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Goianos participam de estudo nacional que revela desafio entre saber e praticar alimentação saudável

Pesquisa aponta que moradores de capitais, incluindo Goiânia, conhecem os princípios de uma dieta equilibrada, mas esbarram em rotina intensa, custo e falta de tempo


Por Carlos Nathan Sampaio em 27/04/2026 - 10:13

Alimentação saudável
(Foto: Carlos Nathan Sampaio)

Goiânia aparece como uma das cinco capitais brasileiras analisadas em um estudo que mostra um paradoxo presente no cotidiano alimentar do país: a população sabe o que é comer bem, mas enfrenta dificuldades para transformar esse conhecimento em prática. A pesquisa “Comportamento alimentar: percepções e desafios da alimentação saudável”, conduzida pelo Instituto Pensi em parceria com o Pacto Contra a Fome, ouviu moradores de diferentes regiões, incluindo a capital goiana, e revelou padrões semelhantes de comportamento.

O levantamento mostra que alimentos in natura, frutas, legumes e verduras são amplamente reconhecidos como base de uma alimentação saudável. No entanto, fatores como rotina acelerada, cansaço e limitações financeiras dificultam a adoção consistente desses hábitos. Em Goiânia, assim como em outras capitais analisadas, a busca por praticidade tem favorecido o consumo de alimentos ultraprocessados e refeições rápidas.

A pesquisa foi realizada em duas etapas, incluindo a análise de mais de 200 artigos científicos e entrevistas com 142 participantes entre setembro e novembro de 2025. Goiânia integrou o grupo seleto de cidades ao lado de São Paulo, Fortaleza, Porto Alegre e Belém, representando o Centro-Oeste no estudo.

Outro ponto relevante identificado é o peso do custo dos alimentos. A percepção de que comer saudável é mais caro influencia diretamente as escolhas, principalmente entre famílias de menor renda. Nessas situações, itens essenciais como frutas, verduras e carnes acabam sendo substituídos por alternativas mais baratas e menos nutritivas.

O estudo também aponta que a organização da alimentação dentro das casas ainda recai majoritariamente sobre as mulheres, que lidam com a chamada “carga mental” de planejar refeições em meio a rotinas já sobrecarregadas. Esse cenário contribui para decisões rápidas e menos saudáveis no dia a dia.

Os dados dialogam com a realidade nacional. Segundo a PNAD Contínua, mais de 54 milhões de brasileiros conviviam com algum grau de insegurança alimentar em 2024. O recorte observado em Goiânia reforça que o desafio não está apenas na informação, mas na criação de condições reais para que escolhas saudáveis sejam viáveis.

Especialistas apontam que enfrentar esse cenário exige políticas públicas, incentivo ao acesso a alimentos frescos e estratégias que aproximem a alimentação saudável da rotina das famílias. A presença de Goiânia no estudo evidencia que a questão é nacional, mas também local — e urgente.

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