Sete governadores anunciaram nesta quinta-feira (30) a criação do “Consórcio da Paz”, uma iniciativa voltada à integração de esforços entre estados para o enfrentamento do crime organizado. O anúncio foi feito no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, durante reunião liderada pelo governador Cláudio Castro (PL).
O grupo pretende compartilhar informações de inteligência, prestar apoio logístico e financeiro e promover operações conjuntas de segurança pública. O Rio de Janeiro será a sede inicial e ficará responsável por coordenar o processo de formalização do consórcio. Participaram do encontro os governadores Romeu Zema (MG), Jorginho Mello (SC), Eduardo Riedel (MS), Ronaldo Caiado (GO) e a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, participou por videoconferência.
“O que estamos vivendo não é crime comum, é terrorismo”, afirmou o governador goiano durante o encontro. Para ele, a violência e a corrupção são os maiores desafios da gestão pública e só podem ser superados com cooperação real e autonomia dos estados”, afirmou Caiado.
A criação do consórcio ocorre após a Operação Contenção, que resultou em 121 mortes nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio. A ação, considerada uma das mais letais da história do estado, tinha como objetivo prender Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como chefe do Comando Vermelho — ele não foi capturado. A operação também deixou quatro policiais mortos e resultou na apreensão de 93 fuzis.
Durante a reunião, os governadores afirmaram que o consórcio busca oferecer “ações práticas e sem politização” na segurança pública. Eles também criticaram a PEC da Segurança Pública, proposta pelo governo federal para dar status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). O governador Ronaldo Caiado afirmou que o texto “retira a autonomia dos estados e transfere o controle das polícias para o Ministério da Justiça”.
Paralelamente, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, anunciou na quarta-feira (29) a criação de um escritório emergencial no Rio de Janeiro para integrar ações entre as esferas federal e estadual. O governo federal prometeu reforçar o efetivo da Polícia Rodoviária Federal, ampliar o número de agentes de inteligência e transferir dez presos para penitenciárias federais.














