O partido Likud, do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu, apresentou nesta semana uma proposta para dissolver o Parlamento (Knesset) e convocar novas eleições. A informação foi divulgada pela imprensa israelense e confirmada por fontes do governo.
A medida surpreendeu analistas políticos. Isso porque Netanyahu sempre resistiu a ir para as urnas desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023. A instabilidade política, no entanto, atingiu um ponto crítico nas últimas semanas.
A proposta de dissolução ainda precisa passar por três votações no Knesset. Para ser aprovada, ela depende do apoio de pelo menos 61 dos 120 parlamentares. Até o fechamento desta matéria, não há consenso formado entre os partidos da coalizão governista.
Crise política e pressões internas
A tentativa de dissolver o Parlamento ocorre em meio a uma grave crise política. Nos últimos meses, Netanyahu perdeu o apoio de setores importantes de sua base.
Os partidos ultraortodoxos, aliados históricos do Likud, ameaçam deixar o governo caso uma lei que isenta seus eleitores do serviço militar obrigatório não seja aprovada. A Suprema Corte de Israel, no entanto, já declarou que a isenção viola o princípio da igualdade.
Além disso, as famílias dos reféns mantidos pelo Hamas em Gaza intensificaram as manifestações contra o primeiro-ministro. Elas acusam Netanyahu de priorizar sua sobrevivência política em vez de um acordo para libertar os cerca de 100 reféns que ainda permanecem em cativeiro.
Impopularidade recorde e rejeição internacional
A popularidade de Netanyahu atingiu o menor nível de sua carreira política. Pesquisas recentes indicam que mais de 70% dos israelenses desaprovam seu desempenho. Se as eleições fossem realizadas hoje, o Likud perderia pelo menos 12 cadeiras no Parlamento.
No plano internacional, a situação é ainda mais delicada. O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão contra Netanyahu e contra o ministro da Defesa, Yoav Gallant. Os dois são acusados de crimes de guerra e crimes contra a humanidade em Gaza.
A Corte Internacional de Justiça (CIJ) também investiga Israel por possível crime de genocídio. Dessa forma, o primeiro-ministro enfrenta restrições severas para viajar ao exterior. Países signatários do TPI seriam obrigados a prendê-lo caso ele pise em seus territórios.
Uma pesquisa global da consultoria Morning Consult, divulgada neste mês, elegeu Israel como o país mais impopular do mundo. O saldo de aprovação negativo é de 52 pontos percentuais.
Cenário da guerra em Gaza
O conflito na Faixa de Gaza completou 20 meses em maio de 2026. A ofensiva israelense já causou mais de 50 mil mortes, segundo dados do Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas. A infraestrutura do território foi devastada.
Mais de 210 jornalistas foram mortos desde o início da guerra, de acordo com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). Desse total, 193 eram palestinos.
Netanyahu afirma que a guerra continuará até a “destruição total” do Hamas. Críticos, no entanto, apontam que o primeiro-ministro tem interesse em prolongar o conflito. Enquanto durar a guerra, ele adia a realização de eleições e a prestação de contas sobre os ataques de 7 de outubro de 2023.
O que dizem as pesquisas
Se as eleições fossem realizadas hoje, o cenário seria desfavorável ao Likud. Pesquisas indicam que o partido de centro-direita Novo Tempo, liderado por Benny Gantz, venceria com folga.
Gantz integrou o gabinete de guerra de Netanyahu no início do conflito, mas deixou o governo em 2024, acusando o primeiro-ministro de tomar
decisões baseadas em interesses políticos e não estratégicos.
A aprovação da dissolução do Knesset dependerá do apoio do partido Novo Tempo. Até o momento, Gantz não declarou se apoiará ou rejeitará a proposta.
Próximos passosV
Caso a dissolução seja aprovada, Israel irá para as urnas em até 90 dias. Esse seria o sexto pleito em menos de sete anos, um recorde na história do país.
Enquanto isso, a guerra em Gaza continua. As negociações para um cessar-fogo e para a libertação dos reféns estão paralisadas há semanas.
A proposta de dissolução do Parlamento ainda será discutida em plenário nos próximos dias. Não há data definida para a primeira votação.
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