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Comando Vermelho domina garimpo ilegal em terra indígena e usa ouro como moeda do crime, aponta PF

Facção controla área na Terra Indígena Sararé (MT), utiliza ouro para comprar armas e drogas e impõe violência às aldeias; operação federal já apreendeu 153 kg de ouro e prendeu 72 pessoas


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 29/06/2026 - 13:00

Comando Vermelho domina garimpo ilegal em terra indígena e usa ouro como moeda do crime, aponta PF
Comando Vermelho domina garimpo ilegal em terra indígena e usa ouro como moeda do crime, aponta PF - Foto: Reprodução/MONGABAY

Facção controla área na Terra Indígena Sararé (MT), utiliza ouro para comprar armas e drogas e impõe violência às aldeias; operação federal já apreendeu 153 kg de ouro e prendeu 72 pessoas

A Terra Indígena Sararé, no oeste de Mato Grosso, enfrenta uma nova e violenta ameaça. O Garimpo Cururu, um dos principais pontos de extração ilegal de ouro na região, passou a ser controlado pelo Comando Vermelho (CV). A informação foi divulgada pela Polícia Federal (PF) ao Fantástico neste domingo (28), em uma reportagem que acompanhou uma megaoperação no território .

A facção, que inicialmente atuava como segurança armada dos garimpeiros, ampliou sua presença e dominou áreas de mineração ilegal. Segundo as investigações, o ouro extraído ilegalmente é utilizado para financiar outras atividades criminosas da organização.

“Eles utilizam ouro como moeda de troca, para encaminhar o ouro a países vizinhos e receber de volta um entorpecente ou armamento”, afirmou Rodrigo Vitorino, delegado da Polícia Federal, na reportagem do Fantástico .

A exploração ilegal na região era tão agressiva que um dos locais passou a ser chamado de “vila”, com estrutura de bar, comércio e farmácia. O território também conta com túneis escavados para a exploração do ouro, usados pela facção para esconder armas e munições .

Operação federal e impactos

A megaoperação coordenada pela Casa Civil do governo federal combate os crimes na região desde março. O Fantástico foi a primeira equipe de reportagem a se aproximar do local desde o início da ação .

Os resultados da operação incluem a apreensão de mais de 42 mil litros de óleo diesel e 153 kg de ouro, além da destruição de 33 túneis, quase 4 toneladas de explosivos, 200 acampamentos, mais de 800 motores e 31 máquinas de escavação. A investigação também prendeu 72 pessoas e estima que o prejuízo para o garimpo ilegal ultrapasse R$ 110 milhões .

Violência e devastação ambiental

A presença do Comando Vermelho impõe uma rotina de violência às aldeias do povo Nambikwara, que são os legítimos donos do território desde sua demarcação em 1985. A terra indígena ocupa uma área de 67 mil hectares, com 1.117 pontos de garimpo .

Além da violência, a atividade criminosa causa enorme impacto ambiental. O uso de mercúrio e cianeto deixa consequências que podem durar séculos. “Pode demorar centenas de anos para que a área volte a se recuperar e permita o retorno de parte da flora e da fauna”, afirmou Sérgio Suzuki, agente do Ibama, na reportagem.

“Arrebentou toda a natureza, acabou. Ficou muito difícil para a gente sobreviver”, disse um indígena que não quis mostrar o rosto por motivos de segurança.

O governo do Mato Grosso afirmou que está construindo uma base policial em um dos acessos da Terra Indígena Sararé para integrar as forças estaduais e federais.

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