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Entrevista da Semana: “Projeto de Marconi pode reunir nove legendas”, diz Iure Castro

Iure é Presidente do Cidadania e procurador da Alego


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 18/04/2026 - 13:44

Entrevista da Semana “Projeto de Marconi pode reunir nove legendas”, diz Iure Castro
(Foto: Reprodução)

A Federação PSDB-Cidadania trabalha para ampliar seu arco de alianças em Goiás e tenta construir uma frente de oposição capaz de sustentar a candidatura de Marconi Perillo ao governo do Estado em 2026. Embora, oficialmente, a federação ainda caminhe sozinha, o presidente estadual do Cidadania, Iure Castro, afirma que há conversas avançadas com outras legendas e que a expectativa é reunir até nove partidos em torno do projeto tucano. Na entrevista à Tribuna do Planalto, Iure detalha a estratégia política da federação, defende um discurso de união entre centro, direita e esquerda moderada e evita fechar portas até mesmo para partidos historicamente distantes do PSDB, como PT e PSB. Segundo ele, o foco da oposição deve ser menos ideológico e mais voltado à construção de um programa de governo capaz de enfrentar problemas como a crise na saúde, infraestrutura precária e falta de investimentos em tecnologia e desenvolvimento regional. Iure também reforça que Marconi Perillo é “1000% candidato” ao Palácio das Esmeraldas e descarta especulações sobre uma eventual disputa ao Senado. Para o dirigente, o ex-governador reúne experiência administrativa, capacidade de diálogo e força política para liderar uma frente ampla contra o grupo governista. Ao longo da conversa, o presidente do Cidadania fala ainda sobre a possibilidade de uma vice mulher, a chegada de Romário Policarpo à federação, as metas eleitorais para deputado estadual e federal e a tentativa de consolidar um discurso de terceira via tanto em Goiás quanto no cenário nacional.

Andréia Bahia e Lucas de Godoi

TRIBUNA DO PLANALTO

A Federação PSDB-Cidadania deve ter chapa pura ou ainda há expectativa de uma aliança de oposição? O que tem sido desenhado para o projeto liderado por Marconi Perillo? 

Iure castro

Até o presente momento, a federação caminha apenas com ela mesma, mas temos diálogo com vários outros partidos que devem estar com a gente na campanha. A expectativa é que a gente receba de cinco a sete apoios partidários um pouco mais à frente. Por uma questão de estratégia político-partidária, eu prefiro deixar um pouco mais à frente, porque essas coligações partidárias acabam sendo muito sondadas e muitas vezes cobradas pelo governo que está no poder. Até o presente momento, a federação continua caminhando isoladamente, mas com diálogo muito aberto em relação a vários outros partidos políticos que devem caminhar com o projeto Marconi Perillo para o governo. 

Com as duas legendas que compõem a federação, outras cinco podem vir a compor com o projeto? 

A expectativa nossa é que cheguem mais sete legendas, e estaríamos com Cidadania, PSDB e  mais sete partidos. Se não houver nenhum desalinhamento até lá, acreditamos que estaremos praticamente com nove partidos nessa caminhada, no mínimo, com Marconi. 

Essa aliança daria qual estrutura para a candidatura de Marconi? Em termos de tempo de televisão, por exemplo? 

O que a gente precisa em relação a essas frentes, primeiro é o apoio, que é o mais primordial, não é nem a estrutura partidária em si, mas o apoio de todos os candidatos de cada partido, acompanhando o projeto do Marconi. São partidos que têm uma representatividade, que têm as suas chapas montadas, muitos com chapas completas para estadual e federal. Portanto, esse tipo de apoio é muito valioso para nós. Tem também a questão da junção do quebra-cabeça partidário,  que tem que trazer tempo de TV e fundo partidário para nos ajudar nessa caminhada. O tamanho da estrutura vai depender realmente do fechamento dessas alianças, mas acreditamos que, pelo menos em relação ao tempo de TV, por exemplo, nós estaremos em montante equivalente ao do governo atual. 

O PT fez acenos públicos ao projeto do ex-governador, tem lideranças do partido que são simpáticas a uma aliança que Marconi Perillo não quer. Ele entende que, por conta do histórico entre o PSDB e PT, não seria possível uma aliança. O PT está descartado ou faz parte dessa conversa que inclui essas sete legendas? 

Tenho conversado muito com o próprio PSDB, com todos os candidatos e candidatas em relação a essa questão de direita ou de esquerda. Nós estamos vivendo um momento no Brasil em que precisamos parar com a torcida organizada e colocar como prioridade o goiano, a goiana, a brasileira e o brasileiro. São eles que pagam, por exemplo, o meu salário de servidor público. Eu não recebo salário só da direita, da esquerda ou só do centro. Eu recebo salário do contribuinte goiano e ele se forma por todos os vieses e todos os tipos de pensamento. Não há descarte – eu falo em nome do Cidadania – nós reconhecemos a importância do PT, do PL e de todos os partidos que estão e são legitimados. Não é um projeto de divisão política; é um projeto de união. Acredito que há que se manter esse diálogo  profundo com todas as frentes de direita, de centro. O nosso projeto é democrático. Tudo aquilo que cabe dentro do que se discute sobre democracia, sobre política pública, sobre modelo liberal de economia, enxugamento de estado; não há um modelo correto; há ideias e todas as ideias são relevantes para um pensamento público e cívico, que é o que a sociedade está esperando. Pelo Cidadania não há limitação de diálogo. Conversamos com todos os partidos e eu falo isso com muita habilidade. Como procurador do Poder Legislativo sou responsável por cuidar do PT ao PL e, modéstia à parte, eu cuido muito bem. Essa divisão de pensamento não é para nos dividir, é apenas para nos agregar e a gente chegar em pontos comuns. Em relação ao PT, ao PSB e a todos os partidos que eventualmente estão mais na centro-esquerda, são partidos que também, à luz do Cidadania, nos interessam, o diálogo, o debate e a caminhada junto. E da mesma forma, os partidos de direita mais ao centro. A gente tem que propor um debate que seja amplo, moderno e que coloque as pessoas como única prioridade. Elas, sim, estão precisando de trabalho e de projeto e de menos ideologia rasa e barata. E a pesquisa tem mostrado isso. O eleitor independente, que está se afastando dessa polarização, me perdoe dizer uma expressão um pouco chula, que é a polarização burra, que não se autocoloca como prioridade, já tem percebido isso: ele não quer mais saber dessa ideologia,  quer saber de projetos. E a Federação Cidadania-PSDB vem com essa ideia, colocar um projeto que é o brasileiro e a brasileira como única prioridade no nosso país. Isso que o Cidadania vem tentando fazer. 

A candidatura de Marconi Perillo já está definida ou ainda pode ter volta? Porque se especula que ele poderia, no último momento, disputar uma cadeira no Senado Federal.

Marconi é 1000% candidato ao governo do Estado de Goiás. Isso são fofocas no mundo político-eleitoral, mas não tem outro projeto, nem para Marconi, pré-candidato ao governo do estado, e nem para Iure, pré-candidato ao Senado. São as duas opções que nos abraçam, que nos acolhem, que nos motivam. 

O candidato a vice-governador deve ser indicado pelo Cidadania ou por um dos partidos que vão compor a aliança? 

O Cidadania não reivindica a participação em relação a vice. Eu particularmente tenho uma visão, penso que a vice deveria ser de alguma mulher justamente para representar as mulheres do nosso estado. Mas é claro que a decisão cabe ao nosso futuro governador Marconi Perillo. Portanto, nosso único pedido, não é nenhuma reivindicação, é que o Cidadania figure como um dos pretendentes a uma das vagas ao Senado, deixando Marconi, o PSDB e o restante do time tranquilos para definirem a vice. 

Em relação à chapa estadual, quantos deputados a federação acredita eleger? 

Nós estaremos com no mínimo seis deputados estaduais a partir do ano que vem, eleitos pelo povo goiano. 

Qual foi o impacto da filiação do vereador Romário Policarpo nas pretensões eleitorais da federação? Ele chegou de última hora porque não havia espaço nas legendas da base governista. Como ele chega na federação filiada ao Cidadania e em que ele agrega eleitoralmente? 

Policarpo agrega muito, primeiro pela história dele: vereador; conhece nosso município de Goiânia como poucos; teve a experiência e a oportunidade de ser presidente da Câmara Municipal de Goiânia por quatro vezes e tem ampla experiência de gestão; e uma ampla experiência com o Poder Legislativo. Só essa experiência pública, já experimentada, agrega a qualquer cenário e projeto. Para nós foi uma honra muito grande – Policarpo é um grande amigo e tive a oportunidade de ser advogado dele também – ele vir para o Cidadania, aceitar o nosso convite de caminhar com a gente nesse projeto, que para nós é o melhor projeto para o estado de Goiás atualmente. Nós estamos com o sistema de saúde falido; temos uma segurança pública que, embora tenha feito um trabalho excelente, não tem a mínima valorização; uma educação que não evolui; ausência de infraestrutura por todo o estado de Goiás. Voltando um pouco sobre a saúde, mais de 130 mil pessoas aguardam cirurgias, muitas vezes cirurgias básicas, gente com braço quebrado que está há um ano aguardando uma cirurgia. O sistema de saúde de Goiás ficou tão caótico que nem o sistema privado está conseguindo funcionar, porque depende de algum tipo de apoio do estado, não há recebimento. Há uma falência generalizada. As pessoas estão morrendo, não há uma postura do governo e, enquanto isso, estamos começando a observar as primeiras ações de investigações de desvio de dinheiro público, atingindo justamente o ponto de falência do estado que é a saúde. Enquanto as pessoas estão morrendo, tem gente que está ficando rica. Esse é o problema de incoerência do governo atual. 

Além de Policarpo, quais outros puxadores de votos da federação na chapa estadual? 

Teremos Gustavo Sebba, Gugu Nader, Clécio Alves, o médico José Machado, e vários outros candidatos com uma média de 20, 30 mil votos. São 42 candidatos com uma média de 500 a 550 mil votos para que a gente chegue com seis ou sete deputados estaduais a partir do ano que vem. 

Para federal, além do professor Alcides e de Jefferson Rodrigues, ambos com mandato, quais os nomes com maior densidade eleitoral? 

Nós temos a honra de lançar uma mulher, que será nossa candidata a deputada federal, a dra. Analice, que coordena um projeto enorme no estado de Goiás de atendimento voluntário e isolado, esposa do (candidato a) deputado estadual José Machado. Ela como nossa candidata a deputada federal e com expectativa também de surpreender nas urnas. Tem também o vereador João da Luz, de Anápolis, que tem uma trajetória política já bem consolidada. É nosso candidato a deputado federal com expectativa também de ter uma boa votação. Nós acreditamos que a federação deve fazer de dois a três deputados federais. 

Como o senhor avalia as chances eleitorais do ex-governador Marconi Perillo, olhando o cenário hoje? 

Marconi tem a história, uma história pública reconhecida, uma história de gestão. Este estado caminhou efetivamente no período de gestão do governador Marconi Perillo a expectativa é de muita confiança, teremos um trabalho bem profundo a ser realizado, mas acreditamos muito na vitória do PSDB-Cidadania nas urnas.  

Cobrar as lembranças do que foi realizado é a única estratégia da federação para buscar o mandato de governador? Falar do “tempo novo” em 2026 não parece velho? 

Uma coisa é analisar o currículo, outra coisa é saber que, da data em que ele deixou o governo, muita coisa mudou, muita coisa pode ser aprimorada, algumas coisas podem ser mantidas, Mas a cabeça do próprio brasileiro, do goiano mudou como um todo. Temos que pensar em modernidade para o Estado, em tecnologia, transformar o Entorno de Brasília em um verdadeiro vale do silício, com empresas de tecnologia, trazer big techs para cá, discutir microchips, discutir tecnologia de ponta, discutir mobilidade urbana, trens e metrôs. Precisamos conectar as nossas cidades não apenas por transporte público convencional. Temos em Goiânia, por exemplo, uma linha de metrô que trafega nela ônibus. Essa é a realidade que infelizmente é imposta ao goiano. Temos que industrializar os nossos interiores, as nossas regiões mais distantes da capital, levar modernidade, levar renda e levar progresso para essas regiões. Não é razoável que para ter uma formação superior alunos tenham que se deslocar 4, 5, 6 horas por dia para conseguir cursar uma faculdade. O estado tem um desenvolvimento econômico profundo, mas na ponta a prestação de serviço público ainda continua sendo muito precária. Nós temos carga tributária suíça, mas serviço público venezuelano e de uma Colômbia da vida,  serviços públicos extremamente periféricos. Repito que temos uma saúde extremamente precarizada, uma saúde falida. Goiás, que sempre foi protagonista em alguns avanços, vimos, neste último governo, obras sem licitação; aprovação de taxa, promessa que não teríamos taxa do agro e passamos a ter dinheiro da taxa do agro que foi para pagamento de honorários advocatícios; instrumentalização de gestores públicos dentro do IFAG, gerido e pago com o dinheiro do contribuinte. Temos um caos nas obras públicas que foram feitas nos últimos anos. Pouquíssimas obras e todas elas com indícios de superfaturamento, sem nenhum tipo de controle, nem da Controladoria Geral do Estado, nem do Ministério Público. Não há controle de qualidade nessas obras. Dinheiro público que foi rasgado e a gente não tem ainda uma efetividade e um selo de qualidade. Ficamos  praticamente oito anos sem obra pública e, quando começou a ter algum tipo de obra pública, foi com lei sendo aprovada rasgando procedimento licitatório e empresas que passaram a ser escolhidas praticamente a dedo para a execução de obra pública. É esse modelo que o goiano merece? Não. Nós gostamos de transparência, exigimos decência e queremos realmente muita efetividade com o gasto do dinheiro público. Essa é a proposta que a gente vem trazendo, racionalidade, responsabilidade com o dinheiro público e projeto que realmente abrace a população goiana, o estado de Goiás. 

Considerando a cláusula de barreira, qual a prioridade do Cidadania a nível nacional? 

Temos como prioridade cumprir a cláusula de barreira, elegendo o máximo de deputados federais no Brasil, e manter a federação com o PSDB após o período eleitoral também. É importante para os dois partidos que a federação continue e que mantenha os projetos. Eu estou muito feliz com essa possibilidade do Ciro Gomes ser candidato à presidência da República pela Federação do Cidadania-PSDB. 

A tendência de ter candidatura própria à presidente, e hoje a alternativa de candidato é Ciro Gomes? 

Ciro Gomes é um nome que vai abraçar boa parte da população brasileira, principalmente o eleitor independente, que representa hoje 36% da população brasileira. Essa é a nossa ideia. Acho que o Ciro traz essa experiência, traz um conceito de capacidade, não só técnica, mas pública e política, para apresentar um projeto de gestão e de progresso para o nosso país, que nós estamos precisando tanto. 

Um grupo do Cidadania defende o apoio a Lula. O partido em Goiás teria dificuldade em apoiar a reeleição do presidente Lula? 

Pode ter certeza de que, se colocar um cachorro e Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas, eu voto no cachorro. Eu não voto no Flávio Bolsonaro, não voto em miliciano, não voto em quem faz rachadinha de dinheiro público, não voto em quem lava dinheiro em loja de chocolate, não voto em senador da República que nunca apresentou um projeto para o estado do Rio de Janeiro que envolva segurança pública, que envolva saúde ou que envolva política pública estruturante. Flávio Bolsonaro tem apenas uma coisa, a certidão de nascimento do pai, que, por sinal, a meu juízo, é um golpista e está justamente preso e, se Deus quiser, permanecerá por lá por muito tempo. Essa é a visão do Cidadania. Respeita a posição do PSDB. Por isso defendo a possibilidade de termos algo novo para a Presidência da República, que seria o Ciro Gomes, para que o Brasil esqueça essa polarização. 

Há uma terceira via que é a pré-candidatura do ex-governador Ronaldo Caiado. Como o Cidadania se posiciona? 

Eu fui eleitor do ex-governador Ronaldo Caiado por duas vezes, uma pessoa que no plano pessoal eu guardo muita admiração e respeito. No plano político, acredito que, no segundo mandato, o governador se perdeu muito. Primeiro, se afastou – nas eleições – do bolsonarismo radical, depois passou a praticamente estender tapete, esquecer a própria biografia para o miliciano do Bolsonaro e sua família e, nessa caminhada, acabou se perdendo um pouco. Hoje, acompanhando o resultado do Estado de Goiás, a minha terceira via seria Ciro Gomes. 

Nesse cenário de polarização, com qual espectro político a candidatura de Marconi dialoga? 

É difícil falar pela visão e com a experiência do governador Marconi. Mas eu vou falar com a visão do Cidadania. Qual é o projeto com o qual ele tem que caminhar? Com todos, os jovens, com os nossos adolescentes, com as mulheres, com o povo trabalhador do nosso estado, com o servidor público que está esquecido, com o setor produtivo que foi levado à falência no estado de Goiás, com o agronegócio que foi roubado nos últimos anos, literalmente roubado. E essa expressão “roubar” não é do governador Caiado, mas ele usou o verbo assaltar. Ele disse que nunca iria assaltar o bolso do produtor rural e bastou ser eleito e meteu a mão no bolso do produtor rural. Goiás precisa de um projeto de união. Eu acho que é isso que a gente tem que fazer. O governador não é governador da direita, governador da esquerda ou do centro. O governador é o governador de um estado. Ele tem uma posição institucional representando todas as pessoas para qual ele for eleito. Há um ambiente de divisão e eu tento sair dessa ideologia, porque para mim ideologia é torcida organizada. A torcida quebra o estádio e o jogador está lá em campo e no outro dia está em outro partido, está em outro time. Eu, como procurador do Poder Legislativo, quadro técnico, vejo que essa polarização só existe na tribuna, fora dela praticamente todo mundo é amigo, há respeito, cordialidade e diálogo. Independentemente do partido político você tem que ter capacidade de dialogar, e Marconi tem um profundo diálogo, uma profunda capacidade de conversar do PT ao PL, e de agregar os valores que todos eles possuem. 

O Cidadania é um partido que veio da esquerda, caminhou para o centro e nos últimos anos vem encolhendo. A que o senhor atribui essa perda, a ser de esquerda ou se tornar mais liberal? 

O partido tem essa visão mais liberal, mas sem perder as suas raízes sociais, ainda precisamos atentar para uma crise financeira que tem assolado as classes mais vulneráveis do nosso país, não podemos esquecer delas, e vimos que o modelo totalmente liberal que foi imposto pelo governo Bolsonaro, que ele tentou implementar por meio de gestão do Paulo Guedes, vimos mães pulando dentro de caminhões de lixo para buscar um pouco de comida para os seus filhos, não é o modelo do Cidadania. O próprio nome do Cidadania tem como princípio básico o cuidado direto, o abraço cuidadoso em relação ao povo brasileiro. Sabemos do desafio do partido, que vai continuar cumprindo a cláusula de barreira e tem projeto para continuar caminhando e construindo o seu espaço. É muito difícil, no cenário em que estamos, discutir ideias. As pessoas estão mais para discutir estereótipos. E discutir estereótipo é fácil, é muito fácil chamar alguém de petista ou de bolsonarista. Discutir uma ideia, uma política pública estruturante, uma escola municipal, mas com modelo de federalização, discutir inteligência artificial, discutir isenção de imposto de renda para forças de seguranças, discutir aquilo que é essencial para o Estado leva tempo, exige diálogo, exige estudo, e as pessoas não estão, dentro dessa polarização, muito a fim de parar para pensar aquilo que realmente é racional e inteligente para o Brasil. É isso que estamos tentando propor,  um debate que seja sério e que tenha como prioridade apenas o brasileiro. Por que que na hora que eu vou escolher o meu candidato, a minha escolha política, eu tenho que escolher por ideologia e não por capacidade e muito menos por resultado? É isso que a gente tem que propor. Eu não contrato ninguém e não sou contratado por uma pessoa pela forma que eu voto. Eu sou contratado por aquilo que eu faço, pelo trabalho que eu entrego. Qual a dificuldade do brasileiro de contratar boas pessoas no plano político eleitoral para que trabalhe bem pela sociedade? Nós, ao votarmos, estamos contratando alguém. O único pedido que  faço é esse: contrate quem tem projetos, quem consiga efetivamente colocar o brasileiro como a única prioridade deste país. 

O senhor é pré-candidato ao Senado em uma disputa em que há muitos postulantes e com grandes estruturas partidárias e econômicas. Qual a estratégia do seu partido e do senhor pessoalmente para se colocar nessa discussão? 

Primeiro, é mostrar para qualquer pessoa deste Estado, que independentemente da sua condição, da sua origem, você pode disputar uma eleição majoritária. Aqui você está falando com servidor público, procurador do Poder Legislativo do Estado de Goiás, concursado como todos aqui somos, uma pessoa que veio da escola pública, que é filho de mãe solo, que é filho da política pública do governo federal e que hoje se coloca como o único quadro técnico deste estado disputando uma eleição majoritária. A ideia do Cidadania é essa quebra de paradigma. Para você disputar uma eleição majoritária, principalmente para o Senado Federal ou para o governo do Estado, você não precisa ter sobrenome político. Basta que você tenha sonhos e acredite nos seus próprios sonhos e não desista deles. Essa é a primeira premissa do Cidadania, que você não desista de lutar por aquilo que você acredita. Em relação às grandes estruturas, não há nenhum tipo de empecilho, de medo ou de desespero da nossa parte,porque eles têm muita estrutura financeira, têm dinheiro, mas não têm projetos. O projeto do Cidadania é o único que tem o brasileiro e a brasileira como prioridade deste país. Brasileiro e brasileira dentro de política público-estruturante, pensando na destinação por meio de critérios objetivos e regras claras e transparentes, por exemplo, sobre destinação de emenda; mandando dinheiro de forma obrigatória para os municípios com menor índice de desenvolvimento humano; mandando dinheiro de forma obrigatória para o desenvolvimento de infraestrutura. O goiano, a goiana merecem andar de trem, merecem andar de metrô, merecem ter mobilidade urbana digna. Esse é o projeto do Cidadania. É discutir inteligência artificial nas escolas, robótica, tecnologia;  transformar o Entorno de Brasília no Vale do Silício do Brasil, trazendo discussões sobre terras raras, sobre chips, sobre tecnologia; colocar o polo bélico de Anápolis em funcionamento, discutir segurança nacional. O Senado da República não é lugar para fazer vídeo para rede social, é lugar para pensar de forma estruturada um país. Essa é a proposta do Cidadania, pensar e executar políticas públicas que dê dignidade ao nosso povo. Essa é a nossa única missão, dar dignidade ao nosso povo. 

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