A Polícia Civil de Goiás, por meio do Grupo Especial de Investigações Criminais (Geic) da 17ª Delegacia Regional, deflagrou na última terça-feira (16) uma operação contra um grupo criminoso especializado em fraudes virtuais. Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e nove mandados de busca domiciliar nas cidades de Goiânia, Trindade, Goianira e Anhanguera.
Segundo as investigações, o grupo teria movimentado cerca de R$ 7 milhões entre março de 2022 e janeiro de 2024 com a prática de estelionatos pela internet.
Como o esquema funcionava
A apuração começou após o registro de um caso em Padre Bernardo (GO). A vítima, moradora do município, perdeu R$ 45 mil em um golpe conhecido como “falso intermediário”, quando criminosos se passam por terceiros confiáveis em negociações virtuais para enganar compradores ou vendedores.
Com o avanço das diligências, a Polícia Civil identificou dois núcleos de atuação dentro da organização criminosa:
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Núcleo de engenharia social: responsável pelo contato direto com as vítimas, utilizando artifícios para convencer os alvos a realizar transferências bancárias;
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Núcleo financeiro: encarregado de movimentar e pulverizar os valores ilícitos, dificultando o rastreamento do dinheiro.
A corporação informou que as apurações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e rastrear a destinação dos recursos obtidos com os golpes. O objetivo é reunir provas que reforcem a responsabilização criminal dos suspeitos e ampliar a rede de proteção contra esse tipo de fraude.
O que é o golpe do falso intermediário
É um tipo de fraude em transações online, geralmente envolvendo bens de valor como veículos usados ou seminovos. O golpista se apresenta como um “intermediário” entre vendedor e comprador, ou clona anúncios legítimos para enganar compradores ou vendedores.
Como funciona (etapas comuns)
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Identificação do anúncio válido – o criminoso acha um anúncio real de venda de veículo, por exemplo.
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Coleta de informações – ele contata o anunciante original, pede fotos, documentos, dados etc.
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Criação de anúncio falso – usando essas informações, ele faz um novo anúncio, geralmente com preço inferior para atrair compradores.
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Contato com comprador – aparece alguém interessado via anúncio falso. O intermediário costuma marcar encontro ou vistoria, convencendo ambas as vítimas de que ele é pessoa confiável.
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Pagamento para o intermediário – o comprador transfere dinheiro para uma conta que não pertence ao vendedor, mas sim ao golpista. Normalmente, os dados bancários são de terceiros ou de contas “laranjas”.
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Desaparecimento / interrupção da comunicação – depois do pagamento, o criminoso “some”, bloqueia comunicações, não repassa o valor ao vendedor, deixando ambos lesados.
Sinais de alerta
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Oferta muito abaixo do valor de mercado.
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Intermediário que evita comunicação direta com o vendedor ou comprador real, ou evita vídeo chamadas/presencialidades.
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Pedido de sigilo (“não fale sobre preço com o outro”) ou justificativa de urgência ou motivo emocional para a pressa.
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Conta bancária em nome de terceiros / alguém diferente do anunciante original.
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A insistência em pagamentos antecipados, ou de que parte do valor seja enviado antes de todo o negócio ser formalizado.
Como se prevenir
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Verificar a procedência do anúncio original. Se for veículo, por exemplo, checar documentação, histórico, procedência.
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Negociar sempre diretamente com o vendedor, evitando intermediários desconhecidos.
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Não retirar anúncios originais até que o negócio esteja confirmado.
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Confirmar que a conta para qual será feito o pagamento pertence ao vendedor ou a pessoa legalmente responsável.
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Documentar toda a negociação (conversas, anúncios, prints, gravações , comprovantes).












