Daniel Vilela assumiu o Governo de Goiás promovendo mudanças em 19 secretarias, imprimindo desde o início um estilo técnico e conciliador. A sinalização foi clara: menos ruído político e mais eficiência administrativa. Entre as alterações, a mais simbólica talvez tenha sido a chegada do empresário Ademar Pereira Leal Filho, nome de grande respeito no agronegócio goiano, que assume com a missão de qualificar a gestão e, ao mesmo tempo, estreitar o diálogo com o principal motor econômico do estado.
Nos primeiros dias à frente do Executivo, Daniel demonstrou postura e maturidade política. Não por acaso: sua trajetória acumula experiência como vereador, deputado estadual, deputado federal e vice-governador. Esse repertório parece influenciar diretamente o tom adotado — menos confronto, mais articulação.
Mas, enquanto a máquina administrativa começa a rodar com novos ajustes, os bastidores da política seguem em ebulição. A principal pergunta no momento é: quem será o vice na chapa de reeleição? Pelos sinais, a definição ainda não está fechada — e isso, longe de ser um problema, revela o prestígio do atual governador. Daniel já conta, em seu campo político, com quatro nomes de peso projetados para o Senado: Vanderlan Cardoso, Gracinha Caiado, Zacarias Kalil e Alexandre Baldy. Um leque robusto que amplia o capital eleitoral da chapa.
Entre os cotados para a vice, um dos nomes mais citados é o de José Mário Schreiner, presidente licenciado da Faeg e também integrante da CNA. Zé Mário representa, de forma direta, a força do agronegócio — não apenas em Goiás, mas com projeção nacional. Seu alcance no setor é amplo, com trânsito em propriedades de todos os portes e forte capilaridade institucional por meio do sistema Faeg. Em um estado onde o agro é decisivo para a economia e para o voto, sua presença agregaria densidade política e capilaridade eleitoral.
Outro nome lembrado com frequência é o de Adriano da Rocha Lima. Embora menos conhecido do grande público, Adriano teve papel central nos governos de Ronaldo Caiado, cuja gestão alcançou altos índices de aprovação. Trata-se de um quadro técnico com forte influência interna e, possivelmente, o nome mais alinhado ao núcleo duro caiadista. Sua eventual indicação representaria continuidade administrativa e reforço da confiança política entre o atual governo e o grupo de Caiado, que também projeta voos nacionais.
No campo religioso, surge Luiz do Carmo, ex-senador e figura com forte ligação ao eleitorado evangélico. Irmão do bispo Oídes, liderança respeitada nesse segmento, Luiz carrega um ativo eleitoral relevante. Em um cenário onde o voto evangélico tem peso crescente, sua presença na chapa poderia significar uma ponte estratégica com esse público.
Já no campo político-eleitoral, o nome de Gustavo Mendanha aparece como uma opção de grande envergadura. Ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Mendanha construiu uma gestão bem avaliada e mantém forte influência na cidade, onde seu grupo político é hegemônico. Com experiência em disputas majoritárias — tendo sido segundo colocado na eleição para o governo —, ele agrega densidade eleitoral e capacidade de mobilização. Além disso, sua atuação foi decisiva em articulações importantes, como a eleição de Leandro Vilela em Aparecida e o apoio histórico ao saudoso Maguito Vilela.
É importante considerar, porém, que o cenário permanece aberto e dinâmico. Até o período das convenções partidárias, novos nomes podem surgir ou ganhar força dentro da disputa, alterando o tabuleiro político. Um exemplo recente é o do presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, Bruno Peixoto, que, de última hora, decidiu permanecer no União Brasil e mantém sua pré-candidatura à Câmara Federal. Ainda assim, nos bastidores, não se descarta a possibilidade de ser convocado para uma missão majoritária, como a vice na chapa de Daniel, a depender das circunstâncias e da configuração política nos próximos meses no estado.
É importante destacar, no entanto, que todos os nomes colocados como possíveis candidatos a vice reúnem qualidades e características que podem somar significativamente à campanha. Cada um, à sua maneira, agrega valor político, eleitoral e estratégico ao projeto. Mais do que a escolha individual, o ponto central será o respeito à vontade do candidato — que caberá a Daniel Vilela — e, sobretudo, a capacidade de, ao final do processo, todos convergirem em torno de um objetivo maior: a unidade do grupo e a reeleição, consolidando o projeto do MDB em Goiás.
Diante desse cenário, fica evidente que Daniel Vilela tem em mãos não apenas uma decisão política, mas uma escolha estratégica que pode definir os rumos da eleição. A disputa promete ser acirrada, com adversários como Marconi Perillo e Wilder Morais no páreo. O voto será disputado em cada segmento, em cada região.
No Palácio das Esmeraldas, o clima é de cálculo. A escolha do vice deve passar por análises técnicas, pesquisas qualitativas e leitura minuciosa de cenário. Mais do que um nome, será preciso encontrar um complemento — alguém que some, que equilibre e que amplie.
Daniel, por sua vez, entra nesse jogo com vantagem: base consolidada, apoio de lideranças fortes, um governo que busca eficiência e um conjunto de opções qualificadas para compor sua chapa. No fim das contas, como nos tempos em que vestia a camisa do Goiás Esporte Clube, a bola está em seus pés — e a próxima jogada pode ser decisiva para o resultado final.
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Por Rodrigo Zani em 07/04/2026 - 10:41











