A campanha eleitoral começa oficialmente neste domingo (16), quando candidatos aos diferentes cargos em disputa em Goiás passam a intensificar a busca por votos e apoio nos municípios. Para as disputas proporcionais, de deputado estadual e federal, e para o Senado, a campanha segue até 2 de outubro, enquanto os cargos majoritários, como governador e presidente da República, podem ter a disputa estendida para um eventual segundo turno. Nesse cenário, entram em destaque os chamados cabos eleitorais, ou seja prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, deputados e lideranças de segmentos como de igrejas e do agronegócio, responsáveis por apresentar candidatos, mobilizar eleitores e ampliar a presença das campanhas nos municípios.
Para o cientista político Pedro Célio Borges, professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), a capacidade de um cabo eleitoral está diretamente relacionada ao capital político que ele acumulou e à confiança que possui junto à população. Na avaliação do docente, o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) e o presidente Lula (PT) são hoje os dois principais nomes capazes de exercer esse papel em Goiás, ainda que em campos políticos distintos.
TRIBUNA DO PLANALTO
Quando falamos em cabo eleitoral em uma eleição para governador, quem são hoje as figuras que realmente têm capacidade de influenciar o voto em Goiás? Prefeitos, setor do agro, lideranças religiosas?
PEDRO CÉLIO
Se você observar as comunidades, verá que são segmentos diferentes que constituem o corpo social. Em cada segmento existem lideranças que se destacam pela capacidade de organizar pessoas, mobilizar e indicar caminhos. Há chefes de igreja, pais de família nas comunidades mais tradicionais, empresários e, onde existe maior nível de associativismo, a própria conversa entre as pessoas exerce grande influência.
Em Goiás, os políticos mais influentes são aqueles que demonstram maior capacidade de comunicação com a população e têm aprovação. Quando você observa as pesquisas e identifica os políticos mais bem avaliados, encontra alguns prefeitos e deputados.
Então podemos pensar que o cabo eleitoral é uma via de mão dupla, em que o candidato precisa do apoio de um prefeito e o prefeito também precisa do candidato?
As forças que têm mais capital são aquelas que influenciam mais. No mundo da política ocorre algo parecido com o que acontece na religião e no mundo empresarial: as pessoas que dispõem de mais recursos e que definem aquele campo social são as que influenciam mais. Os grandes empresários, por exemplo, têm mais dinheiro, empregos e benefícios para oferecer. São eles que movimentam aquele mercado com mais intensidade. Na política, esses também são os bons cabos eleitorais.
Essa relação entre cabo eleitoral e candidato continua tendo força diante do crescimento das redes sociais?
Continua, porque estamos falando de algo típico das relações humanas: uma pessoa confiar na outra e oferecer seu apoio. O que mudou foram os recursos tecnológicos utilizados para manifestar esse apoio. Antigamente, isso ocorria pela conversa pessoal, por sinais de fumaça, tambores. Hoje ocorre também pelas redes sociais e pela internet. Em sociedades grandes e complexas, essas tecnologias são essenciais para que uma manifestação de confiança alcance um público maior.
Ronaldo Caiado e o presidente Lula são os dois grandes cabos eleitorais em Goiás
Muitos candidatos ao governo, deputados estaduais e federais investem no chamado municipalismo, buscando lideranças nos municípios. Isso pode ser decisivo para uma eleição?
Na verdade, é isso que o cabo eleitoral faz diariamente. Quando um candidato chega a uma cidade onde não conhece as pessoas, normalmente precisa que alguém o apresente. E quem vai fazer essa apresentação? Alguém que seja daquele lugar e tenha a confiança dos moradores. Isso continua sendo decisivo para a estrutura da rede política.
E hoje, em Goiás, quem o senhor considera capaz de fazer isso de maneira mais efetiva?
Sem dúvida, o ex-governador e candidato a presidente Ronaldo Caiado (PSD). Candidatos a deputado estadual, por exemplo, querem que ele os apresente à população de Goiás e diga: “Esse aqui é o meu candidato”. No campo da oposição ou da esquerda, também existe o interesse em tirar fotografias e divulgar a imagem ao lado do presidente Lula (PT). Então, Ronaldo Caiado e o presidente Lula são os dois grandes cabos eleitorais em Goiás.
O que vale mais: uma série de fotografias com prefeitos e lideranças ou um prefeito capaz de mobilizar milhares de eleitores nas ruas e nas urnas?
Isso depende muito do acordo que foi feito. Pode haver eficácia na fotografia em um lugar e, em outro, não. De qualquer maneira, o que importa nessa relação é que existe uma troca de benefícios. Aquele que vota com o candidato pode receber a promessa ou até alguns recursos e benefícios, e o cabo eleitoral devolve isso na forma de voto.
Professor, a experiência política de Marconi Perillo, que foi governador, ainda pode influenciar sua relação com cabos eleitorais?
Pode. O Marconi precisa usar os recursos que adquiriu ao longo da vida política. O maior recurso que ele tem hoje é justamente o período em que esteve no governo. Ele precisa mostrar que deixou um legado positivo. Esse é um grande recurso eleitoral que ele tem para oferecer à população.









