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Indústria brasileira cai pelo 3º mês consecutivo e tem pior julho em 4 anos

Por Redação - 03/09/2019

Imagem: Reprodução

A produção industrial brasileira teve queda de 0,3% na passagem de junho para julho deste ano, o terceiro mês consecutivo de queda e no pior desempenho para o mês em quatro anos. A perda acumulada no período chega a 1,2%, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada hoje (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No ano passado a produção recuou 2,5%. O dado de junho foi revisado para pior, passando a mostrar contração de 0,7% sobre maio, ante queda estimada anteriormente de 0,6%. “Do jeito que anda a indústria provavelmente vai fechar o ano em queda, dado o cenário doméstico acrescido da crise da Argentina e do cenário global”, disse o economista André Macedo, do IBGE, que divulgou os dados.

No acumulado de 2019, a produção acumula baixa de 1,7%. Em 12 meses, a indústria recua 1,3%, indicando perda de ritmo, já que no período até junho a contração havia sido de 0,8%. Segundo o IBGE, a trajetória da indústria pela métrica de 12 meses tem sido “predominantemente descendente” desde julho de 2018, quando em 12 meses a produção acumulava alta de 3,2%. “A indústria hoje produz o equivalente a janeiro de 2009. São dez anos de distância. É um sinal importante”, afirmou Macedo.

 

CATEGORIAS

Dentre as grandes categorias econômicas, bens intermediários (-0,5%) e bens de capital (-0,3%) caíram, enquanto os setores produtores de bens de consumo semi e não-duráveis (+1,4%) e de bens de consumo duráveis (+0,5%) subiram.

Onze dos 26 ramos pesquisados mostraram quedas na produção, com outros produtos químicos (-2,6%), bebidas (-4,0%) e produtos alimentícios (-1,0%) exercendo as maiores influências negativas. Já entre os 15 setores que ampliaram a produção, destaque a produção em indústrias extrativas, com alta de 6,0%, a terceira consecutiva.

“Essa melhora se deve à retomada de algumas plantas após um aumento na fiscalização”, disse Macedo. Segundo ele, a recuperação do setor —que mostrou a terceira alta consecutiva, período em que cresceu 18,5%— vem depois de um tombo de 24,5% entre janeiro e abril reflexo do acidente com a barragem da Vale em Brumadinho (MG), em janeiro passado.

O economista do IBGE disse que os níveis gerais de estoque da indústria ainda estão acima do habitual, o que atrapalha a recuperação do setor. “Além disso, nossa demanda doméstica não está forte para absorver uma produção mais forte.” Ele destacou ainda os efeitos do mercado de trabalho sobre o estado geral da indústria. “E ainda tem um cenário externo desfavorável, com a crise na Argentina e menor crescimento global”, completou.

Os sinais mais recentes, contudo, indicam alguma recuperação do setor em agosto. Em agosto, o setor manufatureiro voltou a crescer e no ritmo mais rápido em cinco meses, conforme pesquisa do IHS Markit.

(Com alguns dados Reuters)

 

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