Instituição é acusada de fraudes contábeis e descumprimento de direitos trabalhistas; Justiça autorizou bloqueio de até R$ 670 milhões
O Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, acumula R$ 1,94 milhão em débitos decorrentes de infrações trabalhistas registradas entre dezembro de 2019 e janeiro de 2025. De acordo com uma investigação da Repórter Brasil, a instituição é acusada de descumprir direitos como pagamento de horas extras, 13º salário, FGTS e concessão regular de descansos e folgas .
Uma fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, iniciada em 2024, analisou mais de 676 mil registros de jornada e identificou 26,1 mil irregularidades nos controles de ponto, sendo 13,9 mil relacionadas a excesso de jornada. Segundo a auditoria-fiscal Lívia Ferreira, houve indícios de fraude no banco de horas para ocultar expedientes superiores a dez horas diárias, além de casos de funcionários submetidos a até 16 dias consecutivos de trabalho e 15 domingos seguidos sem descanso. As irregularidades atingem cerca de 500 trabalhadores, entre empregados ativos e ex-funcionários.
Operação Miragem da PF mira fraudes contábeis
Além das questões trabalhistas, o Digimais foi alvo de mandados de busca e apreensão na Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal em 23 de junho. A investigação apura supostas fraudes contábeis para mascarar a situação financeira da instituição. Mais de 50 policiais federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, expedidos pela Justiça Federal.
A Justiça Federal autorizou o bloqueio de até R$ 670 milhões em bens dos investigados, além do afastamento dos sigilos bancário e fiscal. As investigações, subsidiadas por relatórios do Banco Central, apontam que os dirigentes teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição e aparentar solvência perante os órgãos de controle . O rombo estimado é de R$ 8,5 bilhões.
Entre os alvos das buscas estão João Urbaneja, homem de confiança de Edir Macedo, e seu filho, Thiago Urbaneja, além de executivos do banco e sócios da ID, gestora dos fundos ligados à instituição . Edir Macedo não foi alvo de buscas por residir nos Estados Unidos, mas teve seu pedido de quebra de sigilo fiscal autorizado.
O que dizem as defesas
Em nota, a Igreja Universal do Reino de Deus afirmou que Edir Macedo não integra a administração executiva do banco e que a condução das atividades é de responsabilidade exclusiva dos executivos habilitados. A nota também acusou veículos de comunicação de divulgar notícias falsas, tendenciosas e maldosas sobre o caso.
O Banco Digimais afirmou que permanece à disposição das autoridades e reafirmou seu compromisso com a transparência.
LEIA MAIS:
André Mendonça determina transferência de Daniel Vorcaro para a Papudinha













