O governador Daniel Vilela (MDB) chegou ao Palácio das Esmeraldas com a benção do antecessor Ronaldo Caiado (PSD), o sobrenome de Maguito e uma base acostumada a operar sob comando forte. Essa combinação ajuda, mas também cobra. A eleição de 2026 será menos um plebiscito sobre a gestão herdada e mais um teste sobre a capacidade de Daniel transformar a continuidade em liderança.
O primeiro movimento está no partido. O MDB estimou mais de 5 mil novas filiações em um ato que aconteceu em Goiânia, na última sexta-feira (15), incluindo prefeitos, vice-prefeitos e lideranças municipais. A sigla agora chega a quase 120 mil filiados em Goiás e tenta ocupar terreno antes que a campanha comece de fato.
A expansão emedebista tem um cálculo claro. Daniel não pode depender apenas da memória positiva do governo Caiado. Precisa de prefeitos, vereadores, cabos eleitorais e chapas proporcionais funcionando sob sua própria articulação.
Caiado segue no tabuleiro goiano. Mesmo lançado à pré-candidatura presidencial pelo PSD, o ex-governador comandou reunião da executiva estadual do partido em Goiânia, discutiu chapas proporcionais e projetou uma base robusta para Daniel, com expectativa de 12 a 13 deputados federais e até 35 estaduais no campo governista.
Essa presença ajuda Daniel, mas também mostra o tamanho do desafio. O governador precisa do aval de Caiado, mas não pode parecer tutelado por ele. Precisa defender a continuidade, mas sem virar gerente de um terceiro mandato caiadista. Precisa agradecer a herança, mas governar como dono da chave.
A escolha do vice será o primeiro teste mais visível dessa autonomia. Lideranças da base trabalham com junho como horizonte para a definição. Daniel já disse que o nome deve “agregar politicamente e eleitoralmente” e ser “um parceiro para governar”. A frase é protocolar, mas o recado é objetivo: a vaga será usada para medir força, acomodar aliados e ampliar densidade eleitoral.
A lista de interessados mostra a complexidade da base. Luiz do Carmo, Zé Mário, Adriano da Rocha Lima, Gustavo Mendanha, Paulo do Vale. Todos querem seu lugar à mesa. A vice não será apenas uma composição. Será a primeira fatura cobrada pelos sócios da sucessão.
Daniel sabe que a comparação com Caiado será inevitável. Foi empossado em 31 de março, após a desincompatibilização do ex-governador para disputar a Presidência da República, e fez um discurso de continuidade. Agradeceu a Caiado, chamou-o de parceiro e disse que Goiás virou exemplo para o país.
A reestreia de Daniel nas urnas, portanto, começa antes da campanha. Está na montagem do MDB, na escolha do vice, na relação com o PSD de Caiado, no espaço dado ao União Brasil de Bruno Peixoto, no peso de Gracinha Caiado ao Senado e na capacidade de neutralizar o ex-governador Marconi Perillo e o senador Wilder Morais, principais adversários na disputa, sem alimentar a ideia de volta ao passado.
O governador tem a vantagem da máquina e da continuidade. Mas 2026 vai cobrar algo mais específico: comando. A herança de Caiado pode levar Daniel até a largada. A partir daí, ele terá de provar que sabe conduzir a própria corrida.
Presidente estadual do MDB, Haroldo Naves classificou à Tribuna Política como um “sucesso” o mutirão promovido na última sexta-feira (15) pelo partido. Foram 5 mil novas filiações, incluindo prefeitos, vice-prefeitos, ex-prefeitos, ex-vereadores e lideranças de diferentes segmentos. Segundo ele, a legenda chegou perto da marca de 120 mil filiados e reforçou a estrutura de sustentação da candidatura de Daniel Vilela à reeleição.
Vice em movimento
Zé Mário Schreiner tem intensificado agenda com prefeitos, vereadores, vice-prefeitos e lideranças religiosas em diferentes regiões de Goiás. Cotado para vice de Daniel, o presidente licenciado da Faeg e do Sebrae trabalha o ativo que seus aliados mais vendem: capilaridade.
Fé na vice
A movimentação de Zé Mário não é neutra. Ao circular pelo interior, ele tenta mostrar que não é apenas nome do setor produtivo, mas operador político com entrada municipal. Ele também entra num terreno que até pouco tempo atrás era vista como exclusiva de outro “concorrente”: a bolha religiosa.
Concorrência de fé
A entrada de Zé Mário na agenda com lideranças religiosas mostra que o campo evangélico deixou de ser tratado como território exclusivo do ex-senador Luiz do Carmo, irmão do Bispo Oídes. A disputa pela vice, nesse ponto, ficou mais sofisticada. Não se trata apenas de quem fala com igrejas, mas de quem consegue converter essa relação em voto, palanque e confiança política.
Defesa pública
Presidente estadual do Podemos, Glaustin da Fokus defendeu o ex-senador, para a vice, mesmo fora do seu partido. A este colunista, disse que ele “agrega muito mais” pela ligação com a igreja e pelo grupo político. Também afirmou que a ida de Luiz para o PSD foi “alinhada” e “construída” dentro da base.
União pós-Caiado
O presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), Bruno Peixoto, foi oficializado na última quarta-feira, presidente estadual do União Brasil em Goiás. O partido tenta responder à pergunta que ficou depois da saída de Caiado para o PSD: ainda tem força própria ou dependia do ex-governador para se manter protagonista em Goiás?
Conta ambiciosa
Em Goiânia, Antônio Rueda projetou o União Brasil com até sete cadeiras em Goiás. A conta passa por nomes como Bruno Peixoto, Delegado Waldir, Silvye Alves e Valéria Pettersen, recém-filiada à sigla. É meta alta e também recado ao MDB e ao PSD: o União quer manter o protagonismo. Mesmo sem Caiado.
Volta ao poder
Haroldo diz que o movimento mostra a “resiliência” do MDB. A leitura é simples: o partido quer transformar memória, capilaridade e governo em musculatura eleitoral. “Com a volta ao poder, depois de 28 anos, um governo que tem entrega, resultados e credibilidade, a população entende que esse projeto precisa ter continuidade”, afirmou à coluna.
Daniel no centro
O presidente do MDB não esconde o objetivo do mutirão. Para ele, a nova leva de filiações ajuda a sustentar a candidatura do governador Daniel Vilela em outubro. O dirigente também faz uma projeção: o MDB teria hoje algo próximo de 800 mil votos entre militantes e simpatizantes. É conta de presidente de partido, claro, mas ajuda a entender a ambição da legenda.
Eleições no CREA-GO
Primeira mulher a disputar uma eleição no CREA-GO, Tatiana Jucá comemorou nas redes o apoio do atual presidente do Conselho Federal da entidade, Vinicius Marchese. “Estamos falando de alguém que conhece o sistema, entende os desafios da nossa categoria e escolheu acreditar em um projeto maduro, responsável e preparado para entregar resultados reais aos profissionais. E é por acreditar nessa construção coletiva que seguimos fortalecendo o nosso time”, destacou.
Nomes se mexem na segurança
A segurança pública começa a se organizar para 2026. Reeleito presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Goiás, Renato Rick se filiou ao Agir, partido que está na base do governador Daniel Vilela, e trabalha nos bastidores para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa. A pauta da reestruturação da Polícia Civil deve ser o eixo da pré-campanha.
Farda federal
Na ala militar, Subtenente Sérgio também se movimenta. Presidente reeleito da Assego, ele passou a ser tratado por aliados como nome para a Câmara dos Deputados. A aposta é levar para a disputa federal uma pauta conservadora, com base na segurança pública e na rede construída dentro da associação.
Retorno ao MDB
Dr. George Morais tratou a filiação ao MDB como um retorno às origens. Natural de Caiapônia, o deputado estadual lembrou que sua primeira filiação foi ao partido e disse que a mudança ocorreu após mais de 16 anos no PDT, em meio à nova conjuntura de redução e aglutinação das legendas.
Chapa difícil
George nega que tenha escolhido o MDB por facilidade eleitoral. Pelo contrário. Disse que a legenda terá a chapa “mais competitiva” para deputado estadual em 2026, mas afirmou que a decisão foi tomada por “convicção” e “coerência”, dentro do projeto político de Daniel Vilela.
2028 na mesa
Dr. George Morais foi além da filiação ao MDB e já colocou a eleição de 2028 no radar de Trindade. O deputado estadual afirmou que Jânio Darrot deve voltar a disputar a Prefeitura com apoio dele, da deputada federal Flávia Morais, de Daniel Vilela e, segundo disse, “pelas mãos do povo de Trindade”.
Recado a Marden
George também deixou uma cobrança pública ao atual prefeito Marden Júnior. Questionado por este colunista, se há chance de composição com o grupo governista municipal, o deputado disse esperar que sim. “Chegou a hora de ele pagar a sua dívida de gratidão com o Jânio e vir também apoiar, porque fica tudo em casa”, afirmou.












