Márcio Canella (União Brasil) saiu das eleições deste ano como o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro, com 197.178 votos. Nesta quinta-feira (15), o ex-prefeito de Belford Roxo foi preso pela Polícia Federal durante a oitava fase da Operação Unha e Carne.
A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis. O ex-chefe da Polícia Civil fluminense, Marcus Amim, e outros quatro policiais civis também foram presos.
A assessoria de Canella informou que ainda não havia tido acesso aos autos.
Trajetória passa pela prefeitura e pela Assembleia
Antes de chegar à prefeitura de Belford Roxo, Canella foi vereador e exerceu mandatos na Assembleia Legislativa do Rio. Ele venceu a eleição municipal de 2024 e deixou a prefeitura neste ano. Inicialmente, pretendia disputar o Senado. O projeto tinha apoio de Flávio Bolsonaro, mas Canella acabou concorrendo novamente ao Legislativo estadual.
A eleição para deputado aconteceu depois de uma primeira prisão, em julho. Naquela ocasião, ele era alvo de buscas na Operação Unha e Carne quando agentes localizaram um fuzil em seu veículo.
Defesa contestou prisão anterior
Canella negou ser o proprietário do armamento encontrado em julho. Seus advogados afirmaram que o fuzil era legalizado e estava registrado em nome do policial militar que fazia sua segurança. Ele foi solto posteriormente.
Na nova fase, a operação voltou a alcançar o político e o ex-chefe da Polícia Civil. As prisões foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A Polícia Civil afirmou que não compactua com desvios de conduta e que sua corregedoria acompanha a operação.
Postos estão no centro da apuração
A investigação aponta movimentações de R$ 7,6 bilhões em seis anos na rede investigada. O montante foi identificado em relatório de inteligência financeira do Coaf. Nesta quinta-feira, a ação inclui mandados de prisão e buscas em sete municípios. Também foram determinadas medidas sobre bens e valores e a suspensão das atividades de 112 empresas, majoritariamente postos de combustíveis.
Os investigadores apuram a participação de agentes públicos e a possível utilização dos estabelecimentos em um esquema de lavagem de dinheiro.
*Essa reportagem está sendo atualizada.
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