O prefeito Sandro Mabel (UB) decidiu adotar a figura do vice-líder na Câmara Municipal de Goiânia, prática utilizada pela primeira vez na capital em 2022 pelo então prefeito Rogério Cruz (SD). A medida, inspirada no modelo da Câmara Federal, tem como objetivo reforçar a articulação política do Executivo em meio a tensões com os vereadores.
Na prática, a ideia de Mabel é ir além do que fez o ex-prefeito e indicar até três vice-líderes para auxiliar o recém-nomeado líder do governo, Wellington Bessa (DC), em frentes distintas, como as comissões permanentes e a condução da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Limpa Gyn. Os nomes cotados incluem os vereadores Sargento Novandir (MDB) e Bruno Diniz (MDB).
Rogério foi o primeiro ao trazer o cargo de vice-líder para o cenário da Câmara de Goiânia, inexistente no regimento interno da Casa, apesar de prevista em nível federal e em alguns parlamentos estaduais. Ele teve como vice-líder o decano Anselmo Pereira (MDB) e Geverson Abel (Republicanos).
Antes de Rogério Cruz institucionalizar a figura do vice-líder em 2022, prefeitos como Paulo Garcia (PT) recorriam a vereadores aliados para dividir tarefas de articulação na Câmara. Esses parlamentares atuavam como “coordenadores da base”, acompanhando comissões, ajudando a garantir quórum e negociando emendas, mas sem reconhecimento público.
Sandro Mabel, quando deputado federal, foi vice-líder do Governo Federal na Câmara dos Deputados. “Eu fui vice-líder, comecei minha posição como vice-líder, fui vice-líder do PMDB, depois fui vice-líder do governo, e depois fui líder durante muitos anos”, relembrou em entrevista à CBN Goiânia.
“Os vice-líderes têm funções específicas, por exemplo, você tem uma CEI dessa, você precisa ter um vice-líder dedicado a ela, porque um líder não consegue fazer todas as coisas. Você tem uma comissão de Constituição e Justiça, tem outras comissões importantes, você precisa dos vice-líderes trabalhando ali, no local, sintonizado com o líder. Então ele descarrega a função do líder um pouco e dá uma atenção maior aos vereadores e aos projetos.”, acrescentou Mabel.
Recomposição
Agora, Sandro Mabel repete o expediente, em meio a desgastes recentes com a base aliada, como as exonerações de aliados de vereadores e a instalação da CEI da Limpa Gyn. A intenção é evitar derrotas no plenário, garantir o acompanhamento das comissões e dar respaldo a Bessa em negociações mais sensíveis.
Ao apresentar oficialmente o novo líder de governo nesta segunda-feira (8), Mabel ressaltou que a escolha foi resultado de consulta aos parlamentares e recebeu apoio da maioria, incluindo nomes da oposição.
Já Bessa destacou que pretende dialogar individualmente com cada vereador para mapear demandas e construir convergências, sobretudo em torno de pautas como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a taxa do lixo.













