A pauta do fim da jornada de trabalho de seis dias com uma folga semanal, a chamada escala 6×1, avança na Câmara dos Deputados e divide a opinião de políticos de Goiás. Na quarta-feira, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou, por unanimidade, o relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada 6×1. No dia seguinte, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que vai instalar a comissão especial para analisar a PEC na próxima semana, com a intenção de que a matéria seja votada em plenário ainda em maio. Diante da rápida movimentação da pauta, especialmente em ano eleitoral, parlamentares de Goiás estão divididos em relação ao tema.
O deputado federal Ismael Alexandrino (PSD-GO) disse na quinta-feira que vê a proposta como “uma medida eleitoreira do governo (Lula)”. De fato, o assunto foi levantado pelo governo, tanto que o presidente Lula enviou à Câmara um projeto, que não foi posto em votação. Motta preferiu apensar duas PECs que tratam do mesmo tema – uma da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e outra do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) –, mas a identificação como “pauta do governo” se manteve. “Alguém terá de pagar a conta dessa redução da jornada sem redução de salário, e não será o governo, mas os empregadores”, entende Alexandrino, que flertou com o PL durante a janela partidária, mas acabou ficando no PSD.
José Nelto (UB-GO) acredita que a proposta será aprovada pela Câmara e se diz favorável à redução da jornada semanal para 40 horas, mas se diz preocupado com sua tramitação em pleno ano eleitoral. Para ele, o tema deveria ser debatido com mais serenidade e maturidade e não a toque de caixa, embalado pela proximidade das eleições. “É preciso achar um ponto de equilíbrio que não provoque o fechamento de empresas, o que viria a prejudicar ainda mais o trabalhador”.
Pré-candidato à Presidência da República, o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) baixou o tom das críticas à proposta e passou a defender o pagamento por hora trabalhada (leia abaixo). Já os parlamentares dos partidos de esquerda são ferrenhos defensores do fim da escala 6×1, tema que deverá ser bastante explorado na campanha eleitoral deste ano pelo marketing das campanhas, especialmente a da reeleição do presidente Lula.














