Atendendo a pedido do Ministério Público de Goiás (MPGO), o Juízo da Vara das Fazendas Públicas de Rio Verde determinou a suspensão do concurso público da Câmara Municipal de Rio Verde, que seria organizado pelo Instituto de Desenvolvimento Institucional Brasileiro (Idib). A decisão judicial acatou os argumentos apresentados pelo MPGO após as investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado Sul (Gaeco Sul), que deflagrou a Operação Regra Três – Quarta Fase: Contrapartida.
Fraudes na organização do concurso levaram à prisão o então presidente da Câmara Municipal de Rio Verde, Idelson Mendes (PRD) e outras pessoas, na semana passada. De acordo com investigações do Ministério Público de Goiás (MPGO), o parlamentar estaria envolvido na contratação do Instituto DeltaProto, do delegado Dannilo Proto, para a realização de um concurso público da Câmara.
Dannilo Proto foi preso em agosto de 2025, suspeito de fraudes em contratações públicas e desvio de recursos destinados a escolas estaduais em Rio Verde. De acordo com o Ministério Público, o esquema teria começado em 2020 e se expandido para a impressão de material didático para distribuição nas escolas estaduais e direcionamento ilícito da contratação de instituto para o certame do legislativo. Na época da prisão, o MPGO afirmou que a estimativa é que esquema tenha desviado mais de R$ 2,2 milhões dos cofres públicos. No mês seguinte, ele foi denunciado à Justiça.
A operação que levou à prisão de Idelson foi a quarta fase da investigação. Segundo o Ministério Público, o objetivo do esquema com a organizadora do concurso, que seria a empresa do delegado, era uma “possível obtenção de vantagem indevida a partir da arrecadação de taxas de inscrição pagas pelos candidatos”.
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Além da suspensão do certame, a decisão determinou que a banca examinadora promova divulgação completa da lista de candidatas e candidatos inscritos no concurso em seu sítio eletrônico oficial, no prazo de 48 horas, assegurando amplo acesso às informações. O instituto deverá comunicar em seu site oficial acerca da suspensão, sob pena de multa diária de R$ 1 mil, limitada a 30 dias.
A decisão acolheu, ainda, o pedido do MPGO para determinar o bloqueio das contas bancárias que receberam valores a título de taxas de inscrição, com a finalidade exclusiva de impedir novas movimentações e assegurar a devolução às candidatas e aos candidatos.
O Gaeco Sul investiga possível atuação de organização criminosa no âmbito da Câmara de Vereadores de Rio Verde, relacionada à contratação do Instituto Delta Proto para a realização de concurso. O MPGO alegou, no pedido de suspensão deferido nesta segunda-feira (9/2), o envolvimento das mesmas servidoras e dos mesmos servidores da Câmara na contratação da banca organizadora.
O argumento do MPGO foi acatado, conforme consta na decisão: “A gravidade dos fatos não reside apenas na existência de investigação criminal, mas, sobretudo, no fato de que os mesmos agentes públicos investigados e presos por fraudes relacionadas a concurso público anterior ocupam, no certame ora questionado, posições estratégicas e decisórias, seja na escolha da banca examinadora, seja na elaboração dos atos preparatórios e na fiscalização do concurso, o que compromete de forma relevante a lisura do procedimento.”
A decisão ressalta ainda que essas circunstâncias maculam de forma contundente a regularidade da Dispensa de Licitação nº 4653/2025. A magistrada registra ainda que o MPGO apontou o descumprimento do dever de publicidade, uma vez que o Idib deixou de promover a divulgação ampla da lista de candidatas e candidatos inscritos, restringindo o acesso às informações à denominada “área do candidato”.














