Em meio ao avanço das articulações para a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal de Goiânia para investigar a atuação do consórcio Limpa Gyn, o prefeito Sandro Mabel (União) declarou que o debate surge em “momento errado”. Segundo ele, a instalação da comissão pode comprometer as tratativas em curso sobre o aterro sanitário da capital, geridas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra).
“Estamos tratando de questões sensíveis como o aterro sanitário. Uma CEI agora pode atrapalhar. Ela poderia acontecer em outro momento”, afirmou o prefeito durante entrevista coletiva, ao ser questionado pela rádio CBN Goiânia. Mabel participou de evento de entrega de novos equipamentos tecnológicos para a Prefeitura.
A fala contrasta com posicionamento anterior do prefeito, quando ele respondeu em entrevista coletiva no Paço Municipal, que a CEI não investigaria seu mandato, mas as negociações realizadas durante a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz (SD). O requerimento menciona também um aditivo contratual firmado por Mabel, que tratou de reajuste salarial para coletores.
“A CEI é sobre o passado. E eu não estou muito interessado em ficar olhando para o passado. O que me importa é o que podemos fazer agora pela cidade”, disse na ocasião.
O Limpa Gyn é o consórcio responsável pelos serviços de coleta de lixo, varrição mecanizada, cata-treco e remoção de entulho em Goiânia. Apesar de a investigação parlamentar não envolver diretamente o aterro sanitário, que é responsabilidade da Seinfra, Mabel acredita que o ambiente político gerado por uma comissão de inquérito pode interferir nas discussões técnicas em andamento.
Pressão política
A proposta de abertura da CEI foi apresentada pelo vereador Cabo Senna (PRD) e conta com 16 assinaturas, número superior ao mínimo exigido pelo regimento da Câmara, que é de 13 parlamentares. A mobilização tem sido vista nos bastidores como instrumento de pressão política sobre o Paço Municipal, com demandas por maior espaço na gestão e liberação de emendas parlamentares.
O contrato original do Limpa Gyn foi firmado por R$ 470 milhões, com validade de dois anos. Com dois aditivos, o valor chegou a quase R$ 510 milhões. A gestão Mabel alega que o serviço vem sendo aperfeiçoado. O prefeito destacou que os caminhões da coleta agora contam com câmeras e sistema de georreferenciamento, o que, segundo ele, permite apurar denúncias com mais agilidade.
“Quando recebo uma reclamação, sei exatamente qual caminhão passou, em que horário, e posso verificar pelas imagens se houve alguma falha”, explicou. Ele também citou a ampliação da frota, a instalação de contêineres em pontos estratégicos e ajustes na velocidade dos caminhões de varrição como medidas para melhorar a eficiência dos serviços.
No requerimento que sustenta a criação da CEI, vereadores apontam suspeitas de falhas técnicas, financeiras e operacionais no serviço, além de possíveis irregularidades ambientais e administrativas. O texto menciona também o uso indevido de maquinário e mudanças contratuais que, segundo os parlamentares, precisam ser esclarecidas.
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