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Estudo em Goiás revela como abelhas podem deixar grãos de soja mais pesados

Presença de polinizadores silvestres pode elevar em 7% o peso dos grãos; levantamento foi realizado em Rio Verde e Montividiu


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 13/08/2026 - 14:20

Estudo em Goiás revela como abelhas podem deixar grãos de soja mais pesados
(Imagem: Reprodução)

Pequenas no tamanho, as abelhas nativas podem produzir um efeito significativo nas lavouras de soja. Um estudo realizado no sudoeste de Goiás indica que a presença desses polinizadores pode aumentar, em média, 7% o peso dos grãos.

O levantamento foi conduzido por pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia em áreas de produção de Rio Verde e Montividiu. Além do possível ganho no peso dos grãos, o trabalho identificou 27 registros inéditos de abelhas nativas associados à soja no Brasil.

Os novos registros fazem parte de um conjunto de 40 espécies encontradas nas lavouras pesquisadas. Antes do estudo, a literatura científica contabilizava apenas 12 espécies nativas associadas à cultura no país.

Ao incluir na análise os fragmentos de mata próximos às plantações, os cientistas encontraram 53 espécies de cinco famílias diferentes. Do total de abelhas coletadas, 89% eram nativas do Brasil e somente 11% pertenciam à espécie exótica Apis mellifera, popularmente conhecida como abelha africanizada.

Mata nativa influencia presença das abelhas

A pesquisa mostrou que a distância entre as plantações e os fragmentos de Cerrado influencia diretamente a presença dos polinizadores. Quanto mais afastadas da vegetação nativa estavam as lavouras, menores eram a riqueza de espécies e a quantidade de abelhas encontradas nas flores da soja.

Isso ocorre porque as áreas preservadas oferecem alimento, abrigo e locais para a construção de ninhos. Aproximadamente 60% das espécies identificadas fazem ninhos no solo. Por isso, práticas como a conservação da palhada e a redução do revolvimento da terra podem ajudar a proteger esses insetos entre uma safra e outra.

O modelo de manejo adotado nas propriedades também apresentou diferenças. Conforme o estudo, o uso químico intensivo reduz o equilíbrio das comunidades, favorecendo poucas espécies mais tolerantes e prejudicando outros polinizadores.

Já as propriedades que utilizavam bioinsumos, incluindo bactérias e fungos aplicados no controle biológico e na fertilização, mantiveram populações de abelhas mais equilibradas, saudáveis e diversas.

O trabalho faz parte do projeto Regenera Cerrado e contou com a participação da Universidade de Brasília, da Universidade Federal da Bahia, do Instituto Federal Goiano e da Cargill. Os resultados foram publicados no periódico científico Journal of Applied Entomology.

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Redação Tribuna do Planalto

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