Uma operação conjunta da Secretaria da Economia de Goiás, Receita Estadual e Polícia Civil desarticulou, nesta quinta-feira (9), um esquema de fraude fiscal envolvendo uma distribuidora de cigarros que acumula mais de R$ 160 milhões em dívidas tributárias no estado.
Batizada de “Smokescreen” — termo em inglês que significa “cortina de fumaça” —, a ação teve como foco o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão em Goiânia e Aparecida de Goiânia, incluindo empresas investigadas e um escritório de contabilidade ligado ao grupo.
Segundo as autoridades, o esquema consistia na criação de uma estrutura empresarial simulada, com ao menos três empresas interligadas, utilizadas para ocultar a real operação financeira e reduzir o pagamento de tributos estaduais.
De acordo com a Receita Estadual, funções como estoque, gestão financeira e comercialização eram compartilhadas entre as empresas do grupo. No entanto, a responsabilidade tributária era concentrada artificialmente em apenas uma delas, estratégia que permitia o acúmulo de dívidas sem o devido recolhimento de impostos.
O auditor fiscal Wagner Machado, supervisor da Delegacia Regional de Fiscalização de Goiânia, explicou que o modelo adotado pelo grupo gerava prejuízos diretos aos cofres públicos e concorrência desleal no mercado. “Essa dinâmica gera concorrência desleal e prejuízo direto ao erário estadual”, destacou.
As investigações também apontaram que a distribuidora, cuja matriz fica em São Paulo, mantinha uma filial em Goiás que operava apenas formalmente.
Segundo o delegado Alexandre Alvim, titular da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DOT), a unidade no estado era utilizada para concentrar a carga tributária sem efetuar o pagamento. “O cigarro era enviado de São Paulo para essa filial, mas distribuído para outras unidades. Com isso, a filial acumulava a carga tributária sem pagar esses valores, enquanto outras empresas realizavam a comercialização”, explicou.
O material apreendido durante a operação será analisado pela Receita Estadual e pela Polícia Civil para identificar o real controle administrativo e financeiro do grupo.
Entre os crimes investigados estão sonegação fiscal, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e associação criminosa, a depender do avanço das apurações.
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