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Real completa 30 anos com desafio de manter poder de compra em cenário de inflação global

A inflação alta no pós-pandemia é um fenômeno global


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 30/06/2024 - 17:00

(Foto: Agência Brasil)

A servidora pública Renata Moreira, 47, sente na pele o impacto da inflação no poder de compra do real. “Com R$ 100, eu saía com pelo menos seis ou sete sacolas do mercado. Hoje em dia, sai com apenas uma”, lamenta à Agência Brasil. A feira do Largo do Machado, que ela frequenta semanalmente, é um termômetro da alta de preços que acumula 708,01% desde a criação da moeda, em 1º de julho de 1994.

A aposentada Marina de Souza, 80, também frequentadora da feira, reclama do aumento gradual dos preços: “Todo mês, vêm R$ 2 a mais. Aí vai somando para você ver, né?”. Ela sente que, de um ano para cá, o problema se agravou.

A inflação alta no pós-pandemia é um fenômeno global, explica a professora de economia da FGV Virene Matesco. “Tivemos problemas sérios, de rompimento de cadeias produtivas, uma mudança geopolítica mundial, com guerras regionais, e mudanças climáticas que pressionam principalmente a oferta de alimentos”, afirma.

Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Way Investimentos, destaca a complexidade da inflação pós-pandemia, que desafia os Bancos Centrais em todo o mundo. “Tivemos um choque de oferta, com a quebra de cadeias produtivas no mundo inteiro que ainda estão se recompondo. Além disso, os bancos centrais injetaram muito dinheiro na economia global, dinheiro que ainda está circulando”, explica.

Apesar da perda de 87,62% do valor em 30 anos, a população não ficou mais pobre na mesma proporção, pois o poder de compra é influenciado também pela elevação dos salários. “A economia se adapta às variações, inclusive à alta recente do câmbio”, diz o economista Leandro Horie, do Dieese.

Segundo o Dieese, 77% das negociações salariais resultaram em aumento real (acima da inflação) em 2023. Até maio deste ano, o percentual subiu para 85,2%. Com os reajustes acima da inflação, os preços se estabelecem num nível mais alto, sem a possibilidade de retornarem aos níveis anteriores.