O Campeonato Goiano de Futebol 2025 entra para a história como o primeiro estadual carbono neutro do país, consolidando a iniciativa da Federação Goiana de Futebol (FGF) em aliar esporte e sustentabilidade no projeto batizado de Goianão ESG. Pioneiro, o projeto teve início com o objetivo de medir, reduzir e compensar as emissões de gases de efeito estufa geradas ao longo da competição, e contou com o apoio de todos os clubes participantes.
A ação envolveu 11 rodadas, além das quartas de final, semifinais e a grande final do torneio. De acordo com o balanço final, o campeonato gerou 636,20 toneladas de CO₂, com média de 7,95 toneladas por partida. As emissões foram compensadas por meio de ações ambientais, tornando o campeonato efetivamente carbono neutro nos escopos 1 e 2, e com 50% de compensação no escopo 3, conforme diretrizes do GHG Protocol e da norma ISO 14.064-1.
Segundo o presidente da FGF, Ronei de Freitas, o engajamento dos clubes foi essencial. “Começamos um trabalho de conscientização para a agenda ESG com todos os times desde a primeira rodada. Nenhuma outra federação havia adotado esse tipo de iniciativa até então”, destacou.
Apesar da exclusão das torcidas neste ano — por conta da complexidade de coleta de dados —, a Federação já prevê a inclusão do público nas ações ambientais em 2026, com campanhas ao longo de toda a temporada.
Durante os jogos do Goianão 2025, foram promovidas diversas ações de conscientização ambiental: faixas em campo, placas informativas, mensagens nos alto-falantes dos estádios e distribuição de kits educativos. Uma das principais iniciativas foi a adoção da nascente do Ribeirão Anicuns, em Goiânia, considerada uma das mais importantes da Bacia do Rio Meia Ponte — fonte de abastecimento hídrico da capital goiana.
Na Semana do Meio Ambiente, foi realizado um plantio simbólico com a presença do presidente da FGF, do delegado Dr. Luziano Carvalho, padrinho do projeto, além de representantes de clubes e da imprensa. “É um exemplo concreto de como o futebol pode ser um instrumento de transformação social e ambiental. O Goianão ESG se torna um modelo para o Brasil”, afirmou o delegado da Delegacia de Meio Ambiente de Goiás (DEMA).
O levantamento e a gestão das emissões foram conduzidos pela consultoria especializada Recurso Sustentável, que calculou os impactos em três escopos:
- emissões diretas dos estádios e deslocamento das equipes;
- consumo de energia elétrica nas partidas;
- transporte de torcedores e consumo de alimentos e bebidas.
Para 2026, a meta é compensar integralmente os três escopos, com ampliação das ações de reflorestamento em parceria com clubes, cidades e torcedores, além da compra de créditos de carbono. “O Goianão ESG é um caminho sem volta. Vamos expandir o projeto, envolver mais pessoas e consolidar a responsabilidade ambiental como parte essencial do futebol goiano”, conclui Ronei de Freitas.















