Vereadores de Goiânia discutiram em plenário o encerramento antecipado da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura o contrato da Prefeitura com o Consórcio LimpaGyn. As manifestações, que ocorreram durante sessão ordinária desta quinta-feira (18), envolveram críticas à condução da comissão e à pauta da Comissão de Finanças.
O vereador Igor Franco (MDB), ex-líder do prefeito Sandro Mabel (UB), questionou o conteúdo já conhecido dos trabalhos e afirmou que houve irregularidades não reconhecidas pela CEI. “Foi confirmado naqueles seis caminhões colocando terra para poder pesar e o contribuinte de Goiânia pagar. Como que não encontrou nada?”, disse. Ele também criticou o desfecho da comissão, afirmando que vai “acabar novamente um anseio em pizza. Uma vergonha o que o parlamento está entregando para a população de Goiânia.”
Igor também direcionou críticas à Comissão de Finanças, presidida pelo vereador Welton Lemos (SD), apontando a ausência de votação sobre a revogação da taxa do lixo. “Quando eu vejo a Comissão de Finanças, uma das mais importantes da Câmara Municipal, fazer sua convocação e deixar de fora da convocação a revogação dessa taxa absurda de limpeza pública, é um absurdo”, afirmou. “Que cada um se defina, vote, não sejamos covardes em colocar o nosso digital naquilo em que acreditamos.”
Em resposta, o vereador William Veloso (PL), relator da CEI do LimpaGyn, afirmou que as declarações antecipam conclusões antes da finalização do relatório. “Em relação à CEI da LimpaGyn, ele foi fazer um juízo adiantado de que a CEI vai terminar em pizza. Ela é, no mínimo, desrespeitosa com a nossa comissão”, declarou.
Segundo Veloso, as denúncias mencionadas por Igor Franco não foram comprovadas no curso dos trabalhos. “No relatório vai estar contido o que realmente aconteceu, o que realmente a gente encontrou e o que realmente não encontrou”, disse.
O relator também afirmou que não participou da comissão para produzir conclusões prévias. “Eu não me propus a fabricar uma CEI para servir de palanque”, declarou, acrescentando: “Agora, se é terminar em pizza aquilo que não foi encontrado, inventar que encontrou, isso aí eu não vou fazer.”
O vereador Pedro Azulão Jr. (MDB), membro da CEI, também se posicionou em defesa da comissão. “Eu trabalhei, eu investiguei, eu conheço o contrato, eu vi todo o trâmite até ser colocada essa empresa para gerenciar a limpeza”, afirmou. Ele ressaltou que o prazo da CEI ainda está vigente. “Nós estamos, sim, com a comissão ainda em andamento, e o seu prazo para vencer termina na sexta-feira”, disse.
Azulão afirmou ainda que os integrantes da comissão permanecem abertos a apurações adicionais. “Me mostra uma denúncia. Eu não tenho compromisso com erro, com ninguém”, declarou. Segundo ele, os membros da CEI não aceitarão interferências externas antes da apresentação do relatório final.
Pauta travada
Igor Franco também criticou a atuação da Comissão de Finanças da Câmara Municipal de Goiânia, afirmando que a pauta do colegiado estaria alinhada exclusivamente às demandas do Executivo. Segundo ele, matérias de interesse do Paço Municipal avançam com rapidez, enquanto outros temas permanecem fora da agenda de votação.
“A Comissão de Finanças só pauta aquilo que o prefeito manda. Pautou rapidamente a Cosip, pautou rapidamente os 132 milhões de empréstimo, um absurdo, e pautou rapidamente uma realocação, um remanejamento de verba pública de 21 mil reais, onde é uma cortina de fumaça porque está escondendo por detrás a criação de rubricas para vender o patrimônio de Goiânia”, afirmou o parlamentar.













