O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), resgatou uma conversa entre Wilder Morais (PL) e Carlinhos Cachoeira, interceptada pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo, ao responder às críticas feitas pelo senador durante sabatina ao portal Mais Goiás na sexta-feira, 4.
Na entrevista, Wilder retomou o confronto com o correligionário por causa do apoio declarado à reeleição do governador Daniel Vilela (MDB). O senador afirmou ter acreditado politicamente no prefeito, mas classificou Márcio como um político “sabor direita”, em referência à aproximação com um candidato de outro partido.
A declaração prolongou uma disputa iniciada no final de agosto, quando a direção estadual do PL abriu um processo ético-disciplinar contra Márcio. Na ocasião, Wilder acusou o prefeito de trair o ex-presidente Jair Bolsonaro e de romper compromissos assumidos com o partido que o elegeu em 2024.
“Hoje, pede voto para outro partido, para deputado, para outro governo e, não duvide, para outro presidente também”, declarou Wilder, no dia 27 de agosto. O senador também afirmou que Bolsonaro consideraria o prefeito um “traidor” caso estivesse livre e pudesse reagir.
Ao ser novamente citado na sabatina, Márcio publicou um vídeo no qual criticou o desempenho de Wilder na entrevista e disse que o candidato deveria utilizar o espaço para apresentar propostas.
“Eu não sou adversário do senhor, que gastou seu tempo precioso no maior portal do estado, que detém o maior engajamento. Tinha que gastar esse tempo para apresentar propostas e projetos consistentes, que resolvam a vida do cidadão”, afirmou o prefeito.
Na sequência, Márcio respondeu ao termo “sabor direita” com uma série de referências à trajetória política de Wilder.
“Podia ter citado aí ‘sabor Cachoeira’, ‘sabor Moraes’, ‘sabor Messias’, ‘sabor rabo preso’, ‘sabor preguiça’, mas o seu sabor, senador, é o sabor amargo da derrota por essas atitudes”, declarou.
A expressão “sabor Cachoeira” recupera uma conversa gravada pela Polícia Federal em junho de 2011 e divulgada no ano seguinte. No diálogo, o contraventor Carlinhos Cachoeira atribuiu a si participação na escolha de Wilder para a suplência de Demóstenes Torres e na nomeação dele para a Secretaria de Infraestrutura do governo Marconi Perillo.
“Fui eu que te pus na suplência, essa secretaria, fui eu. Você sabe muito bem disso”, afirmou Cachoeira na gravação.
Wilder respondeu: “Carlinhos, pensa um cara que nunca teria encontrado um governo, que nunca teria sido ‘merda’ nenhuma, cara. Você está falando com esse cara”.
Na época, depois da divulgação do áudio, Wilder negou que a resposta representasse gratidão pela entrada na política. Segundo ele, o trecho era parte de uma conversa mais longa e a declaração foi uma tentativa de encerrar um diálogo que considerava constrangedor.
Wilder tornou-se primeiro suplente de Demóstenes em 2010, assumiu a Secretaria de Infraestrutura em 2011 e chegou ao Senado em 2012, depois da cassação do titular. Naquele período, parlamentares cobraram explicações do então senador sobre as gravações reveladas pela Operação Monte Carlo.
Márcio também fez referência a um jantar realizado em 2017 no barco de Wilder, no Lago Paranoá, com a participação de Alexandre de Moraes, que havia sido indicado ao Supremo Tribunal Federal. O encontro reuniu senadores durante o período de articulação para a aprovação do nome de Moraes pelo Senado.
“Isso é bom para o cidadão, para o eleitor compreender por que eu saí desse barco. Não é o barco que o senhor recebeu o Moraes, não, que está afundando. Vê se o senhor me esquece, vai fazer campanha, vai gastar sola de sapato”, disse Márcio.
O confronto ocorre enquanto o prefeito responde ao procedimento disciplinar aberto pelo PL. A direção do MDB já sinalizou que aceitará o retorno de Márcio ao partido caso ele seja expulso da legenda comandada por Wilder em Goiás.
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