O vereador Igor Franco (MDB), ex-líder do prefeito Sandro Mabel (UB) na Câmara Municipal de Goiânia, acusou o Paço de utilizar o decreto de calamidade financeira como justificativa para descumprir o pagamento das emendas parlamentares impositivas. A declaração foi feita na sessão desta terça-feira (30), em tom de denúncia, com críticas diretas à postura do prefeito.
Segundo Franco, a administração municipal já teria informado internamente que não pretende liberar as emendas deste ano. “Ele está usando a calamidade financeira que não existe em Goiânia, para poder dar o cano, não pagar. A informação que eu tenho, vinda lá do Paço Municipal, é que ele não vai pagar as emendas. Estou deixando isso registrado hoje, dia 30 de setembro”, afirmou.
O secretário de Articulação Institucional e Captação (Secap), Junior Toledo, afirmou à reportagem que as emendas têm sido pagas. “Desconheço essa informação, emendas são impositivas e estão sendo pagas após aprovação dos planos de trabalho”.
O vereador também acusou Mabel de articular a aprovação do decreto de calamidade na Assembleia Legislativa por meio da distribuição de cargos. “Ele foi lá para a Assembleia Legislativa distribuir cargos para os deputados aprovarem uma calamidade mentirosa. Agora, nessa calamidade, ele não quer pagar as emendas, justificando que ela dá suporte para não cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal”, declarou.
Franco classificou a situação como “grave e séria”, ao mencionar que os recursos poderiam estar garantindo a continuidade de projetos sociais e estruturais em Goiânia, como equoterapia para crianças atípicas. “Você vê projetos que estão fazendo falta para a cidade e que o prefeito simplesmente não quer pagar, mesmo sendo emendas impositivas”, concluiu.
O vice-presidente da Câmara, vereador Anselmo Pereira (MDB), disse que o presidente Romário Policarpo (PRD) vai tratar com o prefeito sobre o pagamento das emendas.
É imperativo o pagamento das emendas. Independente de base ou não, as emendas são emendas parlamentares que precisam ser entregues ao seu destino. E acredito que o prefeito de Sandro Mabel tem essa sensibilidade de entender que tem várias emendas que são humanas, sociais e que precisam chegar ao seu destino”, afirmou.
Apelo a Ronaldo Caiado
Em meio às críticas, Igor Franco também apelou ao governador Ronaldo Caiado (UB), a quem chamou de “pré-candidato a presidente da República”. Segundo o vereador, o governador tem responsabilidade sobre a gestão municipal, já que apoiou a eleição de Mabel.
“Governador, cadê a gestão? O senhor colocou esse cidadão para administrar Goiânia. Nós já estamos no oitavo mês de gestão e o que vemos é mudança de sentido de rua sem critério, retirada de vendedores ambulantes e perseguição a trabalhadores. Enquanto isso, pais, mães e crianças ficam sem atendimento porque as emendas não são pagas”, declarou.
Franco ainda desafiou o prefeito a demonstrar apoio popular: “Prefeito, chama sua base pra fazer uma fotinha e postar no Instagram dizendo ‘esse é meu prefeito’. Vamos ver se o governador tem coragem de postar isso. A cidade precisa de ajuda, governador, os trabalhadores não aguentam mais tanta perseguição.”
Embate com Mabel
O ex-líder também rebateu declarações recentes do prefeito, que o acusou, ao lado do vereador Lucas Virgílio (MDB), de ser contra Goiânia. “Já falei para o prefeito que, para falar de mim, tem que limpar a boca. Não tem credibilidade.”, disparou.
O vereador Lucas Vergílio (MDB) rebateu os ataques de Sandro Mabel, que o chamou de “malandrinho”, e apresentou em plenário uma série de citações envolvendo o nome do prefeito em investigações de repercussão nacional.
Ele citou que Mabel já foi mencionado em casos como o Mensalão, a Operação Tokens, o “golpe da creche” na Câmara dos Deputados e em delações da Odebrecht, além de suspeitas de favorecimento em obras ferroviárias. Ressaltou que não houve condenação em nenhum desses episódios, mas defendeu que a repetição de denúncias exige vigilância permanente da Câmara.
“Agora, quando o prefeito recorre a ataques pessoais, me chamando de malandrinho, ele não atinge apenas a mim, mas a dignidade do parlamento e o direito de fiscalização que esta Casa deve exercer. Mas já que resolveu descer ao nível pessoal e fazer insinuações, eu pergunto: quem é o verdadeiro malandrinho?”, provocou.














