A trajetória política de Adriana Accorsi não pode ser compreendida sem voltar algumas décadas na história de Goiás e do próprio Partido dos Trabalhadores. É preciso relembrar a caminhada de seu pai, Darci Accorsi. Professor no município de Itapuranga, Darci ajudou a construir, ainda nos anos iniciais da redemocratização, as bases do Partido dos Trabalhadores no estado. Militante de origem popular, tornou-se uma das principais referências políticas do campo progressista goiano, chegando à prefeitura de Goiânia e deixando uma marca de gestão voltada à participação popular e às políticas sociais.
Esse DNA político moldou a formação de Adriana. Criada no ambiente da militância e da construção partidária, ela cresceu acompanhando o debate público e as lutas do campo progressista em Goiás. A política, para Adriana, nunca foi apenas um espaço institucional: sempre foi também uma missão.
Mas sua trajetória não se restringe ao legado familiar. Adriana Accorsi construiu carreira própria, sólida e respeitada. Delegada de carreira da Polícia Civil do Estado de Goiás, ela chegou ao posto de delegada-geral da instituição, função que lhe garantiu reconhecimento dentro da corporação e apoio significativo entre policiais civis no estado. Trata-se de uma experiência rara entre parlamentares: alguém que conhece profundamente o funcionamento do sistema de segurança pública não apenas pelo debate teórico, mas pela prática cotidiana.
Na política institucional, Adriana também acumulou experiência relevante. Foi deputada estadual por Goiás, sempre pelo Partido dos Trabalhadores — seu único partido ao longo de toda a trajetória política. Disputou a prefeitura de Goiânia com amplo apoio social e votações expressivas. Em 2022, foi eleita deputada federal, consolidando-se como uma das principais lideranças da esquerda no estado e, possivelmente, uma das figuras mais fortes do PT no país atualmente.
Um dos diferenciais de Adriana no cenário político brasileiro é a capacidade de tratar de um dos temas mais sensíveis da sociedade: a segurança pública. Diferentemente de grande parte do debate nacional — muitas vezes capturado por discursos ideológicos ou populistas — Adriana fala a partir da experiência concreta. Como delegada de carreira da reconhecida polícia civil goiana, ela apresenta dados, propõe políticas baseadas em evidências e conduz um debate equilibrado.
Essa credibilidade a colocou inclusive no radar de discussões nacionais. Seu nome já foi citado em diversas ocasiões como possibilidade para compor um eventual Ministério da Segurança Pública em governos do campo progressista. Na Câmara dos Deputados do Brasil, onde integra a bancada ligada ao debate da segurança pública, Adriana construiu respeito entre seus pares — inclusive entre parlamentares de posições ideológicas bastante distantes da esquerda.
Ao mesmo tempo, sua atuação não se restringe à pauta da segurança. Adriana mantém forte sensibilidade social, abraçando agendas de inclusão, participação popular e justiça social. É defensora histórica dos movimentos sociais e da reforma agrária, temas estruturais para o projeto político do Partido dos Trabalhadores. Nesse sentido, ela representa um raro ponto de equilíbrio: dialoga com temas institucionais complexos sem abrir mão das diretrizes históricas do partido.
No cenário eleitoral, é praticamente consenso que Adriana teria uma reeleição competitiva para a Câmara Federal. No entanto, o PT possui uma cultura política particular: quando há uma orientação estratégica do Diretório Nacional ou do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seus quadros costumam assumir missões políticas mais amplas. E Adriana, antes de tudo, é uma militante.
Nesse contexto, não seria surpresa se seu nome fosse convocado para uma tarefa maior: disputar o governo de Goiás.
A importância de uma candidatura competitiva do campo progressista no estado é evidente. O Brasil se aproxima de uma eleição presidencial que está longe de estar decidida. O bolsonarismo permanece ativo e tenta reorganizar sua força política nacional. Um dos nomes que desponta nesse campo é o de Flávio Bolsonaro, que busca apresentar-se com um perfil mais moderado em comparação ao pai, Jair Bolsonaro. Ainda assim, sua eventual ascensão representa, no fundo, a continuidade da agenda da ultradireita liderada pelo ex-presidente.
Em Goiás, esse cenário ganha contornos ainda mais intensos. O estado é governado por Ronaldo Caiado, adversário histórico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e uma das principais vozes da direita nacional. Caiado certamente terá papel ativo na articulação de um bloco conservador nas eleições presidenciais.
Sem uma candidatura consistente ao Palácio das Esmeraldas, o campo progressista corre o risco de assistir a uma eleição estadual de narrativa única, onde apenas a direita disputa o espaço político e pauta o debate público.
É justamente nesse ponto que uma eventual candidatura de Adriana Accorsi ao governo ganha relevância estratégica. Sua presença no pleito daria ao campo progressista uma alternativa viável e competitiva, capaz não apenas de disputar votos, mas de qualificar o debate político no estado.
Mais do que uma candidatura, seria a construção de um projeto político. Um projeto que apresentasse propostas para segurança pública, desenvolvimento social e fortalecimento da democracia em Goiás.
Se essa candidatura se consolidar, o debate político goiano deixará de ser um monólogo. Passará a ser, de fato, uma disputa democrática de ideias.
Para a esquerda em Goiás, seria uma oportunidade histórica. Para o Brasil, um sinal importante de vitalidade democrática. E para a democracia popular, uma candidatura como a de Adriana Accorsi pode representar exatamente aquilo que o momento exige: coragem política, experiência administrativa e compromisso social.














