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A mexida de Wilder Morais e o xadrez de 2026: a disputa pelo Palácio das Esmeraldas está em aberto


Por Rodrigo Zani em 18/02/2026 - 09:05

A trajetória política do senador Wilder Morais é marcada por movimentos táticos e reposicionamentos estratégicos. Empresário de origem, ele ingressou no centro do poder como suplente do então senador Demóstenes Torres e também ocupou cargo de secretário no governo de Marconi Perillo.

Wilder ascendeu ao Senado após a cassação de Demóstenes, tornando-se, na prática, um senador tampão — alguém que assumiu o mandato em circunstâncias excepcionais e com prazo político limitado. Ainda assim, aproveitou o período para construir relações e ampliar sua visibilidade estadual.

Em 2018, sem espaço na chapa do PSDB liderada por Marconi, rompeu com o grupo e buscou uma vaga ao Senado em aliança com o então candidato ao governo Ronaldo Caiado. Naquele ano, Caiado venceu a eleição no primeiro turno, surfando na onda conservadora que se espalhava pelo país. Wilder, porém, não teve o mesmo êxito: foi derrotado na disputa ao Senado, cujas vagas ficaram com Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru.

Ainda em 2018, a eleição de Jair Bolsonaro redesenhou o cenário político nacional. A ascensão da extrema direita ao poder reorganizou alianças, partidos e estratégias — com reflexos profundos em Goiás, estado de forte vocação conservadora e com peso decisivo do agronegócio empresarial na economia e na política. Wilder assumiu secretaria no governo Caiado e passou a se associar abertamente ao bolsonarismo, alinhando discurso e imagem ao novo campo hegemônico da direita.

Em 2022, essa estratégia tornou-se ainda mais explícita. Wilder colou sua imagem a nomes goianos do bolsonarismo, como o deputado Major Vitor Hugo e o deputado Gustavo Gayer, além de se vincular diretamente ao próprio Bolsonaro. O cálculo político deu resultado: conquistou uma vaga no Senado, desbancando nomes tradicionais da política goiana como Marconi Perillo e Delegado Waldir.

Hoje, Wilder é presidente do Partido Liberal (PL) em Goiás e senador da República. Atua em um estado onde o agronegócio tem enorme importância social, econômica e política — setor que se identificou fortemente com Bolsonaro e consolidou Goiás como território majoritariamente conservador, embora o presidente Luiz Inacio Lula da Silva ainda detenha capital eleitoral relevante na terra do pequi.

No entanto, o PL goiano está longe da unidade. Wilder trava uma disputa interna com a ala ligada a Gustavo Gayer. Esse grupo defende uma aliança com a base de Caiado, de olho numa eventual vaga ao Senado para Gayer e numa composição entre Caiado e Flavio Bolsonaro em um projeto nacional contra Lula em 2026.

Recentemente, Wilder esteve com Bolsonaro para tratar das eleições de 2026 — encontro cercado de simbolismo político. Segundo o senador, teria recebido o apoio do ex-presidente para disputar o Palácio das Esmeraldas. Isso, ao menos por ora, o fortalece internamente no PL e enfraquece o grupo de Gayer.

O próprio Gayer, entretanto, afirma ter recebido sinal verde de Bolsonaro para uma composição com Caiado, possivelmente integrando a chapa de Daniel Vilela ao governo de Goiás. Há, portanto, duas versões sobre a vontade do ex-presidente em relação às suas principais lideranças no estado.

Caso se consolide uma candidatura de Wilder impulsionada pelo bolsonarismo, a disputa tende a ganhar densidade. Outros nomes de peso também se movimentam.

Marconi Perillo, ex-governador por quatro mandatos, mantém traquejo político, discurso consistente e uma base capilarizada em praticamente todos os municípios goianos. Daniel Vilela, jovem, com apoio de Caiado e estrutura política robusta, surge como nome competitivo e, até aqui, sem grandes desgastes.

No campo da esquerda, o PT e a base de Lula ainda não definiram oficialmente seu nome, mas há expectativa em torno do ex-reitor da UFG, Edward Madureira, gestor experiente e respeitado em setores acadêmicos e administrativos. Se houver sintonia entre o candidato e o capital eleitoral de Lula no estado, o jogo pode se equilibrar.

Com quatro nomes competitivos — Daniel Vilela, Marconi Perillo, Wilder Morais e o representante petista — a disputa pode facilmente caminhar para um segundo turno.

Há ainda uma variável decisiva: o próprio Ronaldo Caiado, agora no Partido Social Democratico (PSD). Será candidato ao Senado? À Presidência da República? Integrará uma chapa como vice? Ou atuará como liderança nacional da direita contra Lula sem disputar cargo eletivo?

Sua decisão terá impacto direto no alinhamento das forças conservadoras em Goiás e no país.

As peças estão se movendo conforme o calendário eleitoral avança. O cenário permanece fluido, sujeito a rearranjos estratégicos e acomodações partidárias.

Mais do que acompanhar movimentações de bastidores, nós, cidadãos e eleitores, devemos exigir campanhas limpas, com projetos consistentes, propostas viáveis e debate de ideias qualificado — sem agressões ou desinformação.

O povo de Goiás merece lideranças preparadas e políticas públicas que impactem o cotidiano de quem trabalha, paga impostos e sustenta a estrutura do Estado. Em 2026, o xadrez político estará em aberto — e a decisão, como sempre, será soberana nas urnas.

Rodrigo Zani

É Secretário de Formação Política da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar do Brasil - UNICAFES

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