A prorrogação dos contratos emergenciais das Organizações Sociais (OSs) responsáveis pela gestão das maternidades municipais de Goiânia ocorre em meio à insatisfação de médicos que atuam no Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara. A medida, anunciada pela Prefeitura, estende por mais 180 dias os atuais termos de colaboração enquanto a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) conclui o chamamento público que definirá as gestoras definitivas das unidades.
Os contratos vencem nesta quinta-feira (19) e, renovados, vão manter o custo mensal de cerca de R$ 12,7 milhões até a conclusão do chamamento público definitivo. Atualmente, o Instituto Patris gere a Maternidade Dona Íris; a Sociedade Brasileira São José administra o Hospital Municipal e Maternidade Célia Câmara; e a Associação Hospitalar Beneficente do Brasil (AHBB) conduz a Maternidade Nascer Cidadão.
No Hospital e Maternidade Célia Câmara, médicos relatam atrasos salariais e cobram melhores condições de trabalho. Na última semana, o Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego) reuniu-se com os profissionais da unidade após denúncias de atrasos no pagamento dos plantões referentes a dezembro de 2025.
Após encontro com a superintendência da maternidade, os gestores apresentaram proposta para quitar imediatamente metade dos valores em atraso e efetuar o pagamento restante nesta semana. Diante do compromisso, os profissionais decidiram conceder um voto de confiança à administração e mantiveram assembleia marcada para a próxima segunda-feira (23), quando será feita nova avaliação sobre o cumprimento do acordo.
Em nota à Tribuna, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) afirma que a contratação e pagamento dos profissionais é de responsabilidade da organização social gestora da unidade. “A SMS destaca que todos os pagamentos da pasta à OS foram realizados rigorosamente em dia e que não há repasses em atraso.”, ressalta.
Novo modelo
A renovação do modelo de gestão das maternidades ocorre após mudanças implementadas pela atual administração municipal, que revisou custos e planos de trabalho das unidades com o objetivo de adequar despesas à capacidade orçamentária.
Apesar da manutenção das metas assistenciais e do funcionamento regular apontados pela pasta, profissionais alertam que pendências trabalhistas e condições operacionais impactam o ambiente de trabalho e podem afetar a qualidade da assistência.
A Prefeitura de Goiânia informa que a decisão de renovação contratual busca evitar descontinuidade no atendimento obstétrico e neonatal, assegurando assistência a gestantes e recém-nascidos enquanto tramita o processo seletivo que deverá resultar em contratos com vigência de até cinco anos.
A SMS informou que os termos aditivos mantêm os mesmos valores contratuais vigentes e que a prorrogação segue entendimento jurídico que admite extensão excepcional de contratos emergenciais para garantir a continuidade do serviço público.