Em entrevista à Tribuna do Planalto, concedida na sede do jornal, o presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Bruno Peixoto (UB), confirma que será candidato a deputado federal em 2026 e descarta qualquer possibilidade de disputar a vice-governadoria na chapa de Daniel Vilela. Segundo ele, a escolha do vice será uma decisão direta do governador Ronaldo Caiado, com base em nomes de sua confiança.
Durante a conversa, Peixoto fala sobre as alianças partidárias em discussão para a próxima eleição, destaca pautas que pretende defender no Congresso — como a redução de impostos, o fortalecimento dos municípios e o direito à posse de armas — e comenta as mudanças implementadas na gestão da Alego, como o corte de gratificações, o ponto eletrônico e o aumento da carga horária dos servidores.
O deputado também aborda temas nacionais, como a pré-candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República, a operação policial no Rio de Janeiro e a criação do Consórcio da Paz, destacando o protagonismo de Goiás na área da segurança pública. Peixoto ainda detalha a proposta de devolução de R$ 600 milhões do duodécimo da Assembleia, com destinação a obras estruturantes indicadas pelos parlamentares.
O senhor anunciou que será candidato a deputado federal, mas antes disso alguns deputados defendiam o seu nome para vice-governadoria. A candidatura é mesmo para a Câmara Federal?
Sem sombra de dúvidas. Vamos disputar no próximo ano uma cadeira para a Câmara Federal. E eu te digo o porquê. O vice-governador do Daniel Vilela será indicado pelo governador Ronaldo Caiado. E tem que ter todo um conhecimento de governo, tem que ter uma ligação muito próxima com o governador Ronaldo Caiado, com o Daniel Vilela. Eu tenho essa ligação, porém a minha vontade é conhecer a Câmara Federal, participar dos debates nacionais. Por isso, em 2026, vou colocar o meu nome para deputado federal. Esse é o nosso objetivo.
Pretende disputar por qual partido? Antes havia a possibilidade de se filiar no Avante e, mais recentemente, o senhor tem mantido conversa com o Solidariedade e PRD. Já está definido?
Eu tenho uma amizade muito grande com Thialu Guiotti (Avante), com Jorcelino Braga (PRD) e com Denes Pereira (Solidariedade). Porém, todas essas decisões ficarão para o próximo ano, decididas juntamente com o governador Ronaldo Caiado, que é evidente, estará nos orientando o melhor caminho, até mesmo por sua experiência. Essa decisão será tomada no próximo ano. Agora, evidentemente, estou mantendo diálogo com seis partidos muito próximos. Eu tenho uma proximidade muito grande com a Federação Solidariedade-PRD, o diálogo está em fase avançada, de igual modo com o Avante. Mas evidentemente que tudo será sob orientação do Governador Ronaldo Caiado.
O senhor publicou vídeo em que se posiciona contrário ao aborto. A ideia é dialogar com esse eleitorado de direita?
Eu sou contra o aborto, a favor da vida. Que todo cidadão e cidadã de bem, após as análises, certidões, toda a documentação, tenha o direito de ter em sua residência, em sua chácara, em sua fazenda, em seu sítio, em seu comércio, uma arma de fogo. Que ele tenha o direito à posse de uma arma de fogo para defender o seu patrimônio, para defender a sua família. Eu tenho muitas pautas que quero defender no cenário nacional; temos que reduzir os impostos para os brasileiros e brasileiras e fortalecer os municípios. Ou seja, a maior fatia de recursos tem que ir para os municípios, para as cidades, que é onde a população vive. Sou formado em economia, sou pós-graduado em gestão e controladoria e também sou advogado. Tenho muitas pautas que eu quero defender no cenário nacional.
O senhor tem andado muito nos municípios, tem recebido queixas sobre a diminuição do FPM? Seria bandeira dos prefeitos que apoiam o senhor um melhor financiamento para os municípios?
Eu acho que nós temos que fazer uma redistribuição em relação a toda arrecadação referente aos impostos, sejam municipais, estaduais e federais. Primeiro, eu defendo uma redução da carga tributária, e que a maior parte dos recursos sejam para os municípios, para as cidades. Porque a população vive na cidade. Quando você vai no posto de saúde, vai no posto de saúde do município; você inicia a educação em uma escola municipal; a creche é do município; o asfalto, do município; toda a estrutura de iluminação pública, do município; as praças do município. Pode-se observar que a infraestrutura para qualidade de vida se encontra nos municípios. Está errado. Nós precisamos fortalecer a estrutura dos municípios e a fatia maior da arrecadação, no meu entender, tem que ir para os municípios e não ficar na União. Defendo redução da carga tributária, reduzindo a carga tributária, teremos um aumento, sem sombra de dúvidas, de investimento por parte dos empresários, dos comerciantes e vamos ampliar a geração de emprego. Ampliou a geração de emprego, vamos aumentar ainda mais o recurso movimentado em relação ao comércio e aos serviços. E vamos ter aí, sem sombra de dúvidas, uma ampliação na arrecadação. Quando se reduz a carga tributária e incentiva o investimento na indústria, no comércio, nos serviços, você gera mais emprego. Com mais emprego, maior é o número de pessoas recebendo salários e girando a economia. Precisamos ter coragem de enfrentar essa pauta, mas com seriedade, o que fortalece os municípios, e não a União.
A gestão do senhor à frente da Alego ampliou benefícios para servidores e para parlamentares. Há outra reforma que o senhor pretende implementar até o final da sua gestão?
Em relação aos cargos comissionados, é bom observar que nossa folha de pagamento, entre as Assembleias Legislativas, é a décima segunda folha de Assembleia Legislativas, incluindo a Câmara Distrital, que é a Assembleia Legislativa do Distrito Federal. De 27, nós somos a décima segunda. E vou explicar o porquê.
Mas lidera em número de servidores.
Em número de servidores, nós somos a maior. Em folha de pagamento, somos a décima segunda. Os deputados e deputadas fizeram uma opção, número maior de servidores, com salários menores. Esse foi o nosso objetivo, para que tivéssemos assessores e assessoras nas 246 cidades do nosso estado, atendendo às mais de 7 milhões de habitantes. Foi uma opção. A Câmara Distrital tem um terço do número de servidores da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás., porém, a folha de pagamento da Câmara Distrital, que é a Assembleia Legislativa do Distrito Federal, é superior ao da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás. São opções de gestão. Os deputados e deputadas optaram por número maior de servidores com salários menores em relação aos servidores e servidores. Dos servidores efetivos, evidentemente, cortamos em toda a assembleia, não somente dos servidores efetivos. Cortamos hora extra, reduzirmos gratificações, implantamos o ponto eletrônico facial. Foram várias as mudanças que fizemos; aumentamos a carga horária de trabalho. Hoje, a Assembleia Legislativa abre às 6h da manhã para os servidores e às 23h, encerra o expediente no gabinete, inclusive aos sábados, domingos e feriados. Antes da nossa gestão, a assembleia funcionava de segunda a sexta, das 7h às 20h. Nós estamos trabalhando em tempo integral. Nós somos deputados e exercemos o mandato 24 horas. E a nossa equipe tem que estar pronta e apta também para nos ajudar a resolver as demandas horas solicitadas.
O senhor tem alguma preocupação em relação ao deslocamento dos deputados no avião da Assembleia? Há orientação aos deputados?
Em relação a aeronave não tem.
Há preocupação sobre o uso político dessa aeronave para agendas mais políticas do que legislativas ou administrativas?
Sim, esse cuidado nós estamos tomando. No ano passado, durante o período eleitoral das eleições municipais, foi proibido a utilização da aeronave. De igual modo, em 2026, nos três meses que antecedem a eleição, também está determinantemente proibido. A aeronave pode ser utilizada para representação do Parlamentar em determinadas ações que levam o nome da Assembleia Legislativa e, evidentemente, ele estará ali ouvindo as demandas da população e personificando em requerimento ou projetos de lei. O uso da aeronave tem toda uma legislação própria e todos os voos são totalmente monitorados, são totalmente regulamentados e divulgados no Portal da Transparência, já que nós temos o selo Diamante de Transparência. Assembleia Legislativa com maior transparência do nosso país. Nós somos a primeira assembleia do país com 100% de compliance.
Não há de se dizer que o governador fez todas as ações de uma maneira isolada, foi em comum acordo com os deputados e deputadas.
Qual o perfil de vice para Daniel Vilela que o senhor defende?
No meu entender, o vice será indicado pelo governador Ronaldo Caiado. Tem alguns nomes: Adriano Rocha Lima, José Mário Schneider, Luiz Carlos do Carmo. Nós temos Adib Elias e Paulo do Vale. Até o momento, esses cinco têm mostrado vontade de atuar na vice. Porém, a decisão será do governador Ronaldo Caiado.
O senhor não tem vontade?
Zero vontade de ocupar a vice. Vou disputar a eleição de deputado federal. Até mesmo porque, a partir do dia primeiro de abril, eu já exercerei a função de vice-governador. Teoricamente, a partir de abril do próximo ano, serei vice-governador. Então, preciso disputar o mandato de deputado federal.
O senhor anunciou que pretende fazer a devolução das sobras do duodécimo, em torno de 600 milhões, no início do ano que vem. Mas teria vinculado ao carimbo de obras, com indicação dos parlamentares. Isso gerou ruído na Praça Cívica. Faltou combinar com o governador Ronaldo Caiado?
Eu tenho conversado com Daniel Vilela e ele entende que é importante para obras estruturantes, para duplicações das rodovias goianas, e que não sejam obras de valores menores, mas que sejam valores consideráveis e obras estruturantes. Nós estamos dialogando nesse sentido.
A ideia é um consórcio de deputados indicar uma obra ou um conjunto de obras estruturantes?
A ideia é que os deputados e deputadas indiquem algumas obras estruturantes nesse valor de R$ 600 milhões. Entre elas, a duplicação até a cidade de Catalão, duplicação até a cidade de São Miguel do Araguaia, duplicação até a cidade de Nova Veneza, duplicação até a cidade de Silvânia, duplicação até a cidade de Iporá. São sugestões que nós faremos ao governo.
A ideia é que os deputados e deputadas indiquem algumas obras estruturantes nesse valor de R$ 600 milhões.
O senhor pretende presidir o partido ao qual, eventualmente, decidir se filiar?
Sim, o diálogo está nesse sentido. Tanto o Avante, quanto o Solidariedade e PRD e outros partidos que estamos dialogando. Mas tudo isso será com anuência e orientação do governador Ronaldo Caiado, até mesmo se permanecer no União Brasil.
Considera que a pré-candidatura do governador Ronaldo Caiado à Presidência da República tem musculatura para seguir em frente?
O governador Ronaldo Caiado com certeza será candidato. A pauta da segurança pública é uma pauta que a direita tem como bandeira e pode-se observar que o estado de Goiás é o número um do Brasil em segurança, com todas as matérias aprovadas na Assembleia Legislativa. O governo do Estado de Goiás caminha de mãos dadas com a Assembleia Legislativa. Não há de se dizer que o governador fez todas as ações de uma maneira isolada, foi em comum acordo com os deputados e deputadas que participaram das transformações que aconteceram em nosso estado. Sim, eu tenho certeza que o governador Ronaldo Caiado está crescendo nas pesquisas e, com essa pauta da segurança pública latente, será ainda maior o crescimento nas pesquisas.
O governador do Rio tem que reassumir sim todas as comunidades, trazer para o controle do governo e não deixar que as facções tomem conta.
Como o senhor avalia a operação que foi realizada no Rio de Janeiro e, depois, o desdobramento político com a criação do Consórcio de Paz, propositura de governadores, incluindo Caiado?
Os brasileiros e brasileiras estão carentes de segurança pública. O estado de Goiás é o número um em segurança pública. E o governador Ronaldo Caiado tem essa bandeira, inclusive a nível nacional. Isso é um ponto muito positivo. Eu avalio de uma maneira positiva a megaoperação. É inadmissível o narcotráfico comandar o estado do Rio de Janeiro. O governador (Cláudio Castro) está coberto de razão. Ele tem que trazer o comando para o Estado. Não dá para ficar na mão dos comandos, para que o Comando Vermelho, as facções criminosas, tenham o controle das comunidades. Isso é inadmissível. O governador do Rio está coberto de razão. Agiu da maneira correta e tem que reassumir sim todas as comunidades, trazer para o controle do governo e não deixar que as facções tomem conta. Espero que haja mais ações planejadas, bem executadas, a exemplo do que ocorreu.















