O desmatamento no bioma do Cerrado atingiu níveis preocupantes em 2023, conforme revelado pelo Relatório Anual do Desmatamento. Mais da metade de toda a área desmatada no Brasil nesse período ocorreu nesse bioma, com destaque para a região do Matopiba, entre Bahia, Piauí, Tocantins e Maranhão.
A liderança do Cerrado em área de desmatamento reflete-se em diversos indicadores alarmantes. No município do Alto Parnaíba (MA), foi identificada a maior área de alerta de desmatamento do Brasil, somando 6.691 hectares. Além disso, o Cerrado testemunhou o maior alerta com velocidade média diária, atingindo 944 hectares em 8 dias no município de Baixa Grande do Ribeiro (PI).
Particularmente em Goiás, os números são alarmantes. O estado registrou uma variação de 125,3% na área desmatada em comparação com 2022, ficando em 12º lugar no ranking dos estados que mais desmataram o Cerrado. Essa situação é agravada pelo aumento na porcentagem da área desmatada com autorização ou ação de fiscalização, que saltou de 58% em 2022 para 74,5% em 2023.
“O Cerrado, que já perdeu mais da metade de sua vegetação nativa, passou a ser o protagonista do desmatamento no país, o que torna essa condição ainda mais preocupante”, ressalta Ane Alencar, coordenadora do MapBiomas Cerrado e Diretora de Ciência do IPAM.
Além de Goiás, outros estados do Cerrado também enfrentam aumentos significativos no desmatamento. Maranhão, Tocantins, Pará e Distrito Federal viram suas áreas desmatadas mais do que dobrarem em 2023.
A redução do desmatamento em áreas protegidas, como Terras Indígenas e Unidades de Conservação, representa um alento, mas é necessário um esforço conjunto para conter o avanço do desmatamento no Cerrado e em todo o país.















