O Batalhão de Choque da Polícia Militar foi acionado no início da tarde desta quarta-feira (13) para conter uma manifestação de comerciantes da região da Vila Canaã, em Goiânia, que reclamavam da Operação da Lei do Desmonte, realizada pelo Detran-GO, Polícia Civil e Prefeitura de Goiânia nas lojas que vendem peças usadas de veículos. A polícia usou bombas de gás e balas de borracha para dispersar os manifestantes, que ocupavam uma rua do setor.
A Tribuna do Planalto publicou, no último dia 1º, uma reportagem reproduzindo a insatisfação dos comerciantes com as recorrentes interdições na Avenida Bandeirantes, que, segundo eles, têm causado impactos severos à economia local, com prejuízos diários, queda abrupta no faturamento e temor de que novas fiscalizações levem ao fechamento definitivo das lojas da região.
“Fechou do nada. Chegaram com viaturas e já começaram as fiscalizações. Não teve conversa, ninguém explicou nada”, desabafou um comerciante, que pediu para não ser identificado por medo de represálias. A rua ficou fechada por quatro dias seguidos e, segundo ele, o movimento caiu 100%, gerando prejuízo de até R$ 5 mil por dia. “Não entra carro, ninguém passa. Parece um deserto”, relatou à época.
Um dos comerciantes mais antigos da região, o chaveiro Antônio Campos, que atua no local desde o ano 2000, também criticou a forma como a ação foi conduzida. “Parou tudo. Ninguém entra, ninguém sai. Fecharam a rua inteira, inclusive para ônibus e carros pequenos”, disse. Ele afirma que não houve qualquer tipo de comunicação prévia por parte do Detran. “Não recebemos nenhuma notificação. A gente entende a necessidade da fiscalização, mas não dessa forma. Fechar a rua, atrapalhar o trânsito e sufocar quem está tentando trabalhar?”
O Detran-GO, por meio de nota, afirmou que a operação está sendo realizada com base na Lei do Desmonte e que a fiscalização orientadora começou ainda em dezembro do ano passado. “O objetivo é combater o comércio clandestino de peças usadas e promover segurança ao consumidor. Os empresários foram avisados e tiveram tempo para se regularizar”, declarou o órgão.
Ainda segundo o Detran, a área de isolamento é restrita ao necessário para garantir a segurança das equipes e do público. A operação deve ocorrer em toda a cidade, de segunda a sexta-feira, com duração variável conforme o tempo necessário para aplicação das medidas administrativas.
Apesar disso, os comerciantes contestam. “Se houve orientação, a maioria aqui não viu. Foi tudo de surpresa. Chegaram e fecharam a rua. Não deram nem chance de a gente entender o que estava acontecendo”, afirmou um lojista que preferiu não se identificar por receio de retaliação.















