As pesquisas de intenção de voto são mais importantes para as campanhas eleitorais, para candidatos e partidos, no sentido de orientar estratégias de divulgação e persuasão de eleitores, do que diretamente para motivar escolhas ou definir votos. A avaliação é do professor Jordão Horta Nunes, doutor em Sociologia e diretor-executivo do DataUFG, laboratório interdisciplinar da Universidade Federal de Goiás voltado para pesquisas e avaliação de políticas públicas. Nas últimas eleições municipais, o laboratório atuou na realização de pesquisas eleitorais com robusta metodologia científica, em Aparecida de Goiânia.
Jordão identifica ao menos uma situação em que essas pesquisas podem ter influência direta. “Em contextos politicamente muito polarizados, como o atual, pode ocorrer a situação do voto pragmático, em função do ‘mínimo prejuízo’, quando o eleitor, ciente de resultados prévios que indicam uma probabilidade muito pequena de seu candidato vencer, escolhe outro que, embora não seja o preferido, se alinha mais à sua orientação política, à esquerda ou à direita, tendo melhor chance de ser eleito”, aponta o pesquisador.
No contexto de guerra de narrativas que domina o ambiente político no Brasil, o diretor do DataUFG avalia que as pesquisas continuam importantes, mas destaca que as sondagens de intenção de voto devem ser complementadas por grupos focais, para que opiniões divergentes sejam identificadas num mesmo contexto de interação, envolvendo pessoas diferentes, preferencialmente que não se conhecem. “Além disso, torna-se importante a extração de dados de aplicativos de mídias sociais, como Facebook e Instagram, técnica hoje conhecida como raspagem (scraping), para identificação não só das narrativas divergentes associadas às pessoas que as produzem ou visualizam, mas também a construções simbólicas como emoticons, imagens, memes”, sugere.
“A análise procura relacionar essas produções de sentido não somente a candidatos escolhidos, mas a expressões ou códigos, como as hashtags, que identificam posições ideológicas em redes sociotécnicas”, acrescenta.
Erros
A divulgação de resultados de pesquisas deve se intensificar à medida que as campanhas eleitorais se aproximam e uma das preocupações é com os erros nos resultados, que não são fatos simples como pode parecer à primeira vista, mas envolvem aspectos complexos. Jordão Horta esclarece que as pesquisas são em geral avaliadas pela relação com um erro de amostra, ou seja, são mais confiáveis e também se tornam mais dispendiosas, quando a probabilidade de que o resultado apontado seja menor do que o erro da amostra aceitável.
“Nas pesquisas eleitorais contemporâneas, esse valor, designado como ‘margem de erro’, gira em torno de 2 a 5% para um intervalo de confiança de 95%. Isso significa que, se tivermos cem pessoas participantes da pesquisa e a margem de erro, ou a estimativa estatística do tamanho máximo esperado do erro amostral, for de 3% e tivermos um resultado da pesquisa indicando 40% de aprovação de um candidato, deveremos confiar nesse resultado até 3 pontos acima ou abaixo, em 95% das vezes em que a resposta for realizada com o mesmo número da amostra, ou seja, 100 pessoas. Neste exemplo, o resultado esperado, confiável, ficaria entre 37% e 43%”, ensina Jordão Horta.
No entanto, além desse tipo de erro, que o professor define como objetivamente controlável, há vieses ou desvios que são subjetivos, mais difíceis de controlar em uma pesquisa, como, por exemplo, o eleitor mentir, dizer que vai votar em um candidato e intencionar votar em outro, por não acreditar na ciência ou na validade de pesquisas eleitorais ou até para deliberadamente prejudicar a pesquisa eleitoral. Além disso, nem todas as pessoas participantes de uma pesquisa eleitoral votarão no dia da eleição, observa Jordão. “Finalmente, há alterações no comportamento devido a estratégias de campanha deliberadas, a partir de fatos ocorridos ou por construção de fake news, que podem alterar significativamente a opinião de parte do eleitorado”, acrescenta.















