chegar a uma solução viável”, explica. Ela destaca que o projeto passou por testes laboratoriais e validação científica. “A gente teve que voltar etapas, melhorar o projeto e testar até ter certeza de que funcionava. Foi um processo longo, mas muito importante”, afirma.

Além do resultado técnico, a experiência provocou mudanças pessoais. “Mudou completamente minha vida. Hoje eu penso em seguir na área de criação de produtos e soluções científicas”, diz a estudante. Para o gerente Diego Freire, esse tipo de trajetória resume o objetivo da formação tecnológica. “Nós preparamos o estudante para resolver problemas e se adaptar às demandas que ainda vão surgir. É uma educação voltada para o futuro”, afirma.

Ao aproximar os alunos de desafios reais e inserir a tecnologia no centro do aprendizado, o modelo educacional transforma a escola em um ambiente de experimentação e inovação. Em Goiás, esse movimento já produz resultados concretos  e projeta uma geração que não apenas acompanha as mudanças, mas participa ativamente da construção do que vem pela frente.

Investimento e política de inclusão ampliam acesso a competições internacionais

O avanço da robótica educacional em Goiás não se sustenta apenas pelo desempenho acadêmico, mas também por uma política estruturada de inclusão que garante a participação dos estudantes em competições internacionais.

No SESI Goiás, o acesso a essas experiências não depende da condição financeira das famílias. Segundo o gerente de Educação Básica, Diego Freire, a instituição assume integralmente os custos das viagens. “Nós não deixamos que a condição financeira seja um impedimento. O SESI custeia transporte, hospedagem e toda a estrutura necessária para que o estudante participe”, afirma.

O investimento por aluno varia entre R$ 21 mil e R$ 30 mil, valor que cobre desde deslocamento internacional até suporte logístico durante as competições. A política inclui estudantes bolsistas, que participam em igualdade de condições com os demais. Em muitos casos, a experiência representa a primeira viagem para fora do estado e, para alguns, o primeiro contato com o exterior.

Para a instituição, o impacto vai além do resultado em competições. “Mais do que formar equipes competitivas, nós estamos ampliando horizontes e criando oportunidades reais de transformação social”, destaca Freire.

A iniciativa reforça o papel da educação tecnológica não apenas como ferramenta de formação profissional, mas como instrumento de mobilidade social e acesso a experiências que, historicamente, estiveram restritas a uma parcela reduzida da população.

Censo 2025 aponta avanço da educação tecnológica no país

A expansão da robótica educacional em Goiás acompanha uma tendência nacional de fortalecimento do ensino técnico. Dados do Inep indicam crescimento expressivo da educação profissional e tecnológica no Brasil.

O Censo Escolar 2025 aponta aumento de 68,4% nas matrículas da educação profissional e tecnológica (EPT) nos últimos cinco anos, totalizando 3,19 milhões de estudantes em todo o país. O ensino técnico integrado ao ensino médio também ampliou participação. Atualmente, a EPT já representa 20% das matrículas do ensino médio, avanço associado às mudanças implementadas pelo Novo Ensino Médio.

Os dados indicam uma reconfiguração do modelo educacional, com maior valorização de formações que articulam conhecimento teórico e aplicação prática, aproximando os estudantes das exigências do mercado de trabalho.

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Dhayane Marques

Dhayane Marques é jornalista formada pela PUC-GO. Atualmente é Diretora de Programas da TV Pai Eterno e repórter no jornal Tribuna do Planalto e Tribuna de Anápolis, nas editorias de cidades, educação, economia, agro, diversão e arte.

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