Skip to content

Surto de hantavírus em navio de cruzeiro: o que se sabe sobre os riscos e a transmissão

OMS investiga transmissão rara de hantavírus em navio de cruzeiro após mortes durante viagem pelo Atlântico Sul


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 07/05/2026 - 18:00

Surto de hantavírus em navio de cruzeiro: o que se sabe sobre os riscos e a transmissão / Foto: AFP or licensors

A Organização Mundial da Saúde (OMS) investiga uma rara transmissão de hantavírus a bordo do navio holandês MV Hondius. Até o momento, cinco dos oito casos suspeitos foram confirmados. Três pessoas morreram desde o início da viagem.

A embarcação partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril, com 174 pessoas a bordo. O cruzeiro percorreu regiões remotas do Atlântico Sul, incluindo Antártica, Geórgia do Sul e Santa Helena. O navio segue agora para as Ilhas Canárias, na Espanha.

Diferentemente do que ocorreu na pandemia de covid-19, especialistas afastam o risco de uma nova crise sanitária global. “Isso não é covid, não é influenza, e se propaga de forma muito, muito diferente”, afirmou a médica Maria Van Kerkhove, da OMS.

Como funciona a infectação

O hantavírus é transmitido principalmente por roedores silvestres, por meio da inalação de partículas presentes na urina, fezes ou saliva desses animais. A infectologista Elba Lemos, do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), explica que o vírus não está associado a ratos urbanos comuns.

A cepa identificada no surto é a Andes, encontrada na Argentina e no Chile. Ela tem uma peculiaridade: pode ser transmitida entre humanos em contatos muito próximos, como entre parceiros sexuais ou de paciente para profissional de saúde . Ainda assim, esse tipo de transmissão é considerada excepcional.

A taxa de letalidade do hantavírus preocupa os especialistas. “Entre 100 pessoas que adoecem de dengue, cinco podem evoluir para o óbito. Na hantavirose, pode ser de 20% a 50%”, afirmou Lemos à BBC. Segundo a Gavi, a Aliança para Vacinas, a taxa para a síndrome pulmonar causada pelo vírus varia entre 35% e 50% .

Não há tratamento específico ou vacina amplamente disponível contra o hantavírus. O cuidado é de suporte, incluindo oxigenoterapia e ventilação mecânica em casos graves . O diagnóstico precoce aumenta as chances de sobrevivência.

Nesse contexto, navios de cruzeiro reúnem características que favorecem a disseminação de doenças infecciosas: ambientes compartilhados, convivência prolongada e espaços fechados. Historicamente, surtos em embarcações envolvem vírus respiratórios ou gastrointestinais, como influenza, sarampo, covid-19 e norovírus.

A OMS afirma que o risco para o público em geral é baixo e não há recomendação de restrições de viagem. A entidade recomenda monitoramento de sintomas, higiene frequente das mãos, ventilação adequada e isolamento de passageiros sintomáticos.

LEIA MAIS:

Prefeitura de Goiânia nega falta de Tamiflu; entenda para que serve o medicamento

MP denuncia ginecologista Marcelo Arantes por estupro contra 15 pacientes em Goiás

Avatar

O Tribuna do Planalto, um portal comprometido com o jornalismo sério, ágil e confiável. Aqui, você encontra análises profundas, cobertura política de bastidores, atualizações em tempo real sobre saúde, educação, economia, cultura e tudo o que impacta sua vida. Com linguagem acessível e conteúdo verificado, a Tribuna entrega informação de qualidade, sem perder a agilidade que o seu dia exige.

Pesquisa