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Escolas assumem papel estratégico na recuperação da vacinação infantil

Com base na Lei 14.886/24 e no Programa Saúde na Escola, ação leva imunização ao ambiente escolar e amplia acesso em Goiás e no país


Dhayane Marques Por Dhayane Marques em 04/04/2026 - 16:16

Vacinação nas escolas em Aparecida de Goiânia prevê imunizar 30 mil crianças e alcançar 90% do público-alvo, com equipes atuando diretamente nas unidades de ensino para ampliar a cobertura e conter doenças respiratórias

A vacinação nas escolas se consolida como eixo estratégico para a recuperação das coberturas vacinais no Brasil. Instituída pela Lei 14.886/24 e fortalecida pelo Programa Saúde na Escola, a iniciativa leva equipes do Sistema Único de Saúde ao ambiente escolar para verificar cadernetas, atualizar esquemas vacinais e ampliar o alcance das campanhas. A medida prioriza crianças e adolescentes com menos de 15 anos, público historicamente mais vulnerável à queda na imunização.

O cenário recente evidencia a necessidade da estratégia. Em Goiás, a cobertura vacinal sofreu retração expressiva entre 2020 e 2021, período em que imunizantes como febre amarela atingiram 66% e poliomielite 72,7%. A partir de 2022, o estado iniciou recuperação progressiva, com resultados mais consistentes em 2025. Vacinas como BCG e pneumocócica alcançaram 93,6%, enquanto a tríplice viral chegou a 89,8%. Apesar do avanço, índices como o da febre amarela, com 73,6%, ainda indicam lacunas importantes.

A inserção da vacinação no cotidiano escolar reduz barreiras de acesso e amplia a adesão das famílias. A logística permite que estudantes sejam imunizados sem necessidade de deslocamento até unidades de saúde, o que favorece especialmente os responsáveis com restrições de tempo. Em Goiás, a obrigatoriedade do certificado de vacinação no ato da matrícula, vigente desde 2023, reforça o controle e incentiva a atualização do calendário vacinal.

Experiências municipais demonstram o potencial da estratégia. Em Aparecida de Goiânia, a campanha iniciada em 2026 prevê imunizar 30 mil crianças e atingir 90% do público-alvo. A ação concentra-se em doenças de alta transmissibilidade em ambientes coletivos, como sarampo, coqueluche e influenza, com atuação direta em centros de educação infantil e escolas. A inclusão de trabalhadores da educação amplia a proteção coletiva e reduz a circulação de agentes infecciosos.

No plano nacional, a vacinação nas escolas integra uma política de enfrentamento à hesitação vacinal e de prevenção de doenças imunopreveníveis. A estratégia articula ações de comunicação, mobilização social e monitoramento contínuo, com foco na recomposição de coberturas e na prevenção de surtos. Ao aproximar o serviço de saúde da rotina escolar, o modelo fortalece a cultura da imunização e amplia a capacidade de resposta do sistema público.

Integração entre saúde e educação amplia cobertura e reduz desigualdades

vacinação zé gotinha

A articulação entre os setores de saúde e educação consolida um modelo de atuação que amplia o alcance das políticas públicas de imunização. Por meio do Programa Saúde na Escola, equipes das unidades básicas atuam diretamente nas instituições de ensino, o que permite identificar, em tempo real, estudantes com esquemas vacinais incompletos e acionar estratégias de regularização. Esse modelo reduz a dependência da demanda espontânea e fortalece a busca ativa.

Dados de Goiás indicam que a recuperação das coberturas vacinais está diretamente associada à intensificação de estratégias extramuros. Entre 2021 e 2025, a vacina pentavalente evoluiu de 73,1% para 82,2%, enquanto a poliomielite passou de 72,7% para 84,7%. A ampliação do acesso, aliada à reorganização dos serviços de saúde, contribuiu para esse avanço, ainda que parte dos imunizantes permaneça abaixo das metas ideais.

A presença das equipes de vacinação nas escolas também permite maior eficiência no monitoramento e na farmacovigilância. A proximidade com estudantes e profissionais da educação facilita o acompanhamento de eventos adversos e a orientação direta às famílias, o que contribui para reduzir a hesitação vacinal. A comunicação qualificada, integrada ao ambiente pedagógico, fortalece a compreensão sobre a importância da imunização.

Outro impacto relevante está na redução das desigualdades regionais. Municípios com maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde encontram na escola um ponto de convergência capaz de ampliar a cobertura. A estratégia padroniza procedimentos, mas permite adaptações locais, o que garante maior efetividade. Ao combinar educação em saúde, logística ampliada e monitoramento contínuo, a vacinação nas escolas consolida-se como ferramenta estruturante para a sustentabilidade dos índices vacinais no país.

SAIBA MAIS

População-alvo da estratégia e esquema vacinal nas escolas

Público-alvo
Crianças e adolescentes menores de 15 anos, matriculados na educação infantil, ensino fundamental e ensino médio

Vacinas, faixa etária e tipo de ensino

Educação infantil

  • Febre amarela
    Faixa etária: a partir de 9 meses até menores de 5 anos
  • Tríplice viral
    Faixa etária: a partir de 12 meses
  • Tríplice bacteriana (DTP)
    Faixa etária: conforme calendário infantil

Ensino infantil e fundamental

  • Febre amarela
    Faixa etária: 5 a menores de 15 anos
  • Tríplice viral
    Faixa etária: 5 a menores de 15 anos
  • Tríplice bacteriana (DTP)
    Faixa etária: 5 a menores de 15 anos

Ensino fundamental e médio

  • Meningocócica ACWY
    Faixa etária: adolescentes
  • HPV4
    Faixa etária: 9 a 14 anos
  • Dengue
    Faixa etária: 10 a 14 anos, conforme estratégia local

Dado-chave
Meta nacional de cobertura vacinal é de 90% para a maioria dos imunizantes do calendário infantil

Dhayane Marques

Dhayane Marques é jornalista formada pela PUC-GO. Atualmente é Diretora de Programas da TV Pai Eterno e repórter no jornal Tribuna do Planalto e Tribuna de Anápolis, nas editorias de cidades, educação, economia, agro, diversão e arte.

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