Doar algumas horas, oferecer companhia e escutar quem enfrenta um período de fragilidade são atitudes capazes de transformar a experiência de pacientes e acompanhantes dentro de um hospital. Neste 28 de agosto, Dia Nacional do Voluntariado, o trabalho realizado no Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia – Iris Rezende Machado (HMAP) e no Einstein Goiânia mostra como qualquer pessoa disposta a ajudar pode ser voluntário e contribuir para uma assistência mais humana.
Com a missão de promover transformação social, conhecimento e humanização por meio do trabalho voluntário consciente e profissional, o Voluntariado Einstein funciona como porta de entrada para quem deseja fortalecer vínculos comunitários, desenvolver consciência social e promover inclusão. Em Goiás, mais de 40 voluntários atuam nas duas unidades de saúde.
Somente no HMAP, unidade da Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia, construída pela Prefeitura e administrada pelo Einstein, aproximadamente 30 pessoas colaboram regularmente. O trabalho ocorre de maneira integrada às equipes assistenciais e não substitui os atendimentos médicos, de enfermagem ou de outros profissionais. A função é complementar o cuidado, especialmente em seus aspectos emocionais e sociais.
Os voluntários podem atuar no acolhimento de pacientes na recepção e no ambulatório, realizar visitas aos leitos e oferecer companhia, conforto e apoio emocional. Na Brinquedoteca, também desenvolvem atividades lúdicas com crianças internadas, proporcionando momentos de descontração durante o tratamento.
Antônio Geraldo está entre os participantes do programa. A experiência dele com o voluntariado começou em Poços de Caldas, em Minas Gerais, onde ajudava em um residencial para idosos. Depois de se mudar para Goiânia, passou a contribuir no ambiente hospitalar e encontrou uma forma de retribuir as oportunidades que recebeu ao longo da vida.
“Eu me sinto endividado com a vida boa que eu tive e sempre gosto de agradecer a Deus por isso. Na minha opinião, uma forma de fazer isso é ajudando outras pessoas. Essa é a minha motivação para ser voluntário”, conta.
Durante a atuação no HMAP, Antônio viveu experiências marcantes. Em uma delas, uma brincadeira sobre dançar forró com uma paciente deu origem a uma amizade que permaneceu por muito tempo. Para ele, o contato com pessoas doentes ou em situação de vulnerabilidade também mudou sua forma de enxergar a própria vida.
“Eu sou aposentado e já fui um pessimista quanto aos valores humanos. Trabalhar com pessoas carentes, doentes e às vezes fragilizadas me fez enxergar a vida como um presente de Deus”, relata. Agora, ele deseja ter longevidade e capacidade para ampliar ainda mais aquilo que pode fazer pelo próximo.
O impacto desse acolhimento permanece na lembrança das famílias mesmo depois da alta hospitalar. Eva Silva, esposa de um paciente atendido no HMAP, recorda que as palavras de incentivo e os gestos de carinho ajudaram o marido a enfrentar o período de internação.
“O que mais marca é lembrar o quanto fomos bem tratados por pessoas que nem conhecíamos. Em pleno sofrimento e dor, os voluntários chegavam com palavras bonitas e até conseguiam fazer meu marido sorrir. Aquilo preenchia um vazio e ajudou muito”, afirma. Segundo ela, o esposo está curado e a família mantém a gratidão pelas pessoas que ofereceram apoio naquele momento.
O prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela, destaca que o voluntário não oferece somente parte do próprio dia, mas também presença, atenção e solidariedade. Para o secretário municipal de Saúde, Alessandro Magalhães, a escuta, a companhia e as atividades de acolhimento favorecem o bem-estar emocional e complementam a assistência hospitalar quando realizadas de forma articulada com os protocolos e as equipes.
O diretor do HMAP, Pedro Vieira, ressalta que a experiência também transforma quem se dispõe a ajudar. Segundo ele, o voluntariado reforça a importância de enxergar o paciente de maneira integral, considerando sua história, seus sentimentos e suas necessidades.
O Voluntariado Einstein possui mais de 70 anos de trajetória e reúne atualmente mais de 700 participantes em 11 unidades localizadas nos estados de Goiás, São Paulo e Bahia. No território goiano, o trabalho é desenvolvido há mais de três anos no HMAP e há mais de dois anos no Einstein Goiânia.
Quem deseja fazer parte da iniciativa e conhecer as formas de atuação pode acessar a área “Seja Voluntário” no site do programa.











