O Brasil quase dobrou o número de médicos entre 2010 e 2024, passando de 304.406 para 575.930 profissionais ativos, segundo dados do Conselho Federal de Medicina (CFM). Este crescimento de 89% é impressionante, mas, como aponta Estevam Rivello Alves, 2º secretário do CFM, o aumento da quantidade não necessariamente indica uma melhoria na qualidade da assistência médica. Ele destaca que muitas faculdades de medicina não atendem aos critérios mínimos do Ministério da Educação, e a ausência de hospitais-escola prejudica a formação dos futuros médicos.
Além disso, a desigualdade na distribuição de médicos entre os estados é alarmante. Enquanto 13 estados dobraram seu número de profissionais, alguns estados do Norte e Nordeste continuam com uma média de médicos por mil habitantes muito abaixo da média nacional de 3,07. Por exemplo, o Distrito Federal possui uma média de 6,3 médicos por mil habitantes, enquanto o Maranhão enfrenta uma situação crítica, com apenas 1,3. Essa discrepância revela não apenas um problema de quantidade, mas também de acesso à saúde de qualidade.
Em relação às regiões, o Sudeste concentra 51% dos médicos do país, embora abrigue apenas 41% da população. O Nordeste, que representa 27% da população, tem uma das menores taxas de médicos por mil habitantes, de 2,22. Essa situação levou o Governo Federal a criar, em 2013, o Programa Mais Médicos, com o objetivo de levar profissionais para áreas mais carentes. Até junho de 2024, 24.894 médicos foram encaminhados para essas localidades, mas o desafio de distribuição equitativa permanece.
Para o presidente do CFM, José Hiran Gallo, é essencial desenvolver políticas públicas que garantam a presença de médicos nas regiões que mais precisam. Criar condições de trabalho atrativas e oferecer oportunidades de carreira são passos fundamentais. Além disso, a concentração de médicos nas capitais e regiões metropolitanas, onde residem 52% dos profissionais, contrasta com a realidade do interior, onde a maioria da população (77%) vive, mas onde apenas 48% dos médicos atuam.
A presença crescente de médicos no Sistema Único de Saúde (SUS) é uma expectativa, mas a falta de dados recentes sobre a demografia médica nos sistemas de saúde público e privado ainda gera incertezas. Embora muitos médicos formados optem por atuar em emergências e unidades de saúde da família, o desafio da desigualdade na distribuição e no acesso à saúde persiste. É crucial abordar essas questões para garantir um atendimento médico mais justo e eficaz em todo o Brasil.














