O jornalista Lauro Jardim, de O Globo, publicou nesta quinta-feira, 16, dados sobre um relatório do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) sobre o avanço do discurso de ódio e do neonazismo em Goiás. Segundo a análise: o estado não tem política estruturada para enfrentar o problema. Na prática, o combate ao ódio ainda funciona no improviso. Os dados são incompletos e subnotificados. Crimes acabam diluídos em categorias genéricas, sem tipificação clara para manifestações extremistas ou neonazistas, além de não ter integração entre polícia, Justiça e educação. Ainda assim, o Ministério Público registrou mais de 260 denúncias de crimes de intolerância em um ano, com possibilidade de subnotificação.
No território, o cenário é mais grave: lideranças de religiões de matriz africana relataram agressões, invasões de terreiros, destruição de objetos sagrados e até espancamentos não reconhecidos como intolerância religiosa. O relatório também aponta atuação de grupos extremistas e circulação de conteúdo de ódio nas redes, com limitações na resposta das autoridades. O diagnóstico, porém, vai além de Goiás e indica um “baixo nível de institucionalidade” no país para enfrentar o problema.
“Contraponto ao discurso do ex-governador Ronaldo Caiado — que deixou o cargo para disputar a Presidência e diz ter feito do estado “o mais seguro do Brasil” —, o documento aponta uma realidade mais complexa”, diz o texto. Entre as recomendações do CNDH, estão a criação de uma política estadual específica, com integração entre áreas como segurança, educação e assistência social, além de canais próprios de denúncia e produção qualificada de dados.
O relatório foi produzido sob relatoria especial coordenada pelo conselheiro Carlos Nicodemos, com participação da presidenta do CNDH, Ivana Cláudia Leal de Souza, e de consultores da relatoria, como Maria Fernanda Fernandes, Erica Del Giudice e Daniel Andalakituche Tavares.
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A missão
O CNDH, por meio de sua Relatoria Especial de Enfrentamento ao Discurso de Ódio, Extremismo e Neonazismo, fez missão institucional in loco em Goiânia em fevereiro deste ano. A iniciativa integra o processo de elaboração do Relatório Nacional de Enfrentamento ao Discurso de Ódio, Extremismo e Neonazismo e tem como objetivo aprofundar o diagnóstico sobre a ocorrência e os impactos dessas práticas no Estado de Goiás, fortalecer o diálogo interinstitucional e fazer uma escuta social qualificada junto à população e à sociedade civil organizada.
A missão foi comandada pelo CNDH e contou com o apoio, em todas as suas atividades, do Conselho Estadual de Direitos Humanos, Igualdade Racial e Combate ao Preconceito de Goiás (CEDHIRCOP), do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) e da Ouvidoria Especial de Combate a Crimes Raciais e de Intolerância da Câmara Municipal de Goiânia, representante da comunidade LGBTQIA+ e doutor em Direitos Humanos pela Universidade Federal de Goiás (UFG).















