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Entidades acionam Justiça contra aumento do combustível em Goiás

Governo aciona Cade para analisar reajustes praticados por distribuidoras sem comunicado da Petrobras


Dhayane Marques Por Dhayane Marques em 10/03/2026 - 15:20

etanol - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

aumento do combustível em Goiás atingiu patamar inédito nos últimos dias. O diesel passou a ser vendido a R$ 8,48 o litro em alguns postos, e a gasolina também registrou elevações expressivas. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto) informou que distribuidoras reajustaram o preço do diesel de R$ 5,20 para até R$ 7,15 por litro a partir de 2 de março. Os aumentos ocorreram sem aviso prévio e sem que a Petrobras anunciasse qualquer alteração em suas refinarias. A Federação da Agricultura e Pecuária (Faeg) protocolou representação no Procon Goiás e anexou notas fiscais que comprovam a disparidade de valores.

Em nota oficial, o Sindiposto esclareceu a posição dos revendedores. O documento informa que “diversas distribuidoras promoveram aumentos expressivos nos preços de venda de gasolina e diesel aos postos revendedores, sem qualquer anúncio prévio de reajuste nas refinarias da Petrobras e, em muitos casos, sem comunicação antecipada”. A nota também alerta que “postos de combustíveis enfrentaram restrições nas entregas por parte de algumas distribuidoras, que limitaram volumes ou retardaram o atendimento dos pedidos”.

Segundo o Sindiposto, esse aumento comprometeu a previsibilidade operacional dos estabelecimentos em momento de elevada demanda. O sindicato ressaltou que “os preços de combustíveis no Brasil são livres em todos os elos da cadeia de comercialização”, mas enfatizou que “os postos revendedores não possuem ingerência sobre os preços praticados pelas distribuidoras, tampouco sobre eventuais restrições de fornecimento”. A nota conclui com a manifestação de “preocupação com a atual situação” e reforça que “os postos revendedores dependem da regularidade no fornecimento e de previsibilidade nas condições comerciais para garantir o abastecimento da população”.

O aumento do combustível provocou reação do governo federal. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que analise a conduta das distribuidoras em quatro estados e no Distrito Federal. O governo busca investigar se há indícios de infração à ordem econômica, como combinação de preços entre concorrentes, uma vez que a Petrobras manteve inalterados os valores praticados em suas refinarias.

O presidente do Sindiposto, Márcio Andrade, declarou que o setor foi surpreendido com os reajustes. “Nós nos antecipamos e explicamos ao Procon que a origem do problema não está nos postos. O revendedor também é vítima”, afirmou. Ele destacou que cópias de notas fiscais foram enviadas aos órgãos fiscalizadores para demonstrar a disparidade de valores antes do aumento, que ocorreu sem comunicado prévio e sem os alertas que antecedem reajustes de combustíveis no Brasil.

Esse aumento também preocupa especialmente o agronegócio goiano, que atravessa período de colheita da soja e plantio da segunda safra. A Faeg alertou que o diesel é insumo essencial para máquinas e transporte, e que a alta nos preços pressiona os custos de produção, com potencial reflexo no valor final dos alimentos. O governo federal, por meio do Cade, deverá avaliar nos próximos dias se as distribuidoras agiram dentro da legalidade ou se praticaram condutas que prejudicam a livre concorrência. O Procon Goiás informou que monitora a situação e pode autuar estabelecimentos em caso de prática abusiva, conforme prevê o Código de Defesa do Consumidor.

Dhayane Marques

Dhayane Marques é jornalista formada pela PUC-GO. Atualmente é Diretora de Programas da TV Pai Eterno e repórter no jornal Tribuna do Planalto e Tribuna de Anápolis, nas editorias de cidades, educação, economia, agro, diversão e arte.

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