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Governo Lula lança painel inédito para monitorar agrotóxicos em rios e na vida aquática do país

Plataforma do MMA reúne 10 mil análises em 63 pontos de todas as bacias hidrográficas do país


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 18/05/2026 - 14:46

Governo Lula lança painel inédito para monitorar agrotóxicos em rios e na vida aquática do país

O Governo do Brasil lançou, no dia 11 de maio, o Painel de Monitoramento de Agrotóxicos nos Recursos Hídricos. A ferramenta inédita foi desenvolvida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) com base em metodologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Meio Ambiente.

A plataforma consolida dados de 213 amostras coletadas em 63 pontos de monitoramento distribuídos por todos os estados brasileiros. Desde 2024, foram realizadas mais de 10,4 mil análises para identificar a presença de agrotóxicos na água e na vida aquática.

O objetivo do painel é ampliar a transparência e o acesso à informação sobre o tema. Além disso, a ferramenta busca qualificar o debate público e apoiar a tomada de decisão por parte de gestores, pesquisadores e da sociedade.

Dados iniciais mostram 49 tipos de agrotóxicos monitorados

Os dados iniciais do painel revelaram a presença de 49 tipos de agrotóxicos nos cursos d’água monitorados. A frequência geral de detecção foi de 7,2%, índice considerado baixo diante do universo de análises realizadas.

Entre as substâncias com maior frequência de detecção estão herbicidas como S-metolacloro, ametrina, tebuthiuron e atrazina. Esses produtos são amplamente utilizados no manejo de plantas daninhas em culturas como milho, cana-de-açúcar e soja.

O S-metolacloro foi o agrotóxico mais detectado, tendo sido observado em 69,48% das amostras positivas. Entre os inseticidas, o acefato apresentou maior frequência de ocorrência, enquanto a azoxistrobina se destacou entre os fungicidas.

As análises indicam diferenças relevantes entre os usos da terra. As áreas associadas à cultura de cítricos apresentaram maior frequência de detecção, enquanto as regiões de pastagem registraram os menores índices.

Pronara: programa de redução de agrotóxicos

O painel é uma das entregas prioritárias do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara). O programa foi instituído pelo Decreto nº 12.538/2025, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em junho de 2025.

O Pronara estabelece, entre seus objetivos, a redução gradual e contínua do uso de agrotóxicos, especialmente os altamente perigosos ao meio ambiente e extremamente tóxicos para a saúde humana.

“Após mais de uma década de mobilização de pesquisadores, movimentos sociais, órgãos e setores comprometidos com a transição ecológica da agricultura, o Pronara recoloca o Brasil em uma trajetória estratégica para redução de risco e fortalecimento da agroecologia”, afirmou o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, durante o lançamento.

Conciliação entre produção agrícola e sustentabilidade

Durante o lançamento da plataforma, Capobianco destacou que os agrotóxicos representam um dos grandes desafios ambientais e sanitários do mundo. Os impactos atingem organismos aquáticos, polinizadores, o solo e a saúde humana, especialmente quando há uso inadequado ou excesso de aplicação.

Durante o lançamento da plataforma, Capobianco destacou que os agrotóxicos representam um dos grandes desafios ambientais e sanitários do mundo. Os impactos atingem organismos aquáticos, polinizadores, o solo e a saúde humana, especialmente quando há uso inadequado ou excesso de aplicação.

A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, também participou do evento. Segundo ela, o painel já permite identificar onde estão as culturas e os locais com maior nível de contaminação por agrotóxicos.

“Esse conjunto de informações, agora disponíveis, oferece um mapa confiável para que a gente possa dar a dimensão que o problema tem”, disse Machiaveli.

Transparência e controle social

A secretária nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas da Secretaria-Geral da Presidência da República, Kelli Mafort, ressaltou a importância do controle social sobre as informações.

“O painel é fundamental para que a gente possa avançar no controle social das informações sobre o uso de agrotóxicos e os impactos para o meio ambiente e a saúde humana. Não conseguimos transformar uma realidade se não temos uma base científica confiável sobre o que acontece”, pontuou.

O diretor-presidente interino da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Leonardo Goes, salientou a importância da pesquisa ter sido realizada nos recursos hídricos. “A qualidade da água é um dos pilares da segurança hídrica. Monitorar a presença de contaminantes em corpos hídricos é fundamental, não apenas para a preservação ambiental, mas também para proteger o abastecimento humano, a produção de alimentos e o desenvolvimento de atividades econômicas estratégicas”, afirmou.

Participação do Ministério Público Federal

O Ministério Público Federal (MPF) participou da cerimônia de lançamento. A coordenadora da Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPF, Luiza Frischeisen, ressaltou a relevância de mecanismos públicos de monitoramento ambiental .

“Nós sabemos que o Brasil é um país que usa muitos agrotóxicos, mas precisamos produzir alimentos sem prejudicar a saúde dos trabalhadores e das populações”, afirmou .

Frischeisen destacou ainda que, para quem trabalha com o tema no dia a dia, ter o conjunto de informações de forma fácil, com dados científicos, é muito importante.oe “Parte do trabalho do MPF é atuar para que haja implementação de mecanismos de transparência como esses”, concluiu .

Panorama do uso de agrotóxicos no Brasil
Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apontam que, apenas em 2023, foram comercializadas 755,4 mil toneladas de ingredientes ativos de agrotóxicos no país. Em 2024, o glifosato permaneceu como o produto mais vendido no Brasil, com 231,9 mil toneladas comercializadas .

Estudo da Universidade de São Paulo (USP) identificou que a combinação de agrotóxicos e vinhaça, resíduo necessário na produção de etanol utilizado como fertilizante que podem provocar desequilíbrios ecológicos em rios, lagos e lagoas. A combinação afeta a biodiversidade aquática, reduz os níveis de oxigênio na água e compromete funções essenciais para o equilíbrio desses ambientes .

Próximos passos e ampliação do monitoramento

Capobianco afirmou que a ferramenta está em fase inicial de consolidação. Atualmente, 49 tipos de agrotóxicos são monitorados, mas esse número deve crescer progressivamente à medida que a cobertura territorial for ampliada .

“O painel representa um primeiro esforço estrutural do governo federal para entregar e dar transparência aos dados nacionais de monitoramento ambiental de agrotóxicos. Sua importância crescerá progressivamente à medida que ampliarmos a cobertura territorial”, disse o ministro .

Nos próximos anos, o Pronara prevê a ampliação das redes de monitoramento ambiental e laboratorial, o incentivo ao desenvolvimento e uso de bioinsumos e alternativas de menor risco, além do aperfeiçoamento contínuo dos instrumentos regulatórios, de fiscalização e avaliação de risco .

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Redação Tribuna do Planalto

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