Skip to content

Partido de Netanyahu propõe dissolução do parlamento israelense em meio a crise política e ocupação em Gaza

Likud propõe novas eleições enquanto primeiro-ministro enfrenta impopularidade recorde, mandados de prisão do TPI e pressão de aliados ultraortodoxos


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 14/05/2026 - 18:20

Partido de Netanyahu propõe dissolução do parlamento israelense em meio a crise política e guerra em Gaza
Partido de Netanyahu propõe dissolução do parlamento israelense em meio a crise política e ocupação em Gaza / Imagem: The Times

O partido Likud, do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu, apresentou nesta semana uma proposta para dissolver o Parlamento (Knesset) e convocar novas eleições. A informação foi divulgada pela imprensa israelense e confirmada por fontes do governo.

A medida surpreendeu analistas políticos. Isso porque Netanyahu sempre resistiu a ir para as urnas desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023. A instabilidade política, no entanto, atingiu um ponto crítico nas últimas semanas.

A proposta de dissolução ainda precisa passar por três votações no Knesset. Para ser aprovada, ela depende do apoio de pelo menos 61 dos 120 parlamentares. Até o fechamento desta matéria, não há consenso formado entre os partidos da coalizão governista.

Crise política e pressões internas

A tentativa de dissolver o Parlamento ocorre em meio a uma grave crise política. Nos últimos meses, Netanyahu perdeu o apoio de setores importantes de sua base.

Os partidos ultraortodoxos, aliados históricos do Likud, ameaçam deixar o governo caso uma lei que isenta seus eleitores do serviço militar obrigatório não seja aprovada. A Suprema Corte de Israel, no entanto, já declarou que a isenção viola o princípio da igualdade.

Além disso, as famílias dos reféns mantidos pelo Hamas em Gaza intensificaram as manifestações contra o primeiro-ministro. Elas acusam Netanyahu de priorizar sua sobrevivência política em vez de um acordo para libertar os cerca de 100 reféns que ainda permanecem em cativeiro.

Impopularidade recorde e rejeição internacional

A popularidade de Netanyahu atingiu o menor nível de sua carreira política. Pesquisas recentes indicam que mais de 70% dos israelenses desaprovam seu desempenho. Se as eleições fossem realizadas hoje, o Likud perderia pelo menos 12 cadeiras no Parlamento.

No plano internacional, a situação é ainda mais delicada. O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão contra Netanyahu e contra o ministro da Defesa, Yoav Gallant. Os dois são acusados de crimes de guerra e crimes contra a humanidade em Gaza.

A Corte Internacional de Justiça (CIJ) também investiga Israel por possível crime de genocídio. Dessa forma, o primeiro-ministro enfrenta restrições severas para viajar ao exterior. Países signatários do TPI seriam obrigados a prendê-lo caso ele pise em seus territórios.

Uma pesquisa global da consultoria Morning Consult, divulgada neste mês, elegeu Israel como o país mais impopular do mundo. O saldo de aprovação negativo é de 52 pontos percentuais.

Cenário da guerra em Gaza

O conflito na Faixa de Gaza completou 20 meses em maio de 2026. A ofensiva israelense já causou mais de 50 mil mortes, segundo dados do Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas. A infraestrutura do território foi devastada.

Mais de 210 jornalistas foram mortos desde o início da guerra, de acordo com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). Desse total, 193 eram palestinos.

Netanyahu afirma que a guerra continuará até a “destruição total” do Hamas. Críticos, no entanto, apontam que o primeiro-ministro tem interesse em prolongar o conflito. Enquanto durar a guerra, ele adia a realização de eleições e a prestação de contas sobre os ataques de 7 de outubro de 2023.

O que dizem as pesquisas

Se as eleições fossem realizadas hoje, o cenário seria desfavorável ao Likud. Pesquisas indicam que o partido de centro-direita Novo Tempo, liderado por Benny Gantz, venceria com folga.

Gantz integrou o gabinete de guerra de Netanyahu no início do conflito, mas deixou o governo em 2024, acusando o primeiro-ministro de tomar

decisões baseadas em interesses políticos e não estratégicos.

A aprovação da dissolução do Knesset dependerá do apoio do partido Novo Tempo. Até o momento, Gantz não declarou se apoiará ou rejeitará a proposta.

Próximos passosV

Caso a dissolução seja aprovada, Israel irá para as urnas em até 90 dias. Esse seria o sexto pleito em menos de sete anos, um recorde na história do país.

Enquanto isso, a guerra em Gaza continua. As negociações para um cessar-fogo e para a libertação dos reféns estão paralisadas há semanas.

A proposta de dissolução do Parlamento ainda será discutida em plenário nos próximos dias. Não há data definida para a primeira votação.

LEIA MAIS:

Israel é eleito o país mais impopular do mundo; imagem é manchada por guerra e mortes de civis e jornalistas

Apple Maps apaga cidades do Líbano em meio à ofensiva de Israel

Avatar

O Tribuna do Planalto, um portal comprometido com o jornalismo sério, ágil e confiável. Aqui, você encontra análises profundas, cobertura política de bastidores, atualizações em tempo real sobre saúde, educação, economia, cultura e tudo o que impacta sua vida. Com linguagem acessível e conteúdo verificado, a Tribuna entrega informação de qualidade, sem perder a agilidade que o seu dia exige.

Pesquisa