Na disputa pela vaga de vice na chapa do atual governador Daniel Vilela (MDB), o ex-senador Luiz do Carmo decidiu subir o tom. Em entrevista exclusiva à Tribuna do Planalto, afirmou que tem apoio de Gustavo Mendanha (PRD), reivindicou o peso do eleitor evangélico e acusou movimentos em torno do presidente licenciado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner (PSD), de pressionarem a escolha da composição majoritária, embora ele próprio também faça movimentos públicos em palanques religiosos. Luiz diz que a decisão deve ficar com Daniel e com o ex-governador Ronaldo Caiado, mas sustenta que sua relação pessoal com o governador e sua base política o colocam no jogo.
Tribuna do Planalto – O que motivou o senhor, Luiz do Carmo, a lançar uma pré-candidatura a vice neste momento da carreira política?
Luiz do Carmo – Primeiro, isso não partiu só de mim. Nós somos um grupo grande, um grupo político grande. Nós temos prefeito no interior de Goiás. Meu irmão é prefeito, eu tenho um sobrinho que é deputado estadual. Eu fui deputado estadual, fui senador. E podemos agregar muito na chapa majoritária. O povo, não a igreja, mas as pessoas, o cidadão. Baseado nisso, eles acharam que nós tínhamos o direito de solicitar a vaga de vice do Daniel Vilela. Eu sempre fui do MDB. Já fui vice do Daniel no MDB. Aí tive que sair do MDB para mudar de partido por força maior. Fui para o Podemos e eu não sou de mudar de partido. O Podemos também tem prefeitos e vereadores. Então, baseado nisso, resolvemos solicitar e entrar para ser um dos candidatos a vice do Daniel. Isso começou há muito tempo. Ninguém tinha nem cogitado Zé Mário, lá atrás. Fui o primeiro a começar a conversar com o Daniel.
O senhor está dizendo que foi o primeiro a levantar essa possibilidade de ser vice de Daniel?
O primeiro. Isso foi há 11 meses. Por quê? Porque nós temos um grupo grande de políticos. Nós somos uma comunidade evangélica grande. E, se eu não fosse suplente do governador Caiado, eu não iria assumir o Senado. Eu fiz um grande trabalho. Nós temos trabalho em muitos municípios goianos. Não tem município goiano em que eu não tenha andado e que não tenha emenda minha. Visitei praticamente todas as Câmaras de Vereadores. Então, além de evangélico, nós somos políticos também. Baseado nisso, conversamos com Daniel, conversamos com Caiado. Eles falaram: “Tudo bem, é um direito. Lógico que vai surgir mais gente, mas quem agregar mais na chapa será o escolhido”.
O senhor diz que foi o primeiro a lançar essa pré-candidatura, mas outros nomes surgiram. O senhor citou Zé Mário. Tem o Adriano Rocha Lima. Até há pouco tempo tinha o Gustavo Mendanha, que recuou para a disputa do Senado. O que diferencia a sua pré-candidatura das demais? O que mais, além do segmento evangélico, diferencia sua pré-candidatura?
Não é só isso não [o segmento evangélico]. Primeiro, o Daniel tem confiança em mim. O vice tem de ser leal ao titular. Daniel sabe que eu sou leal a ele. Eu tenho uma ligação muito grande com Daniel. Tenho certeza de que todos os nomes que estão aí, que querem ser candidatos a vice, têm o direito deles. Não estou proibindo ninguém. Pode chegar qualquer um. Tem o Zé Mário, tem o Adriano, tem o Paulo do Vale, tem o Bruno. Agora, eu também tenho o direito. Para você ver, o Gustavo Mendanha saiu [da disputa] e decidiu me apoiar para a vice. Meu maior cabo eleitoral hoje é o Mendanha.
O compromisso está afiançado com Gustavo Mendanha?
Está afiançado com Gustavo Mendanha. O Gustavo Mendanha e eu não voltamos atrás. Ele falou: “Eu não dou conta de ser vice. e vou te apoiar. Eu vou ser senador. Você me apoia?”. Lógico que eu vou apoiar. Essa foi a conversa. Quando Daniel estava no governo, Marconi mandava no governo e eu era oposição, éramos eu, Daniel, Bruno, Samuel Belchior, a oposição. E eu, como não tinha compromisso com o partido, porque não foi o partido que me elegeu, podia ter mudado, mas nunca mudei. Fiquei oito anos na oposição. E não foi por falta de Marconi falar com nós não. Daniel foi meu líder e ele sabe disso. Quando Maguito foi candidato à Prefeitura de Goiânia, a primeira reunião que fez ali no Cruzeiro do Sul foi eu e o bispo Oídes que fizemos para ele. Nós tínhamos um deputado de Jataí que falou comigo e pegamos na mão dele. Ninguém conhecia ele ali em Aparecida. Nós o apoiamos. Então, Daniel sabe disso. Eu tenho esse benefício a meu favor. Tenho esse benefício de ser amigo pessoal de Daniel, de que eu nunca vou trabalhar contra ele. Tenho o benefício de muitos votos evangélicos, do cidadão evangélico, que pode mudar essa eleição.Outra coisa: eu nunca vi uma majoritária em Goiás, desde que eu entrei na política, ganhar sem o apoio dos evangélicos. Na época do Marconi, teve. Na época do Caiado, teve. Na época do Iris, lá atrás, teve. Então, baseado nessa relação com Daniel, mais o apoio do segmento, eu acho que estou capacitado para isso.
Além do segmento evangélico, além do segmento religioso, o senhor afirma ter a confiança de Daniel como trunfo?
Deixa eu explicar um detalhe. Estou com 68 anos. Já fui deputado, fui senador. Agora eu quero ser vice. Se Daniel sair depois para disputar o Senado [em 2030], se isso acontecer, eu vou assumir por nove meses a função de governador e não serei candidato à eleição seguinte.
Por que isso?
Porque eu quero muito que Caiado dê certo na função dele lá. E, quando Caiado voltar para Goiás, ele terá o meu apoio para suceder, se eu for governador na época, o meu governo. Primeiro, vai ser o governo de Daniel. Depois, vai ser comigo. E não vou mudar nenhum secretário. Em nove meses não dá para mudar muita coisa. O governo já estará andando. É só sentar lá e despachar normalmente. Eu faço esse compromisso de ficar apenas nove meses em 2030 no governo.
Então a eleição de 2030 já pauta a vice nesta eleição de 2026?
Já pauta. Eu tenho cara de vice. O Mendanha não tem. O Zé Mário não tem. Se Zé Mário sentar ali, eu tenho certeza de que ele vai disputar a eleição.
Mas o senhor acabou de me falar que tem o apoio de um grupo grande, importante, um segmento que pauta as eleições já há algum tempo, que são as igrejas, as Assembleias de Deus, o segmento religioso, que se unifica muito durante as eleições. E se esse grupo falar para o senhor: “Agora é a nossa vez de comandar o Estado”?
Eles não vão falar isso porque uma coisa que temos é palavra. Nunca mudamos uma palavra e eu estou dando a palavra. Eles vão ter o primeiro evangélico da Assembleia de Deus como governador. E outra coisa: eu tenho 68 anos, vou terminar o governo com mais de 70 anos. Não preciso disso. Não vivo de política. Não tenho vaidade de ser político. Tenho vaidade de resultado, de ver as pessoas subirem na vida, de gerar emprego. Hoje eu tenho 250 empregos. Trabalho com 250 famílias, que trabalham e, no final do mês, eu tenho que pagar todas elas. Você sabe o que é isso? Empresário é cuidar do que está sob sua responsabilidade. Não é fácil. Então eu não tenho essa vaidade. Pode ficar tranquilo. Os segmentos que me apoiam sabem disso. Eles querem que eu me candidate, não é nem eu. Nós temos compromisso. Temos que ter palavra.
Senador, como o senhor avalia a atuação do presidente licenciado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, Zé Mário Schreiner?
Ele está fazendo o papel dele. Eu só não acho que ele seja ligado ao agro como dizem. Ele é um sindicalista, mas é um homem trabalhador, homem de direito. Eu sou mais ligado ao agro do que ele. Ele é sindicalista. Eu sou do agro. Todo mundo é do agro. Daniel é do agro, Caiado é do agro. Eu vivo do agro. Produzo calcário para vender para o produtor, para a agricultura. Tenho confinamento. Todo mundo é do agro. Agora, eu não tenho sindicato. Isso eu não tenho. Zé Mário é muito bom, mas ele é sindicalista. Pega a ficha dele. É sindicalista. Mas é um cara competente também. Não tenho nada contra ele. É amigo de Caiado, amigo de Daniel. Pode ser o escolhido, tudo bem. Não tenho problema com isso. Como pode ser o Adriano. Como pode ser outro que está fora do radar. Agora, eu estou preparado. Meu grupo tem voto. Eu também quero ser vice e sou amigo de Daniel. Eu acho uma covardia eles fazerem movimento para enfiar um vice em qualquer governador ou prefeito, talvez contra a vontade dele. Tem que deixar ele livre para escolher.
O senhor está citando um evento que Zé Mário fez há uns dois meses, em que reuniu vários prefeitos?
Eu falei: ele reuniu 120 prefeitos, reuniu 50. Ele pode ser candidato a governador. Se ele tem todo esse apoio para ser vice, qual a diferença de ele ser candidato a governador? Ele tem condições de ser candidato ao governo, uai.
Mas é uma busca de apoio e uma tentativa de mostrar força. O senhor também não está fazendo isso?
Isso não é apoio. Isso é pressão. Não é busca, não. Quando você faz uma reunião, vai no senador e declara apoio, fala que ele é o melhor, mesmo que seja voluntário, isso é pressão. Eu tenho vídeos de muita gente me apoiando. Tenho vídeos de vereador, tenho vídeos de 30 prefeitos me apoiando.
Quem está apoiando o senhor? Adiante alguns nomes. Quem vai declarar? Quem está afiançando a sua pré-candidatura a vice?
Eu vou te contar um monte. Meu irmão, Eurípedes, é meu irmão, tudo bem. Só no Entorno de Brasília eu tenho quatro prefeitos que me apoiam, mais várias lideranças. Outra coisa: se o Zé Mário não tivesse ajuda da AGM ou de outra entidade, ele não ia reunir aquele tanto de gente não. Ele teve ajuda. Prefeito não se reúne tão fácil assim não, você sabe disso. Eu não tiro o direito dele, mas acho que foi uma pressão muito grande. Não tem jeito de pressionar governador, Daniel ou Caiado para escolher vice não. É o que mais agrega. Se não apoiar o Zé Mário, o prefeito não vai apoiar Daniel? Isso não é perigoso? É um movimento perigoso. Não é um movimento de pastor, de sindicalista. É um movimento de prefeito. Será que o Daniel quer quem? Alguém já teve essa conversa com Daniel? O vice é do Daniel. Eu não quero fazer pressão em ninguém. Quero ser escolhido pela confiança. Sou amigo de Caiado, sou amigo de Daniel e dou voto. Sendo vice ou não sendo vice dele, eu vou apoiar Daniel. Eu tenho posição e não vou mudar essa posição.
Senador, antes de Gustavo Mendanha recuar, quando ainda estava na disputa pela vice, ele disse em entrevista à Rádio Difusora que segmento é menos importante que voto. Ele fazia alusão às campanhas que disputou, à eleição para prefeito e à candidatura ao governo em 2022. Recentemente, um consultor jurídico que representa o Fórum de Entidades, ligado à Adial, falou algo parecido. Ele defendeu o nome de Zé Mário e fez referência à definição de Rogério Cruz como vice de Maguito Vilela. Como o senhor vê essas declarações, essas avaliações e esse apoio que o Fórum deu, ainda que indiretamente, a Zé Mário?
Anota aí. Quando Paulo Guedes, que é um dos maiores economistas do Brasil, foi lá e fez uma reunião com o Senado, ele defendia baixar a contribuição do Sistema S. Era 2,5%, queria baixar para 1%. Isso foi criado lá na época de Getúlio Vargas. Não tem cabimento. O TCU fiscalizou esse povo, não foi em Goiás? Encontrou banheiro de R$ 400 mil. Essas coisas foram feitas naquela época. Isso não é justo. O governo passa dificuldade e tem gente sobrando dinheiro. Tenho um amigo que é presidente de uma associação em outro Estado e ele me falou: “Nós temos tanto dinheiro que não sabemos onde aplicar”. Você sabe quanto veio para o Sistema S no ano passado? R$ 1,2 bilhão. Sabe quanto veio só para a Faeg e para o Zé Mário? Mais de R$ 250 milhões. É dinheiro demais. E eles não sabem onde gastar o dinheiro. O Senai tem recurso próprio que vive dos colégios. O resto depende do apoio e do pagamento dos empresários. Eu tenho seis empresas. Pago 2,5% da folha de pagamento para o Sistema S. Isso não é justo. É proibido manifestar apoio político. Aqui foi injustiça. Aquele rapaz não me aproveitou. Com Zé Mário está tudo bem, não tenho nada contra ele. Mas primeiro tem lei. Eles não podem apoiar ninguém. Eles não podem fazer isso. É imposto. Eles falam que é contribuição, mas não é. É imposto, porque é imposto aos empresários pagar 2,5%. Eles vivem disso. Não tem fiscalização em cima deles. O empresário está pagando, e as empresas lutando para sobreviver neste momento.
Mas o Fórum, como grupo colegiado, não pode declarar apoio a ninguém?
Podem declarar como pessoa física. Qualquer um pode declarar apoio. Mas, como entidade, não pode. Inclusive tem três promotores que já me orientaram a entrar com ação contra eles. Eu não vou entrar, mas eles erraram ao fazer isso. O Zé Mário gastou mais de R$ 250 milhões no ano passado. Quem administrou o dinheiro? Cadê a fiscalização? Tem que ser transparente. Eu não estou dizendo que houve culpa. Estou questionando. Tem que questionar algumas coisas. Outra coisa: ele [diretor da Adial que declarou apoio a Zé Mário] veio dizer que evangélico não tem capacidade porque Rogério Cruz foi escolhido como evangélico, Maguito morreu e ele não deu conta de tocar Goiânia. Sandro Mabel está aí, empresário, e está patinando. Ninguém diz que Sandro Mabel fez isso porque é empresário ou porque é católico. Então religião não define isso. Foi uma maldade muito grande. Ele quis dizer que, caso Daniel morra, o substituto não teria capacidade, como Rogério Cruz não deu conta de tocar a Prefeitura. É uma maldade muito grande. Primeiro, Maguito estava numa pandemia terrível. Se não fosse a pandemia, Maguito não teria morrido. Nós vamos ter outra pandemia? Daniel é um cara bom, cuida da saúde. E outra coisa: pensar que Daniel vai morrer para alguém assumir numa desgraça como a morte, eu não quero isso. Não quero ser vice nessas condições. Eu quero assumir as missões que Daniel me der. Vou viajar o Estado, vou me apresentar, vou fazer isso e aquilo, debaixo das ordens dele. Mas nunca na vida vou pensar numa tragédia como essa. Ele sugerir isso é maldade com Daniel. Eu comecei plantando mexerica poncã com 10 anos. Depois fui abrir a porteira para passar no Banco do Brasil. Cheguei a ser gerente de banco. Antes de ser bancário, eu comprava frutas de madrugada para vender e tinha uma frutaria. Depois fui bancário, montei transportadora, montei autopeças, agora estou na mineração, sou do agro. Ele quer me comparar com outras pessoas. Eu não me comparo com isso, não. Se ele é advogado e não tem competência, é problema dele. E falando em nome do Fórum. A maldade dele foi muito grande. Religião não tem nada a ver com capacidade. O advogado que não tem competência é problema dele. O Daniel não vai morrer de jeito nenhum. Eu vou orar a Deus para segurar a vida de Daniel. Ele vai fazer o melhor governo que tiver. Eu nunca vou assumir pensando numa desgraça para Daniel. Outra coisa: falar que evangélico não tem capacidade? Evangélico não tem nada a ver com capacidade. Tem que ter capacidade. Iris Rezende foi um dos melhores prefeitos que Goiânia já teve. Vanderlan, evangélico, milionário, foi o melhor prefeito de Senador Canedo. Tem muitos católicos e espíritas que são capacitados também. Jânio Darrot é capacitado. Estou dando exemplos de pessoas que são evangélicas e católicas capacitadas. Mas tem que ter capacidade também. Religião não pode ser fator de demérito a ninguém.
O clima dessa disputa pela vice está esquentando?
Não está esquentando da minha parte, não. Eu só estou me defendendo. O jornal falou meu nome. Amanhã, se escolher Zé Mário ou outro, eu vou ter paciência. Vou ficar triste dois dias e depois vou pegar a mão de Daniel e andar pedindo voto para ele, concorda? Não pode ter disputa. Agora, por causa de vocês jornalistas, dizem que estou frio, que Zé Mário está na frente. Não é questão de Zé Mário. Acho que não precisa fazer isso. Deixa os governantes, as pessoas, escolherem na base do que eles querem. Deixa eu te contar: eu pertenço ao Sindicato dos Calcários, que está lá na Fieg, e não fico usando esse apoio de sindicato para fazer campanha.
Isso causou insatisfação no senhor?
Tristeza, para mim, não. Eu sou um cara em que a tristeza já passou. Eu perdi uma filha, assassinada. Minha esposa hoje está acamada há oito ou nove anos porque estava cuidando da minha filha. Então tenho uma tristeza comigo. Não tem isso comigo mais, não. Sou um cara de resultado. Levanto todo dia, faço minha oração e vou atrás do trabalho, de produzir. Nem se ele não me escolher eu vou ficar triste. Isso é jogo. Estou no jogo. Mas o jogo não precisa ser jogado baixo com Daniel. Não precisa me ofender como me ofenderam. Não tenho nada contra Rogério Cruz. É lógico que fizeram uma citação. Ele tem seus defeitos, deve ter suas virtudes também. Mas usaram isso, falaram meu nome e a igreja como demérito, para falar que evangélico não tem capacidade. Então eu posso concorrer com ele, não posso concorrer com Zé Mário porque ele é sindicalista? Ah, não posso concorrer com ele? Todo mundo tem alguma coisa atrás. Fé e religião não têm nada a ver com capacidade. Vou ajudar Daniel a ganhar no primeiro turno. Vou ajudar Caiado a ir para o segundo turno, porque Caiado será o melhor presidente do Brasil. A Assembleia de Deus já está ajudando nacionalmente. Na época certa de fazer política, quando puder pedir voto, você vai ver o movimento que nós vamos fazer por Caiado no Brasil todo. Em qualquer cidade do Brasil tem uma pessoa do nosso segmento. E outra coisa: quero separar igreja de cidadão evangélico. O cidadão vai votar. Igreja é uma coisa, cidadão evangélico é outra. Eu sou cidadão evangélico. Nós temos capacidade de falar com eles. Tenho certeza de que vamos pegar na mão de Caiado e levar a carreira dele, na hora certa. Depois do que aconteceu com minha filha e com minha esposa, nada na vida me põe triste. Posso ficar contrariado um pouco, mas depois a vida continua.
O senhor avalia que, a partir de tudo que tem acontecido, Daniel, Caiado e quem mais for participar dessa decisão, inclusive Gracinha, como o senhor já defendeu, deveriam antecipar essa definição e anunciar logo quem será o vice?
Eu queria antecipar. Agora não precisa antecipar mais não. Há dois meses eu queria que antecipasse. Agora não quero mais não.
Por que o senhor não quer antecipar agora?
Porque agora está todo mundo lutando para ser vice de Daniel. Para Daniel, isso até está bom, sabia? É um movimento em torno dele. Ninguém quer ser vice de quem vai perder, de quem não tem chance. Então só mostra a força do Daniel. Para Daniel é muito bom. Outra coisa: Vanderlan também está me apoiando. Então tem dois candidatos ao Senado me apoiando.
E como o senhor vai fazer com isso? Tem Vanderlan e agora Gustavo Mendanha, mas também tem Gracinha. Quem o senhor vai apoiar nessa equação?
Da mesma forma que vão escolher o vice na época certa, vamos escolher o apoio ao Senado na época certa. Eu ainda não defini. Sei para onde não vou também. Tem vários bons nomes. Será que não vai entrar mais gente? Será que alguém não vai desistir? Não adianta eu falar agora para quem vamos apoiar. Quem me deu apoio oficialmente foi Mendanha.
O senador Vanderlan Cardoso também fez uma menção ao senhor recentemente.
Fez mesmo. O Vanderlan é meu amigo há muitos anos. Mas eu quero que ele fale assim: “Esse é meu candidato”, igual Mendanha falou. Eu não sei se Mendanha será candidato ainda. Será que ele não pode voltar para ser vice? Política é assim. Pode acontecer tudo até as convenções. Não adianta eu falar agora para quem vamos apoiar. Isso não está definido.
O Adriano Rocha Lima parece ter sido preferido no passado por ter perfil técnico e a simpatia de Caiado. O senhor acredita que ele perdeu força ou esses predicados fazem ele sair na frente?
Não, isso não está definido não. O nome dele pode voltar com força lá na frente. Quem tinha mais chance de ser era Mendanha. Mendanha disputou eleição, teve 25% dos votos. Se fosse por voto, seria Gustavo Mendanha. Ele saiu do jogo. O Zé Mário leva mais voto que eu? Será que tem? Você já fez pesquisa? Quantos votos o agro tem? O agro tem caminhonete. E os peões? É um dono de fazenda e 30 pessoas trabalhando. Eu fiz as contas. Eu estava em Porangatu. Lá tem um monte de fazendeiro, eu gosto dos fazendeiros. Mas fiz uma reunião numa churrascaria com esse povo. Não dá 5% os fazendeiros lá. Não dá 5%. Então, quem agrega mais para Daniel? Quem agrega mais para a chapa majoritária?
Quem vai fazer essa definição de fato?
Caiado e Daniel. Na minha opinião, eles vão sentar os dois e conversar. Vamos pensar juntos: quem é quem? Caiado é homem de resultado. Ele vai pensar: como vai ser? De quem estamos precisando? Eles vão conversar. Acho que Caiado vai respeitar a vontade de Daniel, e Daniel vai respeitar a vontade de Caiado. Eles vão respeitar um ao outro e chegar a um consenso. Não vai ser porque sou amigo de Daniel que serei escolhido. Não vai ser porque sou amigo de Caiado que serei escolhido. Vai ser quem mais agrega, quem mais faz, quem mais tem confiança. Eu sou Daniel. Daniel até o fim. Quero ser vice de Daniel, meu amigo Daniel. Só para você ter ideia da nossa relação. Quando Caiado era do DEM e Daniel era do MDB, eu era suplente de Caiado e Caiado era candidato a governador contra Daniel. Eu pensei: como faço na minha vida? Estou no partido e tenho que apoiar o candidato do meu partido, que era Daniel. Eu era vice no MDB. Daniel era presidente. Aí Daniel bateu no meu portão e falou: “Estou aqui para conversar com você. Você é o único do MDB que estou liberando para ajudar Caiado. Porque, se Caiado ganhar o governo, você vai ser senador. E, se eu ganhar, você tem um amigo no governo”. Quem faz isso? Por isso eu sou grato. Nunca esqueci isso.
O senhor disse que já defendeu que a decisão fosse antecipada. Agora não defende mais. Mas, em termos práticos, quando essa decisão deverá ser tomada?
Acho que nas convenções. Deixa eu te contar. Eu estava no Podemos. Caiado e Daniel pediram para eu me filiar ao PSD. Disseram: “O vice vai sair daqui”. Eu fui. Obedeci aos dois. Por quê? Se amanhã meu partido tomar outro rumo, eu estaria fora. Estou no jogo. Não tem como falarem que não posso. Mas ninguém disse: “Você vai se filiar porque será o candidato”. Não foi isso. O próprio Caiado falou: “Vai se filiar. Não tem ninguém escolhido”. Eu aceitei a regra do jogo.
O senhor diz que Zé Mário tem feito pressão nessas agendas. Ao mesmo tempo, quando o senhor vai ao Congresso das Assembleias de Deus e recebe acenos públicos, isso também não é uma forma equivalente de pressão?
Não. É totalmente diferente. Quando eu recebo apoio de pastor, é para mostrar que tenho apoio. Você sabe o que eles falam para mim? Se eu não fizesse isso, vocês falariam que eu não estava movimentando minha campanha. Então eu tinha que movimentar. Eu tenho muita gente me apoiando, mas não vou divulgar tudo. Sabe por quê? Vice não faz pressão. Isso está errado. O Zé Mário vai ao sindicato e declara apoio, eu não reclamo porque ele é sindicalista. Se eu vou à igreja, não posso entrar dentro da igreja? Eu não posso fazer campanha na igreja. Isso eu não vou fazer. Mas unir o povo eu vou. Os irmãos têm direito de votar e ser votados. Separe a igreja do cidadão. Quero que você separe isso. Quando eu falo que juntar prefeito e fazer pressão é errado, é porque acho maldade com o titular. É uma pressão terrível.
Sobre essa questão das igrejas, para a gente encerrar: o segmento evangélico é muito diverso. O senhor tem apoio significativo das Assembleias de Deus, mas existem outras igrejas também nesse mundo evangélico. O senhor tem buscado apoio dessas outras igrejas?
É lógico que tenho. Por isso estou reagindo a essas mentiras. Tenho apoio de todas. Praticamente todas. É lógico que um ou outro tem suas preferências. Um pastor gravou vídeo para mim e eu não estou divulgando. Você sabia que Zé Mário visitou um pastor nosso e tirou foto, gravou até vídeo? Pastor tem que receber todo mundo. Recebe bandido, recebe pecador. Agora faz uma foto e vira apoio? Quero deixar claro: movimento de prefeito é diferente. Tem uma estrutura por trás. É diferente.
O senhor confia que Daniel Vilela será eleito no primeiro ou no segundo turno?
Vai ser no primeiro.
O senhor acredita que ele será eleito no primeiro turno?
É o trabalho. Eu vou trabalhar de noite. Se eu for para a chapa majoritária, a empolgação será maior. Isso é lógico. Daniel será eleito no primeiro turno. Não esqueça isso. Depois de tudo que te falei, quando mataram minha filha, dois dias depois Daniel estava na minha casa com a mãe dele. Daniel é meu líder. Não é amizade de uma hora para outra. Eu podia conversar só com Daniel. Daniel é tranquilo. Mas não é isso. Tem que deixar as pessoas escolherem.
Marconi, Wilder e a oposição não incomodam?
O Marconi está desesperado para ter um vice evangélico. O Wilder está doidinho para ser recebido pelos evangélicos. O cidadão evangélico é quase 40%. Não estou falando de igreja. Estou falando de cidadão, que paga imposto, que professa ser evangélico. Então, está todo mundo querendo se aproximar da gente.














