A ampliação da educação em tempo integral passou a integrar a estratégia da política educacional de Goiás a partir de 2019. Um diagnóstico inicial da rede estadual identificou a necessidade de adequação da infraestrutura e reorganização do modelo pedagógico das escolas que ofertavam jornada ampliada. A partir desse levantamento, o governo estadual iniciou um processo de reformas estruturais, reorganização administrativa e aprovação de nova legislação específica para a modalidade.
Os dados mais recentes do Censo Escolar 2025, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), indicam que a rede estadual consolidou a expansão do modelo. Atualmente, Goiás possui 775 escolas com estudantes em período integral, que atendem 84.230 alunos com jornada diária superior a sete horas.
O indicador também revela a abrangência da política educacional no estado. Segundo o levantamento, mais de 80% das escolas estaduais contam com estudantes matriculados em regime de educação integral. A oferta ocorre em três formatos: unidades com jornada de nove horas diárias, escolas com sete horas de atividades e o modelo de jornada ampliada, que cumpre os critérios previstos na legislação estadual.
A secretária estadual da Educação, Fátima Gavioli, afirma que a expansão resulta do planejamento da rede e de investimentos realizados nos últimos anos. Segundo ela, a ampliação da jornada escolar está associada ao desenvolvimento pedagógico e à organização do projeto de vida dos estudantes.
O avanço da política de educação integral em Goiás ocorre em um contexto de crescimento nacional da modalidade. No Brasil, o Censo Escolar 2025 mostra que 25,8% das matrículas da rede pública de educação básica já ocorrem em tempo integral. O percentual representa a primeira vez que o país ultrapassa a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que previa atingir pelo menos 25% dos alunos nessa modalidade.
No total, mais de 8 milhões de estudantes brasileiros estão matriculados em escolas públicas com jornada ampliada. O crescimento foi registrado em todas as etapas da educação básica, incluindo educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.
A comparação entre os dados evidencia diferenças no ritmo de expansão entre as redes estaduais. Enquanto a média nacional considera a proporção de matrículas, Goiás apresenta ampla cobertura territorial do modelo, com presença da educação integral na maioria das escolas estaduais.
Entre os estados brasileiros, alguns registram percentuais mais elevados de matrículas em jornada ampliada. O Piauí lidera o ranking nacional, com 56,5% das matrículas da rede pública em tempo integral, somando 341.909 alunos entre educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. No ensino médio regular, o estado alcança 75,1% das matrículas nessa modalidade.
O Ceará aparece na sequência, com 53,1% das matrículas em tempo integral na rede pública. O estado também registrou expansão significativa nos anos finais do ensino fundamental. Entre 2021 e 2025, o percentual de matrículas nessa etapa passou de 34,3% para 74,9%, crescimento de 40,6 pontos percentuais.
Apesar das diferenças metodológicas entre redes estaduais, o avanço nacional da educação integral está associado a políticas federais de indução da modalidade. O Programa Escola em Tempo Integral, coordenado pelo Ministério da Educação, incentiva a criação de matrículas com jornada igual ou superior a sete horas diárias em todas as etapas da educação básica.
A política prevê assistência técnica e transferência de recursos para estados e municípios que implementam o modelo. O objetivo é ampliar o tempo de permanência dos estudantes na escola, priorizando unidades localizadas em territórios de maior vulnerabilidade socioeconômica.
Especialistas apontam que a ampliação do tempo escolar representa uma mudança estrutural na organização da educação pública. A coordenadora da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Andressa Pellanda, avalia que a política amplia as oportunidades de aprendizagem e pode contribuir para reduzir desigualdades educacionais.
Segundo Pellanda, a expansão exige financiamento permanente para garantir infraestrutura adequada, alimentação escolar, materiais pedagógicos e valorização dos profissionais da educação. Sem investimentos contínuos, a ampliação da jornada corre o risco de permanecer restrita a parte das escolas.
A implementação da educação integral também envolve desafios pedagógicos. Pesquisadores e gestores apontam que o modelo exige reorganização curricular e integração entre as atividades da jornada regular e do contraturno. Em muitas redes, as escolas ainda dividem a rotina entre aulas tradicionais e oficinas complementares, o que limita o potencial pedagógico da proposta.
As diretrizes nacionais publicadas em 2025 orientam que o currículo da educação integral seja estruturado de forma integrada, incluindo atividades culturais, esportivas, tecnológicas e projetos interdisciplinares. A proposta prevê que o projeto pedagógico das escolas reflita o território e a realidade social dos estudantes.
Nesse cenário, a consolidação do modelo depende da articulação entre políticas federais, estaduais e municipais. A regulamentação do Sistema Nacional de Educação e a aprovação do novo Plano Nacional de Educação devem estabelecer parâmetros para expansão da modalidade nos próximos anos.
Enquanto o país amplia gradualmente o número de matrículas em jornada ampliada, os dados indicam que alguns estados já operam com cobertura ampla da modalidade. Em Goiás, a presença da educação integral na maior parte das escolas estaduais mostra a consolidação de uma política educacional que busca reorganizar o tempo e as condições de aprendizagem na rede pública.
Infraestrutura escolar acompanha expansão do tempo integral em Goiás
A expansão da educação integral em Goiás ocorreu paralelamente a investimentos em infraestrutura escolar realizados desde 2019. Dados do Censo Escolar 2024 indicam que os recursos aplicados na rede estadual ultrapassaram R$ 10 bilhões, destinados à melhoria estrutural das unidades de ensino.
Os investimentos alcançaram 969 escolas distribuídas nos 246 municípios goianos. Entre os principais avanços apontados pelo levantamento está a universalização do acesso à água tratada nas unidades escolares da rede estadual. Atualmente, 100% das escolas contam com abastecimento regular.
Outros indicadores mostram avanços nas condições estruturais das unidades. Cerca de 58% das escolas possuem rede pública de esgoto, 39% contam com projetos de tratamento de resíduos e 99% têm coleta regular de lixo.
A conectividade também registra níveis elevados. Segundo o levantamento, 99,6% das escolas públicas goianas possuem acesso à internet, índice superior à média nacional.
Os dados indicam que a ampliação da jornada escolar ocorre em paralelo a mudanças na infraestrutura das escolas. A reorganização do tempo de permanência dos estudantes exige adaptações físicas e operacionais, incluindo refeitórios, espaços de convivência, laboratórios e ambientes destinados a atividades culturais e esportivas.
A combinação entre ampliação da jornada e melhoria estrutural das unidades integra a estratégia adotada pela rede estadual para consolidar o modelo de educação integral nas escolas públicas.















